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What The Body Does Not Remember Wim Vandekeybus Informações sobre o Evento
27 → 28 Set 2013
Datas e Horários
sexta e sábado ↣ 21h30
Preço
7,5€ a 15€
Menores 30 anos: 5€
Local
Sala Principal
Dança

What The Body Does Not Remember
Wim Vandekeybus

Bio

Bio

Wim Vandekeybus

Wim Vandekeybus nasceu em Herenthout (Bélgica), a 30 de Junho de 1963. Após concluir o secundário, mudou-se para Leuven, para estudar psicologia. Em 1985, no entanto, decidiu seguir um caminho completamente diferente e fez audições para Jan Fabre, que lhe deu um papel em The Power of Theatrical Madness. Dois anos mais tarde, fundou a Ultima Vez.

Depois de mais de 30 anos de trabalho, Wim Vandekeybus ainda procura a novidade e a inovação. “Para mim, a forma tem de ser sempre diferente,” explica. “É por isso que posso criar um espetáculo extremamente musical (nieuwZwart) e, depois, no projeto seguinte, basear um filme nas experiências de um homem (Monkey Sandwich); que posso, de seguida, criar um espetáculo para jovens de quem me distancio bastante (Radical Wrong) e, depois, mudar para uma peça da mitologia clássica (Oedipus/bêt noir) ou mesmo uma peça analítica em que a fotografia desempenha um papel fundamental (booty Looting).”

Esta variedade é possível, em parte, pela colaboração com dançarinos, artistas de circo, atores, músicos e outros artistas de uma vasta gama de disciplinas.

Em Dezembro de 2012, Vandekeybus recebeu o Prémio Keizer Karel, da Província da Flandres Oriental. Este prémio é atribuído de três em três anos a um artista como sinal do seu talento excecional no campo da arte e cultura, do seu empenho e do seu trabalho com as gerações mais novas.

Folha de Sala

Folha de Sala

Quando o corpo se assemelha a um campo de batalha

Jane Cornwell, The Australian, 7 Março 2013

 

(…)

What the Body Does Not Remember teve a sua estreia na Bélgica em 1987, na Ancienne Belgique, a sala de concertos de culto em cujo café está sentado Vandekeybus.

“Nos anos 80, eu estava obcecado com catástrofes e desastres,” afirma o homem de 50 anos, com os olhos azuis a cintilar. “Queria explorar a intensidade daqueles momentos em que não se tem escolha, como quando nos apaixonamos, ou a forma como o corpo reage uma fração de segundo antes de um acidente.”

Com a sua companhia Ultima Vez, Vandekeybus redefiniu a dança, adotando elementos de outras disciplinas – música, cinema e fotografia, escrita, circo e tecnologia, para criar quase 30 produções baseadas no movimento e numerosos filmes e vídeos.

A música atravessa a sua obra como um fio condutor. Encomendou partituras para o seu trabalho a um conjunto de compositores improváveis e a artistas rock, incluindo David Byrne e Mark Ribot. Enquanto que algumas produções foram guiadas pela música, outras dão ênfase às imagens ou ao texto. Outro tema é a mitologia clássica. “A forma tem de ser sempre diferente,” afirma. “No dia em que sentir que estou atarefado a fazer algo que já fiz, paro.”

A Ultima Vez tem, atualmente, seis espetáculos em repertório, incluindo Oedipus/bêt noir, em que um elenco de 16 pessoas reinterpreta o mito trágico, e Radical Wrong, uma fusão punk de teatro e dança baseada no tema da juventude. Depois, há booty Looting, um espetáculo que faz referência a toda a gente, da Medeia ao artista alemão Joseph Beuys, no seu exame do plágio pós-moderno.

“Começámos a criar o espetáculo pensando nesta ânsia dos dias de hoje por imagens, no que significa ser fotografado. Esta Medeia mata os filhos colocando os rostos deles contra a luz de uma fotocopiadora.”

(…)

Ambos os espetáculos estão em cartaz, aqui, em Bruxelas, abrindo e encerrando as celebrações do 25º aniversário da Ultima Vez. Esta noite, Vandekeybus interpreta uma pequena peça de dança, na Ancienne Belgique, a qual faz parte de quatro concertos noturnos com experimentadores locais com nomes como Dans Dans e The Black Heart Rebellion. “Espero que a música que estes artistas fazem inspire o meu trabalho nos próximos anos”, afirma Vandekeybus, cujos intermezzos de dança têm acompanhamento musical ao vivo do seu amigo e estrela musical belga Mauro Pawlowski. “Nos primeiros anos, não podia pagar a músicos, para tocarem ao vivo nos meus espetáculos, mas agora posso.”

 

Os primeiros anos foram duros. Mesmo quando What the Body Does Not Remember recebeu um Bessie, o prestigiante prémio nova-iorquino de dança e performance (os críticos mencionaram a “paisagem perigosa e combativa” criada pelo “confronto brutal entre movimento e música”), Vandekeybus teve de pedir dinheiro emprestado, para poder voar até aos EUA e recebê-lo.

“Ficámos a pé a noite toda, porque não podíamos pagar um hotel”, afirma o homem agora largamente reconhecido como um dos melhores coreógrafos europeus. “Depois, voámos logo de volta. Já estava tão endividado que quase fui parar à prisão.”

Sorri. Se a Ultima Vez detém agora um grande edifício, numa comuna emergente de Bruxelas, onde ensaia, que aluga a outras companhias e onde organiza atividades educativas para uma série de grupos-alvo, Vandekeybus manteve a estética rebelde de quem cresceu na era punk. “Sim, mantive”, afirma o homem que já foi pai uma vez, agradado. “Absolutamente.”

Se lhe perguntarem que artistas estão, atualmente, a desenvolver um trabalho que lhe agrada, a lista é composta por rebeldes: o provocador de palco italiano Romeo Castelluci, o coreógrafo agitador francês Maud Le Pladac e, é claro, a Ultima Vez, a companhia que ele batizou a partir da expressão espanhola, aludindo às características que viriam a ser as marcas da companhia: imediatismo e energia.

 

Vandekeybus, que ainda dança em algumas das suas produções, nunca procurou ser coreógrafo. Filho de um veterinário, cresceu na Flandres, a região flamenga da Bélgica, e estudou psicologia na universidade, antes de ser desviado pela performance. Em 1985, fez audições para o polemista Jan Fabre e conseguiu um papel de rei nu na sua produção The Power of Theatrical Madness, que participou no Festival de Adelaide, no ano seguinte. “Estava lá a Laurie Anderson e também os Fall [banda inglesa pós-punk] e lembro-me de irmos todos a uma discoteca, algures, em Adelaide”, afirma.

Ansiando por autonomia e uma direção diferente (“Com o Jan Fabre, acaba-se cada atuação com um quinto do público e o resto a fugir a gritar, no fim”), retirou-se para Madrid, durante vários meses, com um grupo de jovens dançarinos e criou a Ultima Vez. Havia quem não acreditasse que Vandekeybus pudesse ter sucesso sozinho.

Mas, então, recebeu o Bessie e, dois anos mais tarde, outro. Continuaram a acumular-se os elogios a espetáculos que foram originalmente classificados como nova vaga flamenga, juntando-os ao trabalho de inconformistas belgas como Fabre, Anne Teresa De Keersmaker e Alain Platel.

“Viemos todos de géneros diferentes e não estávamos a fazer o que era suposto fazermos”, afirma. “Não fomos institucionalizados e não seguimos quaisquer regras. Ainda tenho a liberdade de dizer que vou fazer uma peça e, simplesmente, ver o que acontece. Um tipo de uma grande companhia de ópera acabou de me pedir para fazer uma ópera, em 2015, e queria saber sobre o que seria!” Tem um ar estupefacto. “Preferia continuar a fazer filmes. Gosto do facto de um filme poder estar anos em produção.”

Tendo passado cinco anos a escrever o guião da sua longa-metragem Galloping Mind, uma coprodução anglo-húngara sobre gémeos separados e grupos de miúdos a cavalo (sem ter rigorosamente nada a ver com dança), mal pode esperar para o ir dirigir na Hungria.

Isto é, claro, depois de ter levado What the Body Does Not Remember e o seu elenco de nove pessoas a Adelaide. “Os temas do espetáculo ainda são pertinentes”, afirma. “Debruçava-me sobre coisas como a alienação urbana e a forma como a natureza é sempre indiferente à paixão humana. O drama está no movimento,” acrescenta. “Tudo isto constituiu a base da minha linguagem.”

Acabou o tempo de conversa. Vandekeybus olha para o relógio. “Agora, se me dá licença”, diz, abrindo-se num sorriso, “tenho mesmo de ir dançar.”

27 → 28 Set 2013
Datas e Horários
sexta e sábado ↣ 21h30
Preço
7,5€ a 15€
Menores 30 anos: 5€
Local
Sala Principal

Sinopse

Corria o ano de 1987 e Wim Vandekeybus surpreendia o mundo da dança estreando com a sua companhia Ultima Vez o espetáculo What the Body Does Not Remember. No ano seguinte, em Nova Iorque, o coreógrafo e os compositores Thierry de Mey e Peter Vermeersch receberam os prestigiados prémios de dança e performance Bessie e a peça consagrou-se como uma das mais influentes criações da dança contemporânea. Passados 25 anos e com um novo elenco, What the Body Does Not Remember faz uma nova digressão mundial e passa por Lisboa.
A coreografia de Vandekeybus desenrola-se num frágil equilíbrio entre a atração e a repulsa, o que por vezes resulta num confronto entre dois bailarinos, depois entre dois grupos, entre os bailarinos e a música, e sempre numa explosão de agressão, medo e perigo.
Sobre o espetáculo, Wim Vandekeybus declarou: “A intensidade dos momentos em que não se tem escolha ― quando algo toma decisões por nós, como apaixonarmo-nos, ou o segundo antes do acidente que tem de acontecer ― é importante para mim pelo seu extremismo mais do que pelos significados que lhe possamos atribuir. A decisão de usar isto como base para uma composição teatral é um desafio paradoxal, se considerarmos que um acontecimento teatral deve ser repetível e controlável. Talvez depois de tudo dito e feito, o corpo também não se lembre e tudo não passe de uma subtil ilusão de carência que ajuda a definir ou a esgotar o jogo.”

 

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Material Gráfico Cartaz Wim Vandekeybus 29 Set 2013

Ficha Artística

direção, coreografia e cenografia
Wim Vandekeybus

intérpretes
Ricardo Ambrozio, Damien Chapelle, Tanja Marín Friðjónsdóttir, Zebastián Méndez Marín, Aymara Parola, Maria Kolegova, Livia Balazova, Eddie Oroyan, Pavel Masek

música original
Thierry De Mey & Peter Vermeersch

direção de ensaios
Eduardo Torroja

estilismo
Isabelle Lhoas

assistência de estilismo
Frédérick Denis

coordenação técnica
Davy Deschepper

desenho de luz
Francis Gahide

 

operação de luz em digressão
Davy Deschepper, Karin Demedts

operação de som em digressão
Davy Deschepper, Bram Moriau, Tom Buys

produção
Ultima Vez

coprodução KVS

apoios
Charleroi Danses, Centre Chorégraphique de la Fédération Wallonie-Bruxelles

agradecimentos
Louise De Neef, Benjamin Dandoy

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