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roger-bernat-pediente-de-voto
Pendiente de Voto – Sujeito a voto Roger Bernat Informações sobre o Evento
24 Abr 2018
Datas e Horários
terça → 15h30
Preço
aluno em contexto escolar: 3€ / professor acompanhante não paga
Para marcações contacte diretamente Rita Rodrigues escolas@arquivoteatromariamatos.pt 
91 910 518 155
Duração
2h10
Classificação
M/12
Local
Sala Principal com bancada
Informação Adicional

Em Português

Este espetáculo tem sessões para famílias. Consulte o separador Famílias.

Crianças & Jovens · Escolas

A partir do 10ºano

Pendiente de Voto – Sujeito a voto
Roger Bernat

Notas do dramaturgo Roberto Fratini

Notas do dramaturgo Roberto Fratini

Parlamento significa “o lugar onde se fala”. Nesta tagarelice feita lugar, há espaço atualmente para toda a fenomenologia do falar: conversação, cochicho, confidência, discussão em altos berros, vitupério, debate cultural, lição, admonição. Coromonodiálogo. Cores, fações de linguagem. A este contínuo chilreio, que se propaga por todos os interstícios do “lugar onde se fala”, se deve o feito de, no dia de hoje, o debate parlamentar se ter tornado em grande medida uma ficção, um interface mediático de manipulações mais ou menos apaixonadas que têm lugar, todas elas, na calma estratégica dos despachos, dos gabinetes, das comissões e das sedes dos partidos.

A mesmíssima pomposidade da forma, tão semelhante à dos teatros antigos, com a sua área concêntrica e em fundo a parede lisa lembrando as decorações daqueles teatros (a fachada do palácio real, sede de todo o heroísmo, de todo absolutismo), diz muito desta ficção, assinada por todos os deputados, governadores, gestores e funcionários públicos que ali “representam” o coletivo, mas que são convocados a ser mais espectadores do que atores desta complicadíssima intriga palaciana.

Agora mesmo, como sucede um pouco no mundo do teatro de imersão, as carências dramáticas dos intérpretes não são colocadas em evidência desde que estes se limitem a desempenhar o seu papel de espectadores. Já o deputado, pelo contrário, é o modelo do espectador emancipado (entra, sai, comenta, fala, ri-se, aplaude, importando-se pouco ou nada com tudo ou, nalguns casos, tentando ser o melhor dos chefes de claque). As carências começam quando o deputado-espectador aproveita a efémera ocasião para fingir-se ator no dromon, no conflito da política parlamentária: a ficção é geralmente pouco credível, escrita de forma desafortunada e bastante mal interpretada; o monólogo não convence mais do que aqueles cujo papel prescrito é o de estar convencidos, como espectadores que são. Deste modo, e em última análise, o parlamento atual realiza em termos literais a metáfora espacial do fórum romano e da câmara: o vazio da arquitetura urbanística feita para lavar a roupa suja da república. Um lavadouro, com a cidade em redor. Um beco, com o palácio em seu redor. Enchê-lo com algo tragicamente eficaz tornou-se cada vez mais improvável.

O “lugar onde se fala” deveria ser o lugar de “tomar a palavra”. Tomar a palavra do mesmo modo que se conquista a cidade, como diz Hillman, “a política é a perseguição da guerra com outros meios”; tomar a palavra do mesmo modo que se conquista a mente do adversário, como defendeu Arendt quando escreveu que a essência da política é a capacidade de mudar o curso dos acontecimentos através do discurso, e sim, originalmente, a política baseava-se no prestígio de poder ter a palavra. De certo modo, a política apenas era verdadeira exclusivamente quando os políticos se preparavam como verdadeiros atores. E voltou a ser falsa no momento me que, com presumível verdade e sinceridade democrática do drama como cúmplice, os políticos começaram a comportar-se como falsos espectadores e como atores aficionados. Além disso, como não ser disléxico quando os agentes externos são tão ridiculamente disparatados a respeito da miséria que é o parlamento atual? Sobretudo, porque sonhar que o espetáculo interior é verdadeiro (ou verdadeiramente falso), sonhar que a ficção é eficaz o bastante para transformar a verdade das coisas, quando as coisas, fora dali, perderam toda a verdade, quando o statu quo está dando a si mesmo, sem exceções, o seu próprio espetáculo?

Na política atual, a função da palavra parece ser a de não convencer ninguém enquanto as coisas vão sendo mudadas, na retaguarda, por poderes invisíveis. Mas vejamos o que realmente sucede: perante a falta de poder efetivo, o papel da palavra volta a ser originalmente político, volta a ser o de convencer alguém que escuta. Talvez a “última paragem” da política verdadeira se encontre nessa ausência total de poder prático. Pendiente de Voto pretende ser essa “última paragem”. Não a versão falsificada de um debate parlamentar verdadeiro, mas sim a versão verdadeira do falso debate vigente. Não a ficção da política, mas sim a política da ficção: políticos verdadeiros contra os verdadeiros políticos ou política verdadeira contra toda a forma de realpolitik.

Teatro de imersão? Pois sim, mas então que seja teatro de emersão.

De todas as coisas que podem sair de um buraco, a palavra e os recém-nascidos (não necessariamente nesta ordem) são, todavia, a melhor opção.

 

Roberto Fratini, Dramaturgo e Professor de Teoria da Dança (Institut del Teatre de Barcelona)

24 Abr 2018
Datas e Horários
terça → 15h30
Preço
aluno em contexto escolar: 3€ / professor acompanhante não paga
Para marcações contacte diretamente Rita Rodrigues escolas@arquivoteatromariamatos.pt 
91 910 518 155
Duração
2h10
Classificação
M/12
Local
Sala Principal com bancada
Informação Adicional

Em Português

Este espetáculo tem sessões para famílias. Consulte o separador Famílias.

Sinopse

“Interatividade no teatro não é necessariamente um método cruel para constranger espectadores desavisados. Há poucos exemplos para provar essa afirmação. Mas este, o espetáculo Pendente de Voto, do espanhol Roger Bernat, se destaca por criar um sistema que compreende a participação da plateia como seu ponto-chave.”

Folha de Sao Paulo (2014)

 

No seu regresso ao Teatro Maria Matos, o criador catalão Roger Bernat volta a transformar o público no protagonista do seu espetáculo. Em Pendiente de Voto, o espaço do Teatro assemelha-se a uma assembleia, onde cada membro do público é convidado a votar através de controlo remoto sobre todo o tipo de temas, da atualidade política à sua canção preferida.

 

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Ficha Artística

criação e encenação:
Roger Bernat

assessoria de conteúdos:
Óscar Abril, Sonia Andolz Dispositivos Pablo Argüello, David Galligani

visualização de dados:
Mar Canet

desenho de som:
Juan Cristobal Saavedra

seleção musical:
David Cauquill, Juan Cristobal Saavedra

efeitos especiais:
Cube.bz

produção:
Helena Febrés Fraylich

dramaturgia:
Roberto Fratini

desenho gráfico de cena:
Marie‐Klara González

programação e análise de dados:
Chris Hager, Jaume Nualart

 

Desenho de Luz
Ana Rovira

Ajudante de Direção e Direção Técnica
Txalo Toloza

Versão de People Have the Power
PatchWorks

Coprodução
Centro Dramático Nacional, Teatre Lliure, Elèctrica Produccions

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