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Biblioteca Humana Informações sobre o Evento
24 Set 2017
Datas e Horários
domingo → 15h30 às 17h30
Preço
Entrada livre (sujeita à lotação) mediante levantamento de bilhete a partir das 15h no próprio dia
última sessão às 17h30
Local
Teatro Maria Matos
Performance

Biblioteca Humana

Os Dias de Marvila
Catálogo dos livros disponíveis

Catálogo dos livros disponíveis

LIVRO N.º 1

TÍTULO: ESCRITO NA PELE

Ricardo Morais, 27 anos, tatuador desde 2008. Durante a sua juventude desempenhou várias funções: pintor de automóveis, lojista e, mais tarde, body piercer. Desde os 15 anos que usa tatuagens criadas por tatuadores de estilos diversos. Desde 2014, é proprietário de uma loja de tatuagem e body-piercing no Centro Comercial da Bela Vista, em Marvila. A atribuição do 1.º Prémio na Convenção Nacional de Tatuagens a um dos seus formandos é um dos acontecimentos mais marcantes da vida profissional de Ricardo Morais. Mais do que uma profissão, para Ricardo Morais, a tatuagem representa, sobretudo, emoções.

LIVRO N.º 2

TÍTULO: O PODER DA PALAVRA

Nour Machlah estudava Arquitectura, em Alepo, antes da guerra na Síria começar. Após a eclosão do conflito (Nour tinha à data 20 anos), teve de fugir para o Líbano e mais tarde para a Turquia. No seguimento da atribuição de uma bolsa de estudo, Nour veio para Portugal, para estudar arquitectura. Presentemente, encontra-se a trabalhar na Rede Erasmus, em Évora, contribuindo para a integração de estudantes de várias proveniências em Portugal. Participou, na qualidade de orador, no “Europe Youth Event”, a 20 e 21 de Maio, no Parlamento Europeu, um evento que juntou cerca de 7500 jovens, de 39 países, em torno da discussão sobre as questões das migrações, alterações climáticas e desemprego. Aí, teve oportunidade de proferir um discurso, que veio, depois, a tornar-se viral, relativo à condição dos refugiados, designadamente sírios, bem como de todas as pessoas forçadas a abandonar o seu país, por motivos alheios à sua vontade. Considerando injusto que as pessoas sejam discriminadas como resultado da sua nacionalidade, crença ou instrução, Nour apela a um maior espírito de solidariedade por parte dos países europeus, fazendo um apelo ao fim da guerra na Síria e em todos os outros cenários de conflito armado. Ao longo da sua estada em Portugal, Nour tem vindo a ser convidado a falar sobre a realidade da Síria e a condição dos refugiados, em diversas conferências. Entrevistado, em diversas ocasiões, pelos órgãos de comunicação social portugueses, Nour afirmou a sua satisfação por ter sido bem acolhido em Portugal.

LIVRO N.º 3

TÍTULO: A VIDA PARA ALÉM DA ANSIEDADE

Ricardo Pires, com vinte anos de idade, foi fundador de uma empresa de videojogos, a Prime Makers, da qual é CEO. Atraído por múltiplas áreas de interesse, tem-se dedicado a uma busca incessante por todo o tipo de conhecimento. Desde muito cedo, começou a revelar a sua faceta de sobredotado. Aos 10 anos começou a programar, e aos 12 já trabalhava para empresas estrangeiras de videojogos. Esta sua apetência pelos estudos, e os níveis de conhecimento atingidos, resultaram, não em vantagens imediatas, mas em situações de bullying, perseguição e de incompreensão contínuas. Hoje, descreve-se como uma pessoa realizada, dedicada à sua empresa, e a melhorar a vida de quem o rodeia, tendo- se dedicado, inclusivamente, a programas de voluntariado. Anos de perseguições, deixaram a sua marca, mas contribuíram para tornar Ricardo numa pessoa mais resiliente e, sobretudo, mais sensível ao sofrimento dos outros. Durante anos, sofreu de ansiedade extrema. Esta cobrou um preço elevado, em termos da sua vida social, mas também da sua saúde física. Contudo, com o tempo, aprendeu a controlá-la. Só recentemente conseguiu começar a falar de algumas experiências por que passou, fazendo-o com o propósito de ajudar outras pessoas a ultrapassar momentos de maior sofrimento nas suas vidas.

LIVRO N.º 4

TÍTULO: POR UMA VIDA DESCONSTRUÍDA

Daniela Filipe Bento é engenheira de software, estudante de astrofísica e voluntária na área dos direitos humanos, nomeadamente, na área LGBT. Assume-se enquanto mulher trans, não binária, pansexual e anarquista relacional. Natural da Lapa (Ribatejo), uma pequena aldeia de um meio conservador. A sua descoberta identitária começou com a sua chegada a Lisboa por motivos escolares. Desde os seus 18 anos, foi procurando redefinições da sua identidade até sentir que estaria a defender as suas causas concretas. Faz, nesse sentido, ativismo na área LGBT, sendo parte integrante da actual direcção da ILGA Portugal e coordenadora do GRIT (Grupo de Reflexão e Intervenção Trans) da mesma associação. Numa mistura de realidades e interseccionalidades, procura, continuamente, um mundo mais justo para todas as pessoas. No seu entender, a realidade atual é ainda muito dura para quem tem identidades não normativas, o que conduz a um clima de medo e de discriminação que condiciona enormemente a vida destas pessoas.  

LIVRO N.º 5

TÍTULO: LUTAR E VIVER

Amadeu da Silva, 34 anos, natural da Guiné Bissau. Presentemente encontra-se a concluir o Mestrado de Sociologia do Trabalho e das Organizações, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Chegou a Portugal em Novembro de 2013 com o propósito de ingressar no curso de Gestão de Recursos Humanos na Escola TECLA Lisboa – Formação Profissional. Quando questionado sobre se alguma vez foi alvo de discriminação, Amadeu refere várias situações ao longo da sua vida entendendo, contudo, que as relações entre as pessoas devem acontecer naturalmente, devendo o espaço íntimo de cada um ser respeitado. Amadeu considera que não nos devemos deixar afectar excessivamente por fenómenos pontuais de discriminação, sendo importante, na sua opinião, não perder o foco daquilo que é verdadeiramente importante para a vida de cada um. Manter uma atitude positiva e resiliente face à vida e aos outros foi, desde sempre, a forma encontrada por Amadeu para ultrapassar os obstáculos encontrados ao longo do seu percurso.

LIVRO N.º 6

TÍTULO: A VIDA POR UMA JANELA

Pedro Henriques, 30 anos, natural de Lisboa. Concluiu o 12º ano (Curso Multimédia Nível 4). Viveu em Campolide até aos oito anos, altura em que veio viver para Marvila, local onde veio a encontrar uma realidade que condicionou negativamente a sua vida e que culminaria anos mais tarde na mudança de Pedro para outra cidade. O teatro foi o meio que encontrou para conseguir finalmente contar a sua história e poder, eventualmente, ajudar outros jovens a enfrentar situações semelhantes. A participação na mais recente criação de Rui Catalão, a peça de teatro “Assembleia” foi uma das experiências mais marcantes na vida de Pedro. Só a partir de 2007, quando saiu de Marvila, viu reunidas as condições para reinvestir em si próprio e na sua felicidade.

LIVRO N.º 7

TÍTULO: RECONSTRUIR-SE NA ESSÊNCIA

Ana Chaparreiro sempre foi uma apaixonada pelo ténis, tendo investido continuamente na formação nessa área. Trabalhou, durante vários anos, em clubes e decidiu frequentar o curso de educação física e desporto, estando, neste momento, a concluir o mestrado em treino desportivo. A descoberta da sua homossexualidade foi o resultado de um processo gradual, não isento de sofrimento pessoal, resultante quer da pressão das normas sociais dominantes, quer das suas próprias concepções pessoais a respeito destas matérias. Foi esse sofrimento que despoletou a motivação para ingressar, na ILGA, enquanto voluntária, e que a levou a contribuir para que outras pessoas não tivessem que passar pelo mesmo sofrimento. Ana Chaparreiro considera que a sociedade atual é tendencialmente mais favorável à ideia de diversidade e respeito pelas opções individuais de cada um. Atualmente é responsável pelo grupo de desporto da ILGA: o Move.

LIVRO N.º8

TÍTULO: QUILO A QUILO, OCUPO MAIS ESPAÇO

Sofia Félix, 46 anos. Nascida a 3 de Abril de 1971: 3,600 kg de espaço ocupado.

A família emagreceu-me o nome Sofia para Só. Como devia ser gordinha, leia-se fofinha, engordaram-me outra vez o nome para Sozinha. Os adultos nunca estão satisfeitos e aproveito para dizer que não gosto de diminutivos.

Infância
Grama a grama fui enchendo o meu papo, tornando-me uma criança ávida de experiências muito diversificadas. Um pouco rebelde, como boa carneira de signo. Pouco deve ter ficado por fazer (dentro dos parâmetros da minha geração pós 25 de Abril). Como sou alta, a minha sombra dava nas vistas… devem-me ter “chamado nomes bonitos” mas o meu escudo não permitia que me atingissem e nem tenho recordações ou mossas. De papinho cheio, sorria para o meu crescimento.

Adolescência
Turbilhão típico. Aumentou a ocupação do meu espaço até porque o meu corpo também, era então o de uma mulherzinha grande. Corpo imagem de marca. No meu caso, junte-se personalidade de marca. Não me lembro do meu volume ter sido impeditivo de algo, se fui alvo de preconceito, que fui certamente, a minha personalidade divertida e criativa preocupou-se com outros assuntos. Amigos, amores, viagens… Mas o meu asco a rótulos deve ter ficado desses tempos… por isso garrafas não se sintam despidas e roupas sobrevivam sem etiquetas. E adoro a palavra NÃO, e consigo-a pronunciar lindamente!

Idade adulta
O período negro. Fim de faculdade, cursos, formações e afins. Tudo na área das relações humanas, porque o que eu gosto mesmo é de pessoas. Primeiro emprego, primeiro desemprego, primeiro grande preconceito na corrida a novo emprego, desilusões, perdas…grandes perdas… muito choro!. Solução fácil e acessível: COMIDA! A minha sombra tipo iô iô aumentava ou diminuía de acordo com o bem e o mal em que a minha vida se encontrava. Houve fases em que a pessoa independente que sou se sentiu sozinha (até o diminutivo era melhor) e chocolates, bolos, gelados foram e continuam a ser os meus melhores amigos nestes momentos. A sombra foi ocupando mais espaço e incomodava os outros mais do que a mim. Será que lhes tapava o sol?

A caminho da idade maior
O período negro continua. Talvez porque quero manter esta criança comigo eternamente. Continuo a trabalhar com pessoas, crianças, jovens, adultos, idosos, todos tão diferentes. Ainda bem! SOS: As gramas e os quilos estão a interferir com a minha saúde… e finalmente me apercebo das minhas dimensões. As artroses apareceram e com elas as minhas auxiliares técnicas (canadianas) Margarida e Alzira. Tive de diminuir o ritmo e adaptar-me. Como criatividade não me falta, esqueci-me do problema e segui em frente. Relembro-me quando o meu peso incomoda os outros. Confronto-me com situações que o meu peso manda. Nunca gostei que mandassem em mim e vivo agora no pensamento “quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga”. Acho que estou a olhar para essa parte de mim a sério, pela primeira vez, nunca me identifiquei com a palavra obesidade. Está na hora de ter juízo! Pela saúde. Não pela imagem, porque eu sou assim.

Sofia Félix

 

 

24 Set 2017
Datas e Horários
domingo → 15h30 às 17h30
Preço
Entrada livre (sujeita à lotação) mediante levantamento de bilhete a partir das 15h no próprio dia
última sessão às 17h30
Local
Teatro Maria Matos

Sinopse

Numa sessão de uma biblioteca humana, em sessões de meia hora, um conjunto de pessoas com diferentes pontos de vista, valores e percursos de vida , serão os “livros” e disponibilizam-se para uma conversa com um, ou com um pequeno grupo de “leitores”. Num clima de mútua aprendizagem e num ambiente seguro, pretende-se que estas leituras contribuam para a desconstrução de estereótipos e preconceitos.

A Biblioteca Humana, enquanto estratégia de inovação social, tem como objetivo a promoção do diálogo, o respeito pelos direitos humanos e o combate ao estereótipo e assenta num processo de aprendizagem cooperativo entre “livros” e leitores.​ A ideia original foi desenvolvida por uma ONG dinamarquesa denominada Stop the violence, formada por cinco amigos, na sequência do assassinato de um amigo comum, vítima de preconceito.

Na biblioteca humana, um conjunto de pessoas com diferentes pontos de vista, valores e percursos de vida , serão os “livros”, disponibilizando-se para uma conversa de meia hora com um ou mais “leitores”. Estes “livros humanos” interagem com os seus “leitores” num clima de mútua aprendizagem, num ambiente informal .​

 

Ficha Artística

participantes:
Ricardo Morais, Ricardo Pires, Amadeu da Silva, Ana Chaparreiro, Daniela Filipe Bento, Nour Machlah, Pedro Henriques e Sofia Félix.

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