Nocturnes
Sinopse
Durante a década de 80, William Basinski foi criando um acervo de incontáveis gravações experimentais, feitas sobretudo do aproveitamento de sons perdidos nas ondas-curtas ou capturados pela manipulação exemplar de fitas sonoras em loop. Após um período de algum trabalho em projetos coletivos e com figuras icónicas da cena nova-iorquina ― Antony ou Diamanda Galás, por exemplo ―, Basinski regressou, no virar do milénio, aos seus arquivos e começou um trabalho de paciente reconversão sonora assente numa exploração sensorial de composições ambientais, geralmente estruturadas em múltiplas camadas de loops minimais. Mas é apenas recentemente que o seu nome ter ganho um amplo respeito e admiração. Num primeiro momento, graças à sua participação no documentário The Life And Death Of Marina Abramovic de Bob Wilson, em 2011; depois, no ano passado, pela reedição do seu opus The Disintegration Loops (2002-2003) numa caixa faraónica e imponente, que poucos possuem, mas muitos desejam. Esta obra-prima absoluta, feita em quatro volumes, foi elaborada exclusivamente pela manipulação de fitas áudio em degradação contínua ― e quis o destino que o seu ocaso tivesse sido registado no fatídico dia do ataque às torres de Nova Iorque, ficando até aos dias de hoje como uma das mais emocionantes elegias da tragédia. Embora este seja um marco irrepetível na sua discografia, a restante obra do músico norte-americano alude com frequência a esse modo de perceção do tempo, convocando emoções e transpondo fronteiras que raramente são ultrapassadas na audição musical. Nocturnes é o primeiro álbum a solo de Basinski em 4 anos e o motivo perfeito para recebermos um dos estetas sonoros mais cativantes deste século num momento de feérica descoberta e reconhecimento.