Victor Hugo Pontes
Bio
Sinopse
A partir do livro de John Berger, Why Look at Animals?, surgiram os pares, ora dicotómicos, ora complementares, sobre os quais se estrutura ZOO, nova criação de Victor Hugo Pontes: homem e animal, observador e observado, público e cena.
Berger classifica a relação ancestral entre humanos e animais como um “companheirismo silencioso”, ainda que as criaturas enjauladas em zoológicos tenham acabado por se tornar “monumentos vivos ao seu próprio desaparecimento cultural”.
Da natureza para as sociedades humanas e para o teatro: é este o fio condutor de ZOO. Quais as questões associadas a um zoológico e replicadas num espetáculo? Há um espaço de observação, um ambiente artificial/cenográfico, uma encenação, um foco de atenção e vários agentes. Exibir um produto ― cultural ou animal, a diferença importa ― tem como ponto de partida a pertinência desse mesmo produto. As pessoas interessam-se pela observação de outras pessoas, de animais, de espetáculos, do mundo a partir da sua janela ou de um palco. ZOO reflete sobre esse processo enquanto experiência estética. Berger diz que “o momento estético representa esperança”, uma espécie de chave para a ordem do mundo. O paradoxo, em ZOO, é a necessária artificialidade do mundo em questão.