Mundo Perfeito & Dood Paard
a partir de The Jew of Malta de Christopher Marlowe
Inserido no 28.º Festival de Almada
Sinopse
“Quando a música parar, em termos de liquidez, as coisas vão ficar complicadas. Mas enquanto houver música, temos de continuar a dançar. Nós continuamos a dançar…”
Este desejo humano pelo lucro, independentemente das consequências, é também claramente encontrado nas vinganças e traições que dão corpo a “O Judeu de Malta” de Christopher Marlowe.
“O Judeu de Malta não é meramente cómico ou trágico, mas um tipo de drama curiosamente ambíguo, no qual algumas cenas são simplesmente divertidas, outras simplesmente dolorosas. Mas muitas outras existem numa espécie de limbo onde o público pode ou não rir, mas será magoado também. Quanto mais nos rirmos, mais a peça nos morde.”
The Jew realiza-se no âmbito da quarta edição do projecto Estúdios, encontro anual de artistas portugueses e estrangeiros em Lisboa. Neste ano, a Mundo Perfeito, estrutura que promove o trabalho artístico de Tiago Rodrigues, convidou para juntar-se ao projecto uma das mais prestigiadas companhias de teatro contemporâneo da Holanda, Dood Paard, que regressa a Lisboa depois da sua passagem pelo alkantara festival 2010 com medEia e Answer me. O elenco, composto por actores holandeses e portugueses, trabalhará entre Amesterdão e Lisboa a partir da controversa obra de Christopher Marlowe. The Jew of Malta (O Judeu de Malta) é uma das obras-primas da dramaturgia universal. Contemporâneo de Shakespeare, Marlowe aborda com crueza a temática da vingança e da ganância num clássico que influenciou de forma clara a escrita de O Mercador de Veneza, destacando-se ao mesmo tempo desta última obra pela forma vertiginosa como a acção se desenrola e pela ausência de moral, rudeza e verdade das suas personagens. A acção desta peça desenrola-se na ilha de Malta, lugar de cruzamento de culturas e religiões, onde o dinheiro acaba por imperar como língua franca. Controversa e divertida, esta obra foi escolhida pelos criadores como o texto certo para uma reflexão sobre o poder e o dinheiro que quase sempre estão nos bastidores dos “confrontos de civilizações”, sobre a violência e a forma como o teatro nos revela essa violência.