Saltar para o conteúdo principal Mapa do Website
  • Arquivo
  • Explorar
  • O Teatro
    • Missão e História
    • Redes de Programação
    • Coproduções
    • Teatro Verde
    • EGEAC
  • pt Idioma em Português
  • en Idioma em Inglês
Vashti Bunyan Heartleap Informações sobre o Evento
30 Out 2015
Datas e Horários
sexta ↣ 22h
Preço
7€ a 14€
Classificação
M/6
Local
Sala Principal
Música

Vashti Bunyan
Heartleap

Folha de Sala

Folha de Sala

No ano passado, aquando da edição de Crimson/Red, o álbum mais recente dos Prefab Sprout, Paddy McAloon voltou a receber uma dose generosa de elogios pela sua voz, sempre jovial e cristalina, como se o tempo tivesse parado e ficássemos confusos com a verdadeira data das canções. O músico inglês repete muitas vezes a explicação para este seu destino: passar ao lado de uma carreira de concertos e digressões, onde teria de cantar quase todos os dias, muitas vezes em condições pouco salubres, lhe poupou as cordas vocais e lhe deu uma espécie de garantia vitalícia para a sua voz.

E lembramo-nos de McAloon tanto quanto nos lembramos de Vashti Bunyan, pois também a cantora traçou uma inesperada tangente a uma carreira musical que fez preservar a voz de Just Another Diamond Day até aos dias de hoje. Um milagre terreno que nos faz continuar a ficar estarrecidos perante o veludo quente da voz de Vashti Bunyan, 45 anos depois de ter ficado registado pela primeira vez num LP que também serve os propósitos de uma cápsula do tempo. Uma empenhada estreia, desenhada e desejada para ser uma rampa de sucesso, que ficou arredada de louvores e vendas, empurrando a cantora para um autoimposto silêncio que duraria décadas até novas gerações e novos meios de partilha de informação a recolocarem na ribalta como uma figura ímpar da folk inglesa.

Prospect Hummer, lançado em 2005, marcaria o fim oficial desse silêncio, com os quatro Animal Collective a convocarem Bunyan para ser a voz central num pequeno mas importante EP que lhe prestaria, também, uma sentida homenagem. É nesse momento, quando toma conhecimento que músicos de Nova Iorque possuem o seu disco de estreia, que Vashti sente o pulso do seu legado, inexistente até então. Ao site inglês The Quietus revelou a importância do momento da colaboração: “consegui colocar algo de mim no projeto. Eles deixaram-me ajudar a construir as canções e isso foi ótimo. E fizeram-me perceber que era isso que queria ter feito há anos. Foram três dias – fizemos uma canção por dia. Três dias mágicos”.

Com a reedição de Just Another Diamond Day, primeiro em 2000, depois em 2004, chegaram finalmente os primeiros elogios. “Acho que comecei a ouvi-lo de modo diferente porque começaram a dizer coisas bonitas pela primeira vez”, disse ao jornal The Guardian. “Durante aqueles anos todos, sempre que pegava numa guitarra tudo me soava mal. (…) Just Another Diamond Day soava-me mal, e então voltava a arrumar a guitarra. Sempre que tentava, a guitarra parecia morta nas minhas mãos. Mas quando voltou a ganhar vida… foi uma sensação maravilhosa e fez-me compreender o quanto eu sentia a sua falta.”

Lookaftering era então o surpreendente regresso dessa figura que agora fintava o tempo. Um novo álbum, inesperado, feito como se fosse uma celebração de cristal, em que alguns nomes importantes apareciam para a vénia e para colaborarem num acontecimento. Max Richter tomou pose de grande parte do leme e Joanna Newsom, Devendra Banhart ou o grande Robert Kirby apareceram em estúdio para ajudarem Vashti Bunyan a prestar uma espécie de tributo a si própria.

Dois anos depois, Bunyan regressa ao passado para o encerrar: Some Things Just Stick In Your Mind recupera gravações entre 1964 e 67, de singles a gravações de arquivo, mostrando todo o espólio que preparou Just Another Diamond Day. Ao site português Bodyspace, em 2010, dizia convicta que nada tinha restado desse resgate: “gostava que houvesse. Por outro lado, alegra-me estar empenhada em nova música em vez de estar sempre à procura de tesouros perdidos do passado”. Seria de esperar com esta declaração que o ritmo da sua produção aumentasse, mas Vashti Bunyan não alterou a sua postura perante a vida e a sua arte. Não apressou a inspiração, não a substituiu por transpiração, e deixou que Heartleap demorasse 7 anos até ficar concluído. “Demorei sete anos a fazer este álbum e, muitas vezes, ao longo desse tempo, pensei que Just Another Diamond Day olhava em frente e Lookaftering olhava para trás, e que os deveria deixar como extremos e não fazer mais nenhum outro. Mas estas canções continuaram a vir até mim e acabei por ficar mais e mais interessada no processo de gravação e edição”, disse à revista de música online Pop Matters. “E, de repente, tinha matéria suficiente para um álbum e tive que tomar uma decisão. Quereria eu acrescentar algo novo ou deixar os outros álbuns tal como estavam? Por fim, pensei que sim, vou colocá-los juntos. Parecem todos pertencer ao mesmo, parece ser uma coleção unida.”

Ao contrário dos seus outros dois álbuns, Heartleap foi conduzido pela sua mão e intuição, em casa em vez do estúdio, como se alcançasse ao fim de 50 anos, ao fim de uma vida, o domínio da sua arte: “Desta vez quis saber o que conseguiria fazer sozinha. Durante estes anos todos fui aprendendo mais sobre as questões técnicas da gravação e edição de música, e quis saber o que conseguiria fazer pelos meus próprios meios. Não quero dizer que olho negativamente para o que foi feito antes, apenas quis descobrir o que era capaz. Como se emergisse de um abrigo. Quis aguentar-se sem ajuda e ver o que acontecia”.

O que há agora após ter alcançado Heartleap, depois de ter concluído os seus objetivos, depois de ter provado as suas conquistas? “Não consigo imaginar que irei parar de escrever música ou deixar de pensar em canções, ou até mesmo que elas acabem de aparecer no meio da noite”, disse à Pop Matters, “contudo, a ideia de fazer um novo álbum é, neste momento, algo muito, muito distante. Mas não posso dizer nunca, claro”.

Tal como a sua carreira abruptamente amputada no seu início, eis o seu fim programado com Heartleap, deixando para trás uma das mais bonitas e puras manifestações musicais do último século. Mas não fomos nós os únicos sortudos: “vejo-me como alguém que teve muita sorte. Sobre o legado não posso falar. Se soubesse mesmo o que ando a fazer, tê-lo-ia feito muito mais. Mas não sei. Vivo com humor e lá me vou safando, cambaleando pela vida. Não sei exatamente o que fiz. De onde estou, é complicado ver com clareza o meu trabalho”. Ainda à Pop Matters, Vashti Bunyan deixa-nos um desejo: “espero ter feito algumas pessoas pensar que nunca é tarde demais para fazer alguma coisa, qualquer coisa, seja quando for, nunca é tarde demais para nada.”

30 Out 2015
Datas e Horários
sexta ↣ 22h
Preço
7€ a 14€
Classificação
M/6
Local
Sala Principal

Sinopse

E eis que, com Heartleap, álbum editado em 2014, a discografia de Vashti Bunyan chega ao fim, deixando-nos três obras espaçadas por quase meio século, numa carreira que parece ter-se esquivado sempre a qualquer normativa regra da indústria musical. Primeiro, Just Another Diamond Day, em 1970, disco brilhante mas volátil e quase incógnito que conseguiu a proeza de mudar a vida de muita gente e tornar-se num mito da folk libertária. Seria a nova folk, e não só, muitos anos depois, já em depois do ano 2000, a recuperar o seu nome ao ponto da sua estreia ter finalmente o merecedor escaparate. Abraçada por Devendra Banhart e Animal Collective, Vashti Bunyan reaparece por momentos para testar o tempo e as suas capacidades com Lookaftering, uma subtil coleção de canções, com arranjos de Max Richter e rodeada de algumas das pessoas para quem a sua música foi especial. Aos 70 anos, Vashti Bunyan assume Heartleap como o fim dos seus discos, num álbum em que expõe sem artifícios as canções tal como as tem dentro de si e tal como as consegue transmitir, com as fragilidades inerentes de uma cantora e compositora abençoada e colocada num pedestal inesperado. Este adeus é, por isso, uma sentida e emocionante despedida, feita ainda com a mesma voz de veludo que sempre teve e com a honestidade musical desarmante que sempre possuiu. É neste estatuto eterno que recebemos finalmente Vashti Bunyan no nosso Teatro.

 

https://www.youtube.com/watch?v=0AGD78mWcss

https://www.youtube.com/watch?v=nPXj1hlHuTs

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Vashti Bunyan 30 Out 2015
Ver Arquivo
  • Maria Matos
  • EGEAC

Morada e Contactos do Teatro

E-mail: geral@egeac.pt

  • Arquivo
  • Teatro Maria Matos
  • Explorar
  • Mapa do Website
  • Termos e Condições
  • Consulte a declaração de conformidade deste Site no Site da comAcesso, nova janela
© 2026 Maria Matos Teatro Municipal
Made by v-a