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Tanizaki De Warme Winkel Informações sobre o Evento
26 → 27 Jan 2018
Datas e Horários
sexta e sábado → 21h30
Preço
7€ a 14€
Menores de 18 anos: 3€
Menores de 30 anos: 5€
Duração
1h40
Classificação
M/16
Local
Sala Principal com bancada
Informação Adicional

Espetáculo em inglês parcialmente legendado em português

Teatro

Tanizaki
De Warme Winkel

Crítica Tanizaki | Theaterkrant 2015

Crítica Tanizaki | Theaterkrant 2015

 

Ode a escritor Japonês transforma-se em história íntima
4 ****

por Sanders Janssens, visto a 18 de março de 2015 no Teatro Kikker, Utreque

O romance A Chave (Tanizaki, 1886-1965) é construído a partir de excertos de um diário que um homem velho decidiu escrever, sem qualquer renitência, acerca das suas necessidades sexuais. Sabendo que a sua mulher poderia ler o diário, ele deixa a chave num lugar onde ela facilmente a pode encontrar. As notas do homem são alternadas com entradas de diário da sua mulher. Em Tanizaki, de De Warme Winkel, esses excertos cruzam-se com excertos dos diários pessoais dos atores.

A tensão no livro aumenta quando uma terceira pessoa, a jovem Kimura, entra na história. Forma-se assim uma extraordinária relação entre três pessoas, carregada por uma implícita tensão sexual. A ligação entre as três personagens do livro e os três atores no palco cedo se torna clara.

Mas, antes disso, De Warme Winkel serve-nos uma dose generosa de caos. À medida que os espectadores vão entrando, Vincent Rietveld, Ward Weemhoff e Mara van Vlijmen ainda estão freneticamente a tentar montar o cenário. Num pânico divertido (“Começamos às 20.30h, não é?”), as coisas voam do palco mesmo antes do espetáculo poder começar. Uma fascinante espiral de energia pura.

Os próprios De Warme Winkel desenvolveram o termo “oeuvre pieces” para o género que inventaram. Peças nas quais a obra, vida e tempo de um artista – neste caso Tanizaki – se refletem no espelho da contemporaneidade. Estas são peças feitas de cenas separadas (que eles chamam de “atos”), unidas numa forma associativa por via de um tema ou tópico comum. Neste caso, a direção do espetáculo ficou a cargo de Jetse Batelaan. Makiko Goto, a artista japonesa que toca koto, atua de costas viradas para os espectadores durante grande parte do espetáculo.

O coletivo De Warme Winkel não se preocupa muito com coerência no seu estilo performativo, que é exuberante e dirigido aos espectadores num momento, sendo abstrato e distante – quase místico – noutro. A única coisa que interessa é ser feito com toda a convicção possível. Desta forma, são capazes de abordar o seu tema a partir de múltiplas perspetivas.

Através de A Chave encontraram a forma ideal de trazer para a atualidade, de modo estrondoso, os temas de Tazinaki. Os seus excertos de diário – projetados num pano de fundo semelhante a uma página ou lidos em voz alta a partir de um MacBook – dão-nos uma perceção das diferentes experiências de cada ator ao criar a produção.

Felizmente, o foco aqui não é tanto o modo como foi feita a produção, mas sim o modo como as relações entre os seus criadores mudam e transformam, elevando a história para lá de uma narrativa pessoal, o que seria apenas interessante para outros criadores. A produção contém um interessante jogo de atração e repulsa, no qual falsas premissas, ângulos mortos e inveja todos possuem um papel – um desenvolvimento que dá um sentido diferente à hilariante cena inicial, quando os três atores interagem uns com os outros de forma tão livre e casual.

Se à primeira vista Tanizaki pode parecer uma hilariante ode ao Japão, esta transforma-se numa história pessoal e intimista acerca de uma relação a três: a deles próprios. Está carregado de revelações comoventes e constrangedoras, cenas tranquilas, inventividade estética e muitas gargalhadas.

Quando, no fim, Makiko Goto larga o seu instrumento para nos encarar e ler em voz alta, a partir dos seus próprios excertos e num inglês hesitante, acerca da sua experiência com este grupo de teatro bizarro, somos transportados de volta ao início – o Japão. Em Tanizaki, De Warme Winkel cria um inteligente feito teatral.

© Theaterkrant 2015

26 → 27 Jan 2018
Datas e Horários
sexta e sábado → 21h30
Preço
7€ a 14€
Menores de 18 anos: 3€
Menores de 30 anos: 5€
Duração
1h40
Classificação
M/16
Local
Sala Principal com bancada
Informação Adicional

Espetáculo em inglês parcialmente legendado em português

Sinopse

Nos últimos anos, De Warme Winkel têm-se dedicado a fazer aquilo que chamam de “peças-obra”, nas quais olham para a vida e obra de um artista através da lente da atualidade. Depois de Majakovski, o mais recente artista escolhido pela companhia holandesa é o autor Junichiro Tanizaki. A obra de Tanizaki centra-se num retrato mordaz e necessariamente pessimista da sociedade ocidental, revelando uma forma quase pornográfica da existência humana que desgasta e desencanta o mundo. Neste regresso ao Teatro Maria Matos, De Warme Winkel mergulham no idiossincrático e contraditório universo de um dos maiores autores da literatura japonesa.

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Sinopse

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Ficha Artística

criação e interpretação
Vincent Rietveld, Mara van Vlijmen e Ward Weemhoff

encenação
Jetse Batelaan

música KOTO
Makiko Goto

 

desenho de som
Richard Janssen

desenho de luz
Ate Jan van Kampen

fotos
Sofie Knijff

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