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Tó Trips & Filho da Mãe Informações sobre o Evento
20 Jan 2015
Datas e Horários
terça ↣ 22h
Preço
6€ a 12€
Menores 30 anos: 5€
Classificação
M/6
Local
Sala Principal
Música

Tó Trips & Filho da Mãe

Folha de Sala

Folha de Sala

ERA UMA VEZ NO ALENTEJO

 

Estamos em Beja. 20 de novembro de 2014. Primeiro concerto do projeto Guitarras ao Alto. A angústia do organizador no momento da concretização de um sonho. Dez minutos antes do espetáculo, a sala meio vazia. Às 22h, a hora da verdade, a sala está praticamente repleta.

 

Aprendi que, seja no Alentejo ou em Lisboa, somos realmente todos portugueses. As coisas funcionam exatamente da mesma maneira em relação à música. No Alentejo, as pessoas também não costumam comprar bilhetes antecipadamente e deixam tudo para a última hora, exceção feita a concertos para as massas, mas esse é outro campeonato. A diferença é que em Lisboa os concertos muitas vezes esgotam e no Alentejo não. Ali, as pessoas partilham os eventos de boca em boca, ouvem nas rádios e outros meios locais, e aparecem, mas aparecem, como em todo o lado, em cima do acontecimento.

 

Angústia ultrapassada, as guitarras começam a dedilhar. O Tó sobe ao palco, pega no dobro e solta a guitarra makaka. O Tó tem um processo criativo muito curioso. Com a guitarra ao colo como que entra em imersão. Quase que parece um autista, no bom sentido da palavra, se é que ela tem algum bom sentido. O Tó desaparece como uma criança absorta no seu brinquedo. Começa a montar as suas peças e a construir o seu edifício, cada vez mais ensimesmado, cada vez mais maravilhoso. Prolonga-se um pouco mais do que tínhamos combinado. Se calhar porque é o primeiro concerto e ainda não sabemos muito bem o que está e o que vai acontecer. Se calhar porque é mesmo uma criança que não quer sair da brincadeira.

 

Ao sinal dado, o Rui entra em cena. O Tó continua a tocar. O Rui senta-se. Pega na sua guitarra. Olha para o Tó num tom misto de conivência e admiração, como quem admira um irmão mais velho, e entra na dança (vi este olhar acontecer várias vezes ao longo dos concertos do Guitarras ao Alto). Com a magia que os dois conseguem criar, a admiração desce do palco até à plateia. Tudo é improvisado, mas a sensação que fica é que estas duas almas musicais já se encontraram previamente noutro paralelo qualquer.

 

Para aguçar a curiosidade do público, e num ritual de passagem de testemunho, tocam apenas uma música juntos. O Tó levanta-se. Pega no seu copo de vinho, uma companhia constante ao longo do Guitarras ao Alto. Deixa o palco ao Rui. Numa entrevista à Rádio de Portalegre, perguntaram-me porquê o nome Filho da Mãe. Respondi intuitivamente: ao fim de 10 segundos de o ouvirem tocar, a primeira expressão que vos vai vir da cabeça à boca é “filho da mãe”. Não sei se é esta a verdade do nome. Nunca cheguei a perguntar ao Rui, porque não preciso da resposta. Gosto de ficar com esta ideia para mim. O Rui tem aquela capacidade de reinventar ao vivo aquilo que nos dá em disco. O que ele faz com uma guitarra nas mãos é grande demais para este nosso pequeno país. É universal. Um desejo: levem-no para o mundo. Eu consegui levá-lo ao Alentejo.

 

O tempo desacelera até ao segundo sinal combinado. O Tó reentra em cena e a partir daqui os dois improvisam a quatro mãos até ao fim. E seja o que o Deus da música quiser. O certo é que, como bons acólitos, ninguém arreda pé e attico﷽﷽﷽﷽﷽﷽apotenguém arredau pé e até aplaude por mais. Quando o Rui, extasiado e sem notícia prévia, larga a guitarra, ajoelha-se perante os seus pedais e começa a manipulá-los furiosamente, enquanto o Tó continua às voltas autistas com o dobro, o produtor que me ajudou a montar esta aventura aborda-me, preocupado se havia algum problema técnico. Eu esboço-lhe um sorriso ausente de inquietação: o Rui está apenas a divertir-se.

 

A simbiose que o Tó e o Rui criaram em crescendo e em apenas três dias foi um dos processos criativos mais inspiradores a que tive o prazer de assistir. Tudo graças ao Guitarras ao Alto, um projeto inédito e genuíno que nasceu no Alentejo e aconteceu em Beja, Portalegre e Campo Maior no final de novembro de 2014, com ponto alto na Adega Mayor de Siza Vieira, que viu e ouviu o Tó e o Rui dar música às pipas de um vinho que vai sair com certeza mais encorpado.

 

A verdade é que é possível, ao contrário do que é habitual, criar eventos originais fora das rotas do costume que, como é este o caso, começam no Alentejo e acabam, ou melhor, continuam, em Lisboa. Com outro nome, com um formato diferente e numa geografia mais urbana.

 

Hoje, no Teatro Maria Matos, e só para fazer um bocadinho de inveja, não vamos ter o vinho alentejano que regou toda a experiência. Nem a generosa gastronomia que nos foi servida faustosamente. Nem sequer o road movie à portuguesa que vivemos e filmámos, e que podia ter continuado pela estrada fora. Uma coisa é certa (ou duas): vamos sentir a mesma amizade e cumplicidade criadas e cimentadas em terras alentejanas, e a mesma vontade de elevar ao alto as novas experiências que se fazem com a tradição da guitarra em Portugal. Do Alentejo sobe à capital a garantia de que a música, o génio e as boas gentes que são o Tó Trips e o Filho da Mãe vos vão deixar inebriados e de barriga cheia.

 

Vasco Durão

estratega de comunicação, ideólogo do Guitarras ao Alto e recém-alentejano

20 Jan 2015
Datas e Horários
terça ↣ 22h
Preço
6€ a 12€
Menores 30 anos: 5€
Classificação
M/6
Local
Sala Principal

Sinopse

A meio caminho de um percurso, entre a edição do fulgurante Cabeça de Filho da Mãe e a promessa do próximo álbum de Tó Trips, os dois guitarristas encontraram-se por três vezes, em três cidades do Alentejo, para três concertos a solo que originaram, com alguma inevitabilidade, três momentos em duo. De um modo muito espontâneo, duas linguagens em diálogo, inaugurando novas regras para uma gramática inesperada, feita de improviso mas com o vigor e determinação que o passado rock lhes tem emprestado. Depois desta aventura a sul do Tejo, dentro de uma campanha intitulada Guitarras ao Alto, os dois guitarristas rumam agora ao Teatro Maria Matos para solidificar este dueto, por vezes duelo, outras vezes em total harmonia, para mostrarem o que os faz ficar próximos e desejar tão arduamente o confronto. Esta novidade é também um reencontro para nós: TóTrips já nos tinha visitado em 2014 com os Timespine, com Adriana Sá e John Klima, e Filho da Mãe, depois do lendário Fazer Para Desistir em 2012, deixou-nos, recentemente, uma lindíssima banda sonora em duo com Jibóia.

 

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Material Gráfico Cartaz Tó Trips e Filho da Mãe 20 Jan 2015

Ficha Artística

dobro: 
Tó Trips

guitarra clássica: 
Filho da Mãe

fotografias:
Luís Mileu

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