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As Cidades Invisíveis. Um Certo Número de Objetos Desloca-se num Certo Espaço Alex Cassal Informações sobre o Evento
13 → 14 Fev 2016
Datas e Horários
Sábado e Domingo: 16H30
Preço
adolescente: 3€ / adulto: 7€
Duração
60 min
Classificação
M/14
Local
Sala Principal com bancada
Crianças & Jovens · Famílias encomenda mm . estreia / +13

As Cidades Invisíveis. Um Certo Número de Objetos Desloca-se num Certo Espaço
Alex Cassal

Bios

Bios

Alex CASSAL

Nasceu em Porto Alegre, Brasil, em 1967. Encenador, dramaturgo e ator, licenciado em História. Faz parte do grupo brasileiro Foguetes Maravilha, responsável por espetáculos como Ele precisa começar e Ninguém falou que seria fácil. Tem colaborado com artistas das artes cénicas como Enrique Diaz, Dani Lima, Paula Diogo, Cláudia Gaiolas, Michelle Moura e Gustavo Ciríaco. Com Tiago Rodrigues, do grupo Mundo Perfeito, participou nos projetos Estúdios, Hotel Lutécia e Mundo Maravilha. O seu vídeo Jornada ao umbigo do mundo já foi exibido em países como Argentina, México, Cuba, Itália, Espanha, Alemanha, Grécia, Croácia, China e Japão. Em 2012, escreveu o texto Septeto Fatal para o Festival PANOS da Culturgest. Em 2016 encenou no Teatro Maria Matos o espetáculo As cidades invisíveis (apresentado também no Brasil, Argentina e Chile). Em 2017, escreveu e encenou o espetáculo Tiranossauro Rex para o Teatro Nacional D. Maria II e prepara Ex-Zombies: uma conferência para a temporada 2018 do mesmo teatro. Vive em Lisboa.

www.alexcassal.blogspot.com

 

Alfredo MARTINS

Licenciado em teatro pela Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo do Porto. Frequentou, ainda, o Dartington College of Arts (UK) e o Centre de Développement Choréographique de Toulouse (FR). Participou de estágios e cursos com companhias como Third Angel (UK), Gob Squad (DE) e Reality Research Center (FIN), com quem desenvolveu o projeto URBANIA. Em 2010, foi selecionado para a XIX Edição de La Nouvelle École des Maîtres – curso internacional itinerante de aperfeiçoamento teatral. É cofundador e artista associado do teatro meia volta e depois à esquerda quando eu disser, para o qual dirigiu os espetáculos Nacional-Material, Paisagem com Argonautas, OZZZZZ e Días Hábiles, entre outros.

 

Paula DIOGO

Bacharelato pela ESTC em Lisboa. Frequentou o curso de Línguas e Literaturas Modernas – variante Português e Espanhol da FLUCL. Foi cofundadora do Teatro Praga, da TRUTA e da produtora O Pato Profissional Lda, na qual trabalhou como criadora e coordenadora de produção, cruzando várias competências. Em 2004, foi distinguida pelo CPAI com o Prémio Teatro na Década — Melhor atriz pelo espectáculo Private Lives, do Teatro Praga. Em 2006, foi bolseira do CNC acompanhando os Gob Squad (UK/DE) em Berlim. Em 2007, frequentou o Curso de Encenação do Programa CCA da Fundação Calouste Gulbenkian com os ingleses Third Angel. Em 2009, começou com um grupo informal de artistas a desenvolver a Má-Criação, uma label dedicada a projetos colaborativos de performance e teatro. Em 2010, foi encenadora residente no NTN em Nápoles, Itália, dirigido por Antonio Latella. Colabora atualmente com diversos criadores e companhias em Portugal, Brasil, França e Itália.

 

Rafaela JACINTO

Licenciada em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema em 2012 com o espetáculo Tornados, de Alex Cassal e Felipe Rocha. Em 2016, trabalhou como assistente nas performances A Hundred Wars To World Peace de Christophe Meierhans e Worktable de Kate McIntosh. Em 2017, foi atriz nos espetáculos Despertar da Primavera, uma tragédia de juventude do Teatro Praga; We’re Gonna Be Alright do Teatro Cão Solteiro & André Godinho e Ad Bestias – Manual de Decoração para Sobreviventes de criação individual. Atualmente é professora de música do ensino básico, trabalha como atriz e assistente de realização com os realizadores Joaquim Pinto e Nuno Leonel e é aluna de pós-graduação em Cinema Documental pela Kino-Doc.

Folha de Sala

Folha de Sala

Começar um projeto é um pouco como começar uma viagem. Escolhemos um objetivo e preparamo-nos para chegar até ele – consultamos mapas e itinerários, pedimos conselhos a quem já lá foi, fazemos planos e malas, agarramos em agasalhos e em livros para ler durante a viagem, e aparecemos na hora marcada no aeroporto ou na estação de comboios ou no cais ou na beira da estrada, confiando que tudo vai correr como o esperado e vamos chegar ao objetivo. Um objetivo imaginado, claro; quando de facto chegamos lá, é tudo muito diferente.

Eu gosto de viajar e gosto de criar espetáculos que tratem, de alguma forma, de viagens. Mais do que o lugar de chegada, interesso-me pelo trânsito e pelo meio do caminho. Quando penso nestas cidades invisíveis descritas por Italo Calvino, gosto de pensá-las como lugares que continuarão como uma miragem ou um oásis no horizonte, que nos faz caminhar até um pouco mais longe, um pouco mais longe.

Também gosto de pensar que uma das coisas que fazemos durante as longas viagens é inventar conversas e jogos para passar o tempo. Fazer um espetáculo teatral trata-se um pouco disso, fazer conversas e jogos. E nesse caso também é instigante que Calvino parta de diálogos imaginários entre Marco Polo e Kublai Khan e que um dos seus modelos também seja uma conversa para passar o tempo (e adiar a morte). As Mil e Uma Noites foi a primeira imagem que me ocupou, quando comecei a pensar neste projeto: um pequeno grupo de pessoas à deriva, a conversar sobre os lugares de onde vieram e imaginando os lugares para onde vão.

Alex Cassal

 

“Não há linguagem sem engano”

Italo Calvino, escritor

 

“A cidade é uma memória organizada”

Hannah Arendt, filósofa

 

“Nas primeiras horas de 27 de julho, um dia sem nuvens, dois minúsculos barcos de pesca flutuavam à deriva no Mediterrâneo. Apinhados a bordo estavam 733 aspirantes a migrantes. A maioria vinha da Eritreia, nação empobrecida e despoticamente governada do noroeste africano. Transportavam consigo apenas biscoitos e algumas garrafas de água de plástico, e poucos sabiam nadar. Ninguém tinha colete salva-vidas.”

Scott Anderson, jornalista (The New York Times Magazine).

 

“Eu não sou da sua rua / Não sou o seu vizinho / Eu moro muito longe, sozinho / Eu não sou da sua rua / Eu não falo a sua língua / Minha vida é diferente da sua / Estou aqui de passagem / Esse mundo não é meu / Esse mundo não é seu”

Arnaldo Antunes, músico

 

AS 55 CIDADES INVISÍVEIS DE ITALO CALVINO:

1 terraço + 1 voz de mulher que grita “uh!” = DIOMIRA

1 escada de caracol + 6 óculos + 6 violinos + 1 luta de galo = ISIDORA

4 torres + 7 portas + 300 casas + 700 chaminés + 7 bergamotas = DOROTEIA

1 usurpador enforcado + 1 goteira + 1 gato + 1 navio bombardeiro + 3 velhos sentados no cais a remendar redes = ZAIRA

5 canais concêntricos + 1 faisão dourado + 1 jardim com piscina = ANASTÁSIA

1 tenaz + 1 garrafa + 1 alabarda + 1 balança romana = TAMARA

9 esguichos + 1 torre de vidro do astrónomo + 1 estátua do eremita e do leão = ZORA

1 navio + 1 camelo x 2 maneiras de chegar = DESPINA

1 negro cego + 1 louco + 1 rapariga + 1 puma = ZIRMA

1000 poços = ISAURA

5 velhos postais ilustrados + 1 galinha + 2 meninas de sombrinha branca = MAURÍLIA

1 palácio de metal / 55 salas x 55 esferas de vidro = FEDORA

2 pirâmides / 1 leproso + 1 odalisca = ZOÉ

4 palafitas + 1 casa de bambu e zinco = ZENÓBIA

1 lobo + 1 irmã + 1 tesouro escondido + 1 batalha + 1 amante = EUFÉMIA

6 dias + 7 noites + 12 homens + 1 mulher que foge = ZOBAIDA

1 jardim de magnólias + 3 belas damas / 6 caranguejos + 9 suicidas = HIPÁCIA

1 cano + 1 torneira + 1 duche + 1 válvula + 1 ninfa + 1 nereida = ARMILLA

1 gigante tatuado + 1 homem novo de cabelos brancos + 1 anã + 2 gémeas = CLOÉ

1 lago / 2 cidades = VALDRADA

1 girândola + 1 pavão branco – 1 nuvem de fuligem – 15 peões esmagados = OLÍVIA

1 carrossel + 1 circo + 1 banco + 1 matadouro = SOFRÓNIA

1 cidade cheia x N cidades vazias = EUTRÓPIA

1 sacada + 1 tripa de peixe = ZEMRUDE

24 virtudes proverbiais = AGLAURA

2 montanhas + 1 escada de corda + 1 cama de rede + 1 tenda suspensa = OCTÁVIA

X fios emaranhados = X relações entre os habitantes = ERSÍLIA

9 escadotes = BAUCI

2 espécies de deuses = LEANDRA

1 soldado fanfarrão + 1 jovem perdulário + 1 meretriz = 1 pai avaro + 1 filha apaixonada + 1 servo palerma = MELÁNIA

27 canais + 27 ruas = ESMERALDINA

1 alcaparra + 3 rainhas + 1 cúpula em cebola + 3 cebolinhas = FILIAS

1 golfo > 1 praça profunda > 1 poço = PIRRA

1 vendedeira de hortaliças = 1 rapariga que se matara = 1 avó = ADELMA

1 tapete = EUDÓXIA

1 candelabro em forma de medusa = MORIANA

1 certo número de objetos x 1 certo espaço = CLARICE

1 mortos + 1 vivo = EUSÁPIA

1 cidade de ouro maciço + 1 cidade de ligaduras velhas = BERSABEIA

1 saco plástico + 1 varredor + 1 camião de lixo + 1 monturo = LEÓNIA

1 festa + 1 guerra civil = IRENE

terra – ar = ÁRGIA

1 tapume de madeira + 1 andaime + 1 cavalete + 1 escadote = TECLA

1 aeroporto = outro aeroporto = TRUDE

1 alfinete < 1 quiosque < ½ limão < campo com cavalos < prato de sopa = OLINDA

1 morto + 1 vivo + 1 não-nascido = LAUDOMIA

1 corcunda + 1 mulher de barba + 1 bebé de 3 cabeças = PERÍNCIA

26 rostos sorridentes(26) = PROCÓPIA

1 martelada + 1 briga + 1 criança que ri + 1 taberneira contente = RAISSA

1 carta celeste = ANDRIA

1 pastor + 21 cabras famintas = CECÍLIA

1 rato + 1 andorinha = MAROZIA

1 oficina + 1 armazém + 1 cemitério + 1 feira = PENTESILEIA

1 aranha – 1 barata – 1 mosca + 1 harpia + 1 unicórnio + 1 basilisco = TEODORA

1 justo + 1 injusto = BERENICE

 

A diz que B é um Cavaleiro. Se A diz a verdade, B também teria que dizer a verdade e ambos seriam Cavaleiros. Mas B diz que ambos vieram de cidades diferentes. Logo, A está a mentir e consequentemente B também. A e B são Trapaceiros.

13 → 14 Fev 2016
Datas e Horários
Sábado e Domingo: 16H30
Preço
adolescente: 3€ / adulto: 7€
Duração
60 min
Classificação
M/14
Local
Sala Principal com bancada

Sinopse

Três viajantes flutuam no meio do Mediterrâneo. Enquanto se deixam levar pelas correntes rumo a um destino que ainda não conhecem, relembram os nomes das 55 cidades descritas por Italo Calvino no seu livro As Cidades Invisíveis. São cidades com nomes de mulheres, como se as cidades também fossem pessoas. Pessoas que são atraentes ou estranhas, velhas ou recém-nascidas, tranquilas ou furiosas. Pessoas que têm desejos, memórias, falas. No livro de Calvino, as cidades são protagonistas de histórias em que se confundem regiões reais e inventadas, ligadas por caminhos onde o trânsito é livre. Mas para os viajantes à deriva que fazem a cartografia imaginária de cidades improváveis que talvez nunca venham a conhecer, é preciso antes ultrapassar fronteiras – essas linhas que unem mas que também separam territórios, pessoas e culturas.

 

 

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Material Gráfico Cartaz Alex Cassal 11 Fev 2016

Ficha Artística

dramaturgia e encenação:
Alex Cassal
(a partir do livro As Cidades Invisíveis de Italo Calvino, traduzido por José Colaço Barreiros e editado pela D. Quixote)

criadores-intérpretes:
Alfredo Martins, Paula Diogo, Rafaela Jacinto

pesquisa:
Joana Frazão

iluminação:
Daniel Worm d’Assumpção

 

coprodução:
Má-Criação, Maria Matos Teatro Municipal e Cine-Teatro Louletano

imagem:
Holland Island pelo user do Flickr baldeaglebluff

fotos:
Luís Martins

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