Alejandro Reig, Elisa Loncon Antileo e Luisa Elvira Belaunde
UtopiasQuestões Indígenas: Ecologia, Terra e Saberes Ameríndios
Bios
Alejandro Reig é Doutor em Antropologia Social e Mestre em Filosofia pela Universidade de Oxford, e licenciado em Filosofia pela Universidade Central da Venezuela. A sua investigação centra-se nas relações entre sociedade e ambiente, a partir das perspetivas da Antropologia Social, da Geografia Humana e da Antropologia da Saúde. É investigador associado na Escola de Antropologia da Universidade de Oxford e tem desenvolvido investigação na Amazónia Venezuelana desde o início da década de 90, envolvido com diversas instituições Venezuelanas, entre elas, o Museu Nacional da Ciência, o Centro para Investigação da Saúde da Amazónia Tropical – CAICET e a Fundação La Salle de Ciencias Naturales, na qual dirigiu Museu das Interações Natureza-Sociedade. Para além da produção científica, a sua experiencia na disseminação pública do conhecimento ajudou-o a facilitar o diálogo entre comunidades académicas, grupos socialmente desfavorecidos e agências estatais. Este trabalho incluiu a edição no campo da linguagem indígena destinada a escolas e audiências académicas, livros e artigos de popularização científica, exposições científicas, filmes documentais e projetos educativos ligados à conservação de comunidades.
Elisa Loncon Antileo nasceu em Nahuelván, comunidade mapuche de Traiguén, Província de Malleco, IXa Região da Araucanía do Chile, em 1963. É bilingue de nascença nas línguas de mapudungun e castelhano. É professora de Estado, menção em Inglés pela Universidade da Fronteira de Temuco (1986), Mestre em Linguística da Universidade Autónoma Metropolitana do México (2006) e candidata a Doutora em Linguística na Universidade de Leiden, Holanda. É académica na Universidade de Santiago do Chile e professora de língua e cultura mapuche na Pontificia Universidade Católica do Chile, Dirige a Rede pelos Direitos Educativos e Linguísticos dos Povos Indígenas do Chile, uma organização social indígena. Desenvolveu numerosos projetos de investigação académica no âmbito das línguas e culturas originárias e da educação intercultural bilingue no Chile e no México. É autora de vários artigos e livros, entre estes, Morfología y Aspectos del Mapudungun, UAM, 2011 e Crear Nuevas Palabras, 2000.
Luisa Elvira Belaunde, nascida em Lima, Peru, é doutora em Antropologia pela Universidade de Londres e professora no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É especialista em povos indígenas e tem extensa experiência como docente e assessora de projetos de desenvolvimento e educacionais. A sua tese (1992) dedicada ao estudo das práticas do viver bem indígenas foi publicada no livro Viviendo Bien: Gênero e fertilidad entre los Airo Pai de La Amazonía peruana (Lima: CAAAP, 2001). As suas publicações também incluem El Recuerdo de Luna: Gênero, sangre e memória entre los pueblos amazônicos (Lima: CAAAP, 2008) e kené: arte, ciência y tradición en diseño (Lima: Ministério de Cultura, 2009), que investigam as relações entre corporalidade, socialidade, arte e cosmologia entre os povos da Amazônia.
Sinopse
Nas sociedades ameríndias,a Terra é sujeito de múltiplas vivências. Esta conferência aborda as dimensões ligadas às configurações do espaço/território/ambiente e as que associam a vivência da terra à língua que viabiliza a comunicação entre as múltiplas entidades que a formam. Para os Yanomami, fazer paisagem, fazer sítio e fazer gente são dinâmicas interligadas que implicam uma coincidência entre o modelo cultural do ambiente e a convivência próxima, afetiva e quotidiana entre pessoas. Se esse é o questionamento que nos será trazido a debate por Alejandro Reig, já entre muitos dos povos ameríndios que vivem nas margens do rio Ucayali, no Peru, o rio ganha proeminência na reflexão sobre a terra. Luisa Elvira Belaunde mostrar-nos-á como o rio que transportou os toros de madeira e a borracha durante a história colonial violenta se transformou no espaço de criação dos seres humanos.
Em contraste com a vivência-terra criadora de gente, a vivência-língua criadora de terra será aqui discutida por Elisa Loncon Antileo a propósito dos Mapuche, do Chile. Sustentando-se numa cosmogonia geocêntrica em que a Terra é vista como mãe e aqueles que a habitam como seus irmãos, o papel da língua Mapuche ― a “língua da Terra” ― como comunicante da diversidade de elementos será aqui sublinhado. Se a fala com os ventos, os rios e as montanhas ocorre por meio de uma língua, perder a língua significa não só perder a comunicação entre os seres humanos, mas também perder as mensagens do canto dos pássaros, do amanhecer, do mar, do vento, das estrelas.




