Sketches of the Mediterranean: Celebrating Gil Evans
Sinopse
É recorrente encontrar referências a Jon Hassell que o colocam lado a lado com Miles Davis no jazz da década de 1970. Os puristas talvez considerem esta ideia uma intromissão num género tão aberto a iconoclastas, mas, no seu tempo, tanto On The Corner de Davis (1972), como Vernal Equinox (1977), a estreia de Hassell, foram rejeitados pela crítica e pela comunidade jazzística. O tempo tratou de emendar as atas e hoje são ambas obras reconhecidas que inauguraram novos caminhos para a música que se lhe seguiu ― a primeira abriu o jazz ao funk, a segunda trouxe o resto do mundo para o jazz. A fase elétrica ou fusionista de Miles nos anos 1970, bem como a visão sonora do produtor Teo Macero, foram cruciais para a definição de algumas das estratégias musicais de Jon Hassell que duram até hoje.
Com a homenagem a Gil Evans neste novo trabalho, a aproximação de Hassell a Miles Davis é ainda mais evidente. A ligação entre Evans e Davis começou com o célebre Birth Of Cool em 1949, mas seria entre 1957 e 68 que juntos comporiam quatro obras centrais do jazz orquestral, entre elas a incontornável Sketches of Spain, na qual Sketches of the Mediterranean se inspira diretamente. Contudo, o título deste novo trabalho reflete também o local onde Jon Hassell iria estrear a peça em agosto de 2012. A pequena cidade de Roccella, no extremo sul de Itália, em pleno Mediterrâneo, ilustra na perfeição uma certa indefinição geográfica que tanto apraz ao trompetista norte-americano. É nesta cidade que encosta a Europa a África, que Hassell imaginou a música de Gil Evans, como se existisse dentro de um sonho de Miles Davis, miscigenada, luxuriante e sensual. Depois do ambientalismo polimórfico da sua primeira vinda ao Teatro Maria Matos em 2009, Jon Hassell revisita-nos num momento de soberba inspiração e celebração jazz.