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Um de Nós Companhia Maior e Tristero Informações sobre o Evento
29 → 02 Nov 2014
Datas e Horários
quarta a sábado ↣ 21h30 / domingo ↣ 18h30
Preço
12€ / Com desconto 6€
Menores de 30 anos: 5€
Classificação
A classificar pela CCE
Local
Sala Principal
Teatro encomenda mm

Um de Nós
Companhia Maior e Tristero

Bio

Bio

Tristero é um coletivo de teatro sediado em Bruxelas, com direcção artística de Kristien De Proost, Youri Dirkx e Peter Vandenbempt, com assistência do gestor Manu Devriendt. Tristero é sinónimo de espectáculos inteligentes e de humor audaz. Ao olhar para todas as suas peças, encontramos muita diversidade. Na maioria dos casos o repertório é original ou até desconhecido: boas comédias ou peças consistentes e intrigantes, as suas próprias adaptações de prosa ou o teatro de causas; sempre a questionarem a sua própria forma de olhar para o Teatro e a sociedade em que vivem. Tristero é “artista associado” do Kaaitheater em Bruxelas.

A Companhia Maior, em residência no Centro Cultural de Belém [CCB], em Lisboa, é composta por artistas com mais de 60 anos, vindos de diversos quadrantes da criação artística — dança, teatro, música — e com diferentes experiências. A companhia foi criada em 2010, por iniciativa de Luísa Taveira, com a missão de promover a criatividade na idade maior, em contacto com as várias gerações de criadores e no contexto interdisciplinar da criação contemporânea, de valorizar saberes adquiridos e aperfeiçoados ao longo do tempo e de proporcionar as condições para a sua expressão e comunicação.

Para a concretização daqueles objetivos, as atividades da Companhia Maior têm duas vertentes essenciais: a produção e a apresentação de espetáculos e a realização de atividades de formação — ateliês, seminários, workshops e residências artísticas.

O primeiro espetáculo da Companhia Maior, Bela Adormecida, com texto e encenação de Tiago Rodrigues, e coprodução do Mundo Perfeito, foi estreado no dia 28 de outubro de 2010, no CCB. O elenco de 14 intérpretes foi constituído através de uma audição, realizada sob a forma de um workshop, dirigida por Tiago Rodrigues, no CCB, entre os dias 4 e 14 de março de 2010. Este primeiro grupo de intérpretes participaria também nos workshops de formação subsequentes, efetuados nas áreas da dramaturgia, da música e da dança contemporânea, orientados, respetivamente, por Jacinto Lucas Pires, João Lucas e Clara Andermatt, que antecederam a estreia pública da Companhia Maior.

Em 2011, os workshops de formação orientados por Vítor Rua, no campo da música, e, novamente, por Clara Andermatt, no âmbito da dança, abriram as portas a novos elementos, passando, desde então, a equipa artística a ser constituída por 19 intérpretes, 17 dos quais interpretariam Maior, o segundo espetáculo da Companhia Maior, com coreografia de Clara Andermatt. Estreado a 8 de dezembro de 2012, no CCB, o espetáculo contou com o apoio à produção executiva da Companhia Clara Andermatt.

Novos workshops, sob orientação de Teresa Lima, de Nuno Cardoso e de Mónica Calle, realizados entre março e julho de 2012, no CCB, preparam a Companhia para a sua terceira criação, Iluminações, com encenação de Mónica Calle, cuja estreia, no dia 3 de novembro desse ano, seria, como habitualmente, acolhida pelo CCB.

Já em 2013, a Companhia Maior participa no espetáculo A Visita da Velha Senhora, com encenação de Nuno Cardoso, estreado no dia 7 de março, no São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa. Para além desta entidade, o espetáculo contou com a coprodução de Ao Cabo Teatro, da Companhia Maior e do Centro Cultural Vila Flor.

A Companhia Maior apresenta o seu o novo espetáculo, Estalo Novo, dirigido por Ana Borralho e João Galante, depois de ter estado envolvida, ainda ao longo deste ano, em dois workshops de formação: o primeiro orientado pelos dois criadores e o segundo conduzido por João Fiadeiro e Fernanda Eugénio.

A Companhia Maior tem apresentado as suas criações em vários espaços culturais e salas, por todo o país, nomeadamente, Teatro Municipal de Bragança, Cine-Teatro de Estarreja, TEMPO – Teatro Municipal de Portimão,  Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, Teatro Viriato, em Viseu, TeCa – Teatro Carlos Alberto, no Porto, Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, Teatro Virgínia, em Torres Novas, Teatro Municipal da Guarda, Casa da Cultura de Alfândega da Fé, Centro de Espetáculos, em Tróia, Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, Teatro Gil Vicente, em Coimbra, Teatro-Cine de Torres Vedras e Teatro Aveirense.

A Companhia Maior, cuja direção é atualmente assegurada por Luísa Taveira, Tiago Rodrigues e Sofia Campos, deseja fazer a ponte entre instituições culturais, procurando que diversos teatros sejam parceiros fixos, tanto no plano do acolhimento como da coprodução de criações da companhia, e ajudem a pensar e a concretizar o futuro deste projeto, que aposta na ideia de que a criação contemporânea no âmbito das artes performativas pode desenvolver a sua capacidade de pesquisa, experimentação e inovação através de uma estratégia inclusiva de artistas mais velhos e experientes, e assenta na convicção de que a sua relevância extravasa as fronteiras da arte.

Para além do discurso artístico veiculado em cada espetáculo, a Companhia Maior pretende dar um sinal claro a vários setores da sociedade portuguesa de que a arte tem um importante papel no que diz respeito à dignificação e à intervenção das pessoas de toda uma faixa etária que, regra geral, a aposentação afastara da esfera pública ativa.

A Companhia Maior, que tem o estatuto de Associação Cultural, apesar de ser, essencialmente, um projeto de criação artística, pode ser um símbolo de uma mudança mais profunda e abrangente na sociedade. É por esse motivo que existe na Companhia Maior um Conselho Consultivo — constituído por Daniel Sampaio (presidente), Eduardo Marçal Grilo, António Mega Ferreira e Jacinto Lucas Pires — cuja função é assegurar uma discussão contínua sobre o funcionamento da companhia, sobre a sua missão artística e sobre o seu impacto, que se estende claramente para além das fronteiras estritas da criação artística em si.

SOBRE A COMPANHIA
O envelhecimento das populações é um dos grandes problemas das sociedades contemporâneas. O aumento da esperança de vida, a diminuição das taxas de natalidade e a migração de muitos jovens para outros países, são alguns dos factores que contribuem para a maior percentagem de idosos nas nossas comunidades.
Cada vez se torna mais necessário que as sociedades actuais se preocupem com a qualidade de vida das pessoas mais velhas. Todos os estudos indicam que se mantivermos activas as pessoas em idade de reforma, estaremos a contribuir para o seu bem-estar, ao mesmo tempo que aproveitaremos muitas das suas potencialidades. E, ao contrário do que por vezes é afirmado, a retirada dos mais velhos do mercado do trabalho não tem contribuído para a criação de mais empregos para os mais jovens.
No campo artístico, o êxito é com frequência associado à juventude, sendo esquecido o contributo que pode ser dado por artistas mais velhos de diversos sectores que se encontram em boas condições de saúde física e mental e que, através da sua experiência, podem contribuir para espectáculos de qualidade.
A Companhia Maior pretende ser um local de criatividade permanente para os artistas mais velhos e contribuir para um espírito de solidariedade entre as gerações.

Daniel Sampaio
Prof . Catedrático de Psiquiatria e Saúde Mental da Faculdade de Medicina de Lisboa

 

Não é só porque nos aproximamos da idade maior que nos chega esta vontade de transformar experiências longas e ricas de vida em novas formas de expressão artística. Não é só – mas também. A ideia de que as sociedades em que vivemos estão a adaptar-se a uma nova estrutura etária implica uma atenção redobrada a esta faixa crescente da população, cujas vivências têm que ser mantidas (mais do que integradas) na vida activa e criadora. Em 2050, nos países industrializados, o número de idosos obrigará a que se encontre uma nova denominação para abranger estas camadas às quais deixou de aplicar-se o verso célebre de Dante: “o meio do caminho da nossa vida” já não serão os 35 anos, mas, mais que previsivelmente, os 45 – porque a expectativa de vida terá crescido até aos 90 anos de idade.
É da nossa vida, assim vista em perspectiva, que quer falar a Companhia Maior.
Composta por artistas de idade superior a 60 anos, ela visa associar, desde o início, elementos mais jovens, de forma a assegurar uma harmoniosa convivência entre gerações, propondo-lhes a releitura de alguns dos lugares comuns da nossa cultura. E o seu programa não conhece limites, a não ser os que a imaginação e a vontade dos seus elementos queiram estabelecer.
Uma companhia de velhos? Ora, velhos são os trapos!
E mesmo esses…

 António Mega Ferreira
Membro do Conselho Consultivo

Empenharmo-nos nesta causa de dar voz à criatividade de uma idade maior não é só um dever. É sobretudo uma janela aberta para um potencial artístico que, numa era onde se preza a jovialidade da imagem e da atitude, pode ser de uma frescura arrebatadora, porque é pleno de VIDA na verdadeira acepção da palavra.
O cerne do projecto desta companhia, cuja ideia data de 2007, é o aproveitamento da experiência acumulada de artistas oriundos das diversas vertentes das artes performativas. Trata-se de valorizar a maturidade, os saberes forjados e aperfeiçoados ao longo do tempo e o intenso desejo de comunicar desta fase da vida, em que a reflexão e a ponderação já tiveram mais espaço para vaguear, mais tempo para duvidar, equacionar, concluir…
O tempo, a memória e a experiência são elementos chave neste projecto de artistas que, em período de balanços e avaliações, se encontram também na fase mais propícia ao estabelecimento de diálogos e entendimentos: entre diversas maneiras de fazer, entre diferentes ofícios, mas também entre tempos e gerações diferentes. São artistas intervenientes a quem a vida não roubou a insatisfação e a curiosidade e, por outro lado, cuja idade já nada tem a ver com oportunismos ou efeitos fáceis.
A reacção do Centro Cultural de Belém a esta proposta foi imediata e de grande entusiasmo, bem como a de diversos agentes culturais que foram sendo contactados. À medida que fomos auscultando estas opiniões, foi crescendo em nós alguma ansiedade perante as expectativas do projecto. Conhecíamos bem, não só as responsabilidades artísticas, como as sociais e éticas que nele estavam implícitas, mas o carácter inédito desta iniciativa exigia de nós o esforço e, mais do que isso, o engenho de a transformar numa experiência tão exemplar quanto possível.
Foram dois anos de maturação e de trabalho de campo, onde as práticas de uma Company of Elders, em Inglaterra, de um Nederlands Dance Theater, na Holanda e a do The Bealtaine Festival, na Irlanda serviram como bons pontos de partida. A adaptação a uma realidade artística e social portuguesa protagonizou a fase seguinte.
Os pareceres de amigos e profissionais foram de grande importância, sobretudo os de Tiago Rodrigues que esteve presente quase desde o início e cujo envolvimento foi fundamental.
Pensamos neste projecto como extravasando qualquer personalidade ou instituição.
É no CCB que ele nasce, e é também a casa que o pode acolher, mas julgamos que só será MAIOR se verdadeiramente nos pertencer a todos. A presença de um conselho consultivo, tão habitual nas formações anglo-saxónicas e constituído por personalidades da sociedade civil, é uma das respostas a esta intenção.

Luísa Taveira
Direção da Companhia Maio

 

Folha de Sala

Folha de Sala

Um de nós

 

Um de nós não é uma peça de teatro no sentido tradicional do termo, mas antes uma espécie de apresentação sobre política, o amor, nós próprios…

É uma peça construída rigorosamente em três partes diferentes. A primeira contém cerca de 200 declarações sobre política. Começam todas com as palavras “Na política…” e acabam em opiniões, afirmações mais ou menos rigorosas, clichés e outras supostas verdades que conhecemos de conversas de café, da televisão ou da Internet. Aparentemente dizem qualquer coisa de verdadeiro sobre política, mas, ao mesmo tempo, são facilmente refutáveis. A acumulação de declarações ilustra a complexidade do tema. Tudo o que tem que ver com política é referido: estratégia, traição, compromisso, senso comum…

A segunda parte apresenta um número idêntico de declarações que começam com as palavras “No amor…”. O conjunto de afirmações sobre o amor implica um redimensionamento da primeira parte. Depois da política e da vida pública, passamos às relações amorosas. Ambos os sistemas de relacionamento apresentam problemas similares, o que é ilustrado de forma divertida pelo facto de a maioria das afirmações sobre a política se aplicarem também ao amor. A maior diferença é o grau de envolvimento emocional.

Este envolvimento é a chave para a terceira parte, em que somos confrontados com uma coletânea de fait-divers, confissões e segredos pessoais dos próprios atores. A redução da escala continua: da política, através das relações pessoais ao indivíduo. Assim, cada frase desta terceira parte começa com as palavras “Um de nós…”. O texto é criado em colaboração com os atores: durante o período dos ensaios cada um recebe uma série de perguntas — algumas gerais, outras bastante íntimas — às quais podem responder em anonimato, através de um endereço de e-mail criado de propósito. As respostas são autênticas, mas ninguém sabe a quem pertence cada declaração ou confissão.

 

A política é uma questão pública, ao passo que o amor pertence claramente à esfera pessoal. Porque é que o confronto de ambos é tão elucidativo?

Acho que tanto a política como o amor se regem por regras similares. A sociedade precisa de uma forma de organização para nos fazer viver todos juntos. Tal como uma relação precisa de determinados acordos para durar. Na sociedade, essas regras são definidas sobretudo pela política; numa relação, é uma questão de acordo entre os dois parceiros. E esse tipo de acordos estão sujeitos a argumentos racionais e emotivos do mesmo tipo. Em Um de nós, isso é mostrado pelo facto de as mesmas frases poderem ser aplicadas à política e ao amor. Há dez anos, comecei a escrever o texto, porque havia um forte ambiente antipolítica na Bélgica, que se traduziu em votos nos partidos de extrema direita. Acho que desde essa altura a situação mudou ligeiramente; as pessoas têm consciência de que a política ainda é necessária, mesmo sendo considerada um mal necessário. Tenho a impressão de que aqui, em Portugal, não é assim tão diferente, apesar de muitas pessoas parecerem estar fartas da política, de sentirem que não há remédio. Tendo a achar que estão enganadas e dir-lhes-ia, parafraseando um lema que vi lá fora, na rua: “a política é demasiado importante para ser deixada nas mãos dos políticos”.

 

A Tristero estreou esta peça em neerlandês, em 2005, com os quatro membros principais da companhia. Em 2011, foi feita uma versão francesa, em colaboração com a companhia teatral belga de língua francesa Transquinquennal, que ainda está em digressão. Agora, segue-se uma versão portuguesa com a Companhia Maior. Como é que explica a longevidade desta peça? Quais são as principais mudanças entre as três versões, especialmente esta última?

Os dois principais temas da peça, política e amor, são obviamente intemporais. Não apenas na vida quotidiana, mas também na arte, em peças de teatro, são assuntos muito abordados. E isso é óbvio, porque o amor e a política são dois elementos que têm uma influência extrema sobre as nossas vidas. Uma vez que decidi desenvolver a peça em torno de lugares-comuns, as chamadas verdades e sabedorias, as deixas acabaram por soar “universais”; parecem aplicar-se a qualquer época ou lugar. Claro que todos os períodos têm as suas especificidades e singularidades e essas também têm lugar no texto através de detalhes vários, tratando-se de questões contemporâneas ou acontecimentos atuais específicos. Obviamente que esses detalhes mudam quando fazemos uma versão portuguesa. Esta exige outras ênfases, nuances, mas a base permanece praticamente a mesma: uma desconfiança saudável em relação à política e ao amor. As grandes mudanças na política portuguesa nos últimos 40 anos estão presentes e são uma fonte de inspiração gratificante.

 

A peça original foi representada há quase dez anos pela Tristero, na altura um grupo de jovens atores. Como é que é fazer uma nova versão com um conjunto de intérpretes com 60, 70, 80 anos? Isso influencia a forma ou o conteúdo?

Sim e não. Claro que as referências culturais e políticas são diferentes. O contexto (político) belga é diferente do português. Mas quando apresentei a lista de questões pessoais aos intérpretes, descobri que as respostas deles eram basicamente as mesmas que tinha obtido dos meus colegas mais novos. Sinto que os intérpretes mais velhos se arrependem mais, por exemplo, mas, no fim de contas, sentem-se igualmente inseguros ou preocupados. E conseguem manifestar o mesmo discurso obstinado e enérgico do elenco mais novo. Nesse sentido, não deixa de ser uma experiência enriquecedora e gratificante para mim trabalhar com todas estas personalidades diferentes, cada uma com as suas esquisitices, as suas perspetivas, mas também a sua própria curiosidade e afabilidade. No que diz respeito ao espetáculo, vamos atuar da mesma forma que fizemos antes. Passar tempo na cama, discutir uma série de tópicos claramente não tem que ver com a idade. O público verá um elenco diferente, mais velho, e a princípio isso pode suscitar uma imagem mais melancólica e nostálgica, mas rapidamente se darão conta de que os intérpretes são tão espirituosos, provocadores ou até excitantes quanto um elenco mais novo!

 

 

Espirituoso e provocador são adjetivos que têm caracterizado o trabalho da Tristero desde o início. Porque é que o humor e a ironia surgem sempre no seu trabalho?

Isso é verdade. Mesmo que não utilizemos um texto cómico, tentamos ainda assim abordar as coisas de uma forma cómica. Não de forma burlesca, a nossa comédia é melhor descrita como “inteligente mas não intelectual”, “irónica mas não cínica”. Gostamos de pensar que o humor tem um efeito castigador, que rirmos de nós próprios e rir em geral pode talvez reconciliar-nos e ao nosso público com o absurdo da existência. Julgo que também está ligado a quem nós somos (os membros da Tristero) e ao facto de olharmos para a vida de uma forma positiva e de gostarmos de uma piada.

 

É também a forma mais imediata de chegar ao público? A Tristero gosta de criar uma cumplicidade com os espectadores, isso também acontece em Um de nós…

A Tristero faz diferentes tipos de espetáculos mas, seja para um público mais vasto ou especializado, há sempre alguma coisa de familiar — alguma coisa que se reconhece — naquilo que contamos. O nosso trabalho não relata “grandes histórias” ou fala de reis e rainhas, antes concentra-se em pessoas vulgares como nós. Por outro lado, a maneira como contamos ou apresentamos essas histórias pode ser diferente, estranha ou incomum. Como a construção formal de Um de nós, por exemplo.

 

Essa construção formal é muito visível nas três partes de texto e nas repetições nas construções frásicas, mas também no cenário, que coloca os intérpretes todos num só lugar e direcionados para o público. Porquê a cama?

Ah, essa é uma ideia da cenógrafa com quem trabalhámos… Na altura em que acabei o texto, tivemos muitas discussões sobre a forma como o íamos apresentar. Ao início, eu não queria mais do que diferentes tipos de cadeiras, mas senti que isso não faria justiça ao texto. Assim, continuámos a discutir o assunto durante muito tempo. Uma manhã, a cenógrafa, Emma Denis, ligou-me e disse: “Já sei que cenário fazer! Ontem à noite, quando ia dormir, estava a discutir o problema com o meu marido deitada na cama e apercebi-me de que a solução estava ali, mesmo debaixo do meu nariz!” A cama é realmente um lugar onde se discutem muitas coisas: amor, sexo, política e até cenografia!

 

Entrevista de Mark Deputter a Peter Vandenbempt, outubro 2014

29 → 02 Nov 2014
Datas e Horários
quarta a sábado ↣ 21h30 / domingo ↣ 18h30
Preço
12€ / Com desconto 6€
Menores de 30 anos: 5€
Classificação
A classificar pela CCE
Local
Sala Principal

Sinopse

O Teatro Maria Matos juntou a Companhia Maior e o coletivo belga Tristero para criarem a versão portuguesa da peça original Iemand van ons. Um de nós é um espetáculo delicioso que põe a nu questões fundamentais da existência, jogando com um fluxo incessante de factos, brincadeiras, clichés, aforismos e confissões para proporcionar um olhar inesperado sobre a política, o amor e a intimidade de cada um. O que é que sabes da política? O que é que sabes do amor? O que é que sabes de nós? Os intérpretes vão dando todas as respostas, num espetáculo perspicaz, divertido e cheio de reviravoltas.

O coletivo teatral Tristero, sediado em Bruxelas, tem um percurso diversificado, cujos trabalhos se caracterizam pela inteligência e pelo humor com um travo amargo. A Companhia Maior é composta por intérpretes profissionais das áreas do teatro, da dança e da música, todos com mais de 60 anos, e tem um currículo assinalável de colaborações com criadores contemporâneos. Um de nós é o primeiro passo da companhia rumo à internacionalização.

 

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Material Gráfico Cartaz Tristero e Cia Maior 29 Out 2014

Ficha Artística

elenco:
Carlos Fernandes, Elisa Worm, Isabel Simões, João Silvestre, Júlia Guerra, Maria Helena Falé, Maria José Baião

encenação:
Peter Vandenbempt

assistência de encenação:
Henrique Neves

texto:
Peter Vandenbempt em colaboração com o elenco e Henrique Neves

tradução:
Susana Canhoto

cenografia:
Emma Denis

construção cenário:
Maria Matos Teatro Municipal

registo vídeo:
Patrícia Saramago

assistente de produção:
Lúcia Marta

produtor da Companhia Maior:
Luís Moreira

encomenda:
Maria Matos Teatro Municipal

coprodução:
Companhia Maior, Tristero e Maria Matos Teatro Municipal
Tristero é apoiada por Flemish Authorities – International Projects e Vlaamse Gemeenschapscommissie

apoio:
Vlaamse Gemeenschap & het Vlaams Fonds der Letteren

fotografia:

Bruno Simão

 

 

Um projeto Create to Connect com o apoio do Programa Cultura da União Europa

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