Simultonality
Biografias
Joshua Abrams
Esteve profundamente envolvido na cena efervescente de Chicago dos anos 1990, tanto no jazz, no rock e no campo experimental. Pertenceu ao núcleo de músicos que ajudaram o pós-rock a desabrochar ― como os Town And Country (com Liz Payne, Ben Vida e Jim Dorling) ― e participou em inúmeras formações jazz como os Sticks And Stones (com Chad Taylor e Matana Roberts) ou Exploding Star Orchestra (de Robert Mazurek). Fez parte ainda dos Cairo Gang, que acompanharam Bonnie “Prince” Billy no seu The Wonder Show of the World de 2010. Em duas décadas, tornou-se um músico essencial para nomes como Fred Anderson, Jeff Parker, Hamid Drake ou Neil Michael Hagerty, aparecendo até hoje em mais de uma centena de discos. Desde 2010 que usa o seu projeto Natural Information Society como principal canal da sua produção, utilizando um leque generoso de colaboradores que em disco e ao vivo têm enriquecido a sua música. Simultonality, editado no passado mês de Abril, sucede a Magnetoception, de 2015, considerado um dos discos do ano para a revista Wire e para o website Pitchfork.
Mikel Avery
Artista multidisciplinar, Mikel tem-se feito notar como baterista de jazz em Chicago, para onde se mudou há cerca de 10 anos. Utilizando um estilo orquestral e melódico, usando inúmeros objetos estranhos como utensílios percussivos, Mikel foi chamado para projetos como Moon Voice de Robert Mazurek, The Chicago Jazz Philharmonic e Black Monks of Mississippi de Theaster Gates. Além de baterista, Mikel é compositor, fotógrafo e produtor musical.
Lisa Alvarado
Além de pertencer à formação permanente de Natural Information Society, tocando harmónio e percussão, Lisa expõe o seu trabalho visual como cenário para alguns dos seus concertos. Tem nesta altura uma exposição a decorrer na Bridget Donahue em Nova Iorque, entitulada Sound Talisman. Tem trabalho seu incluído nos livros Art Record Covers da Taschen e The Freedom Principle: Experiments in Art and Music, 1965 to Now da MCA Chicago/University Of Chicago Press.
Ben Boye
Teclista e pianista tem estado activo desde o início dos anos 2000, dividindo a sua música entre os projectos de Joshua Abrams, participações no Cairo Gang de Emmet Kelly e os discos de Ryley Walker. Health&Beauty, Angel Olsen ou Bonnie “Prince” Billy são outros nomes com quem frequentemente trabalha. Simultonality é o quinto álbum de Natural Information Society que conta com a sua colaboração.
Norberto Lobo
Muxama ainda é o mais recente álbum a solo de Norberto Lobo ― o sexto da sua discografia, editado na segunda metade do ano passado ―, mas a sua produção é imparável: The Byre, de 2017, juntou-o a Eric Chenaux; Sir Robert Williams é o regresso do sexteto que tem com o baterista João Lobo. Tem por estes dias uma residência com Ricardo Jacinto e Marco Franco na Galeria ZDB onde vai mostrando novos arranjos para temas antigos e novos temas que entrarão no seu próximo disco.
Yaw Tembe
Trompetistas natural da Suazilândia mas há vários anos residente em Portugal, Yaw Tembe tem participando em vários projetos artísticos (música, artes plásticas e dança) e tocando com, entre outros, GUME, Criatura, Zarabatana, Norberto Lobo, Joshua Abrams, Orphy Robinson, Evan Parker e Hieroglyphic Being. Tem atuado em vários espaços e festivais como Serralves, Festival de Músicas do Mundo de Sines, Teatro Maria Matos, Out.fest, Culturgest, Casa da Música. O seu último trabalho, recentemente em cena no Teatro Nacional D. Maria II, foi para a peça de Marlene Monteiro Freitas ― Bacantes – Prelúdio para uma fuga.
Folha de Sala
Talvez seja redutor eleger o gimbri como figura central da música de Joshua Abrams ou dos seus Natural Information Society, mas ao mesmo tempo este pequeno mas importante instrumento abre as portas necessárias para vermos e ouvirmos o que se pode passar aqui. O gimbri é uma das peças fundamentais para o groove que alimenta as cerimónias ritualísticas gnawa da África ocidental, e Joshua Abrams, baixista importante da vida musical de Chicago desde os anos 1990, traz todo este misticismo circular para as suas composições e improvisações. É algures entre o jazz e uma demoníaca dança ancestral que Natural Information Society estabelece os seus fundamentos, como se unisse diversos discursos da música ocidental dentro da pulsação hipnótica e essencial de África. E, no entanto, Joshua Abrams fá-lo sem qualquer sentimento world ― um aparente paradoxo que só se desfaz quando se ouve e experimenta a sua música. Simultonality, o álbum que agora é editado, tem obrigado muitos críticos a cruzar referências, entre Terry Riley ou Alice Coltrane, provando que estas novas ideias assentam em nomes importantes, sim, mas também eles aventureiros deste mundo – físico e espiritual. E como qualquer sociedade, aberta aos seus membros, permanentemente convidando participantes. “Muito é sobre como ouvir, numa estrutura que aceita muita improvisação mas também improvisação muito específica, em vez de improvisação livre”, dizia Joshua ao website St. Louis Mag. É por isso que os Natural Information são uma sociedade aberta, integrando músicos diversos, de escolas diversas, para participarem nestes rituais. Norberto Lobo e Yaw Tembe não são estranhos à doutrina de Joshua Abrams e por isso, em Lisboa, estes dois músicos que tanta experiência e mundo possuem, serão os dois representantes da nossa cena local, também ela permeável a tantas experiências. “Sendo ocidental não temos a noção exata de como a nossa música afeta as pessoas”, diz Joshua Abrams ao website Music Works, “mas nós tentamos criar um espaço de desaceleração e fluidez que funcione como contrabalanço para o ritmo e o grau de atenção reduzida que a sociedade contemporânea tecnológica nos dá”. Hoje, procurando a transcendência, estamos convidados a viajar sem tempo por esse espaço.
Sinopse
Em 2010, Natural Information parecia ser apenas um pequeno desvio, uma brilhante ideia em complemento a uma sólida carreira de 15 anos dentro da cena jazz e rock alternativo de Chicago. No centro da sua música, um gimbri (instrumento de cordas da tribo Gnawa em África) parecia chamar Joshua Abrams para uma convocatória universal e expansionista. E congregadora, até: Abrams formalizaria a Sociedade e ficava com a mais importante entrada da sua biografia musical. Premiado pelo pódio da Pitchfork e The Wireem 2015, Magnetoception testemunha o culminar de uma belíssima viagem que procurou uma serenidade quarto-mundista tal como Jon Hassell um dia sonhou e praticou. De novo, a velha questão: música do mundo? A velha resposta: o mundo na música. Música nova, de certeza, com toda uma história ancestral trazida pelo gimbri, um instrumento usado pelo povo Gnawa nas suas cerimónias curandeiras. Música nova, obviamente, embora repleta de suor ritualístico e psicadelismo sobrenatural. Simultonality, o quarto capítulo, prossegue a demanda e intensifica o chamamento do nosso corpo para uma dança extática sem fim, vibrante e enlevada, como um tornado da África quente que nos engole de prazer. Nesta noite, também Norberto Lobo e Yaw Tembe, outros dois solidários viajantes deste mundo, serão admitidos pela sociedade, fortalecendo uma aliança feita de poderes especiais.