Saltar para o conteúdo principal Mapa do Website
  • Arquivo
  • Explorar
  • O Teatro
    • Missão e História
    • Redes de Programação
    • Coproduções
    • Teatro Verde
    • EGEAC
  • pt Idioma em Português
  • en Idioma em Inglês
Terça-Feira: Tudo o Que é Sólido Dissolve-se no Ar Cláudia Dias Informações sobre o Evento
29 → 02 Abr 2017
Datas e Horários
Quarta a Sábado → 21h30 Domingo → 18h30
Preço
6€ a 12€
Duração
60 min
Classificação
M/6
Local
Sala Principal com bancada
Dança coprodução mm

Terça-Feira: Tudo o Que é Sólido Dissolve-se no Ar
Cláudia Dias

Bios

Bios

Cláudia Dias
Concepção e Direcção Artística
Cláudia Dias nasceu em Lisboa, em 1972. É coreógrafa, performer e professora.
Concluiu o Mestrado em Artes Cénicas naFaculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa e formou-se em dança na Academia Almadense. Continuou os seus estudos como bolseira na Companhia de Dança de Lisboa e concluiu o Curso de Formação de Intérpretes de Dança Contemporânea, promovido pelo Fórum Dança.
Iniciou o seu trabalho como intérprete no Grupo de Dança de Almada. Integrou o coletivo Ninho de Víboras. Colaborou com a Re.Al tendo sido uma intérprete central na estratégia de criação de João Fiadeiro e no desenvolvimento, sistematização e transmissão da Técnica de Composição em Tempo Real.
Criou as peças One Woman Show, Visita Guiada, Das coisas nascem coisas, Vontade De Ter Vontade e Nem tudo o que dizemos tem de ser feito nem tudo o que fazemos tem de ser dito.
Actualmente desenvolve o projecto Sete Anos Sete Peças, um projecto de longa duração que pretende contrariar a ideia de um futuro precário ou ausente. No quadro deste projecto estreou em 2016 a peça “Segunda-Feira: Atenção à Direita.
Desenvolveu o projeto pedagógico Nesta Parte Esquinada da Península com os parceiros Azala, Muelle 3, La Fundición e o Festival BAD.
Lecciona, desde 2007, de forma regular, oficinas nas áreas da Composição Coreográfica e da Técnica de Composição em Tempo Real.
O seu trabalho como coreógrafa, performer e professora tem sido acolhido por várias estruturas, teatros e festivais nacionais e internacionais.
Luca Bellezze
Artista convidado para Terça-Feira
Após a licenciatura em Psicologia em 2003 (Bologna – IT), Luca Bellezze começou a tocar acordeão e trabalhar com fantoches e malabarismo. Na Itália, frequentou vários cursos: teatro social (Isole Comprese Teatro) , mimo (Bianca Francioni) e palhaço (Leo Bassi, Avner the Eccentric, Andrè Casaca, Philip Radice) . Continou a sua formação em várias escolas europeias, nas quais estudou circo (“Flic “ – Turim – IT, “Guzei “ – Moscovo – RU ) , teatro (“Atelier of Phisical Theater Philip Radice”- Turim – IT) e palhaço (“International Clown School” – Ibiza). Actualmente, estuda acordeão diatónico com Simone Bottasso e frequenta o “CLI“ (Utrecht – NL) e o Mod.AI Institute, em Turim (método de canto funcional). Trabalha como artista de rua e colabora regularmente com vários festivais internacionais, desde 2003.
Folha de Sala

Folha de Sala

sexta, 31 março →  conversa após o espetáculo

José Goulão (jornalista), Gustavo Carneiro (Conselho Português para a Paz e Cooperação) e Cláudia Dias, numa conversa moderada por Jorge Louraço (dramaturgo, professor na ESMAE), vão falar da crise dos refugiados puxando o fio à meada, procurando a origem dos factos, retrocedendo passo a passo pelos caminhos onde foram deixadas pegadas de refugiados políticos, económicos ou ambientais, até encontrar o desastre climático, a fome ou a guerra, e, na origem destes infernos, os pecados mortais cometidos a sul e a oriente da Europa por homens, europeus, brancos — quase todos, mas não só.

 

 

Num tempo em que as linhas divisórias, as fronteiras, as barreiras, as linhas da frente e de mira dos conflitos bélicos, as fileiras e as linhas de identificação do drama dos refugiados, as linhas de respeito dos limites marítimos das nações, as linhas duras das fações radicais de organizações políticas e religiosas estão na ordem do dia, pretendemos trabalhar (n)uma linha unificadora, capaz de juntar o que se encontra separado.

Cláudia Dias

Terça-feira: Tudo o que é solido dissolve-se no ar é a segunda criação do projeto Sete Anos Sete Peças.


 

CITAÇÕES

de Jorge Louraço Figueira

  1. Siga atentamente as linhas e os traços destas letras no papel, antes de se transformarem em palavras. Tento fazer o mesmo. Se fizermos isso os dois, teremos tempo para uma troca de ideias, mesmo antes de começar o texto.

O subtítulo desta peça é uma citação do Manifesto Comunista, escrito por Marx e Engels, em 1848. A frase original está num parágrafo sobre o modo como o capitalismo destrói o que for preciso para perpetuar os lucros. Na tradução de José Barata Moura:

Tudo o que era dos estados e estável se volatiliza, tudo o que era sagrado é dessagrado, e os homens são por fim obrigados a encarar com olhos prosaicos a sua posição na vida, as suas ligações recíprocas.

A peça de Cláudia Dias alude a essa destruição, que alguns têm por criativa: a destruição de postos de trabalho, a destruição de casas, a destruição de vidas, a destruição do planeta. A vantagem é podermos ver os fios que nos unem.

Cláudia e Luca construíram uma narrativa visual, usando uma linha para contar a história de um menino de dez anos, cujos avôs foram expulsos primeiro da Palestina e depois do Líbano, que viaja desde a Síria até Itália. Em paralelo, criaram também uma narrativa sonora, com ruídos e barulhos deste caminho de fuga. Tudo isto, a que se acrescentam os corpos de ambos, é não-verbal, precisamente para escapar às ideias feitas. E o texto, em vez de ser posto na boca dos atores, para que se identifiquem falsamente com os refugiados, é projetado no cenário, para sublinhar a distância que separa uns dos outros.

No centenário da revolução russa, citar Marx e Engels devia ser corriqueiro. No teatro onde estreia esta peça — o Teatro Maria Matos, em Lisboa — decorre um ciclo programático sobre a utopia, que abarca a celebração dos 500 anos do livro de Thomas More e a comemoração da revolução de 1917. Parece o lugar mais apropriado. Como vem no manifesto, “já́ é tempo de os comunistas (…) contraporem à lenda do espectro do comunismo um manifesto do próprio partido.”

Então porque soa tão estranho — quase uma provocação — usar uma citação destas num espetáculo de dança? É muito melhor citar Marx e Engels do que citar, digamos, Lúcia, Jacinta e Francisco. Porém, aposto que é mais fácil citar, num espetáculo, com ou sem ironia, os três pastorinhos, que também fazem cem anos, do que Lenine, Trotsky e Estaline. Esta citação do subtítulo é mais de agit-prop do que de dança-teatro.

No seu estudo sobre o teatro épico no Brasil durante os anos imediatamente antes e depois do golpe de 1964, Iná Camargo Costa recapitula, sublinhando a respetiva relevância artística, cultural e política, a derrota dos movimentos de agit-prop na Rússia, na Alemanha, na França, no Reino Unido e nos EUA, às mãos tanto de estalinistas quanto de fascistas. O alcance realmente democrático daquela forma teatral era maior do que aquele que as elites e burocracias podiam tolerar. Hoje, o dito teatro político é consagrado em festivais internacionais e os recursos formais do agit-prop e do teatro épico usados pelos grupos e artistas mais conceituados.

Já o carácter popular desse teatro e a sua articulação com movimentos políticos não são tão claros. Talvez a maior dificuldade, hoje, para um artista, como a Cláudia Dias, que queira mudar as condições do discurso seja não o totalitarismo, mas a normalização das formas artísticas que ocorre nas presentes democracias, com os espetáculos funcionando como montra do comentário cultural, sem entrarem em contradição com a moda, a média e a mediana da ideologia vigente. A mesma Iná, citando Walter Benjamin, alerta para o risco de a luta política se tornar mais uma mercadoria, objeto de prazer em vez de vontade de decisão. Nesta montra, talvez a citação do Manifesto se engula melhor se passar como a coca-cola do slogan de Fernando Pessoa (primeiro estranha-se, depois entranha-se), tal qual um bem de consumo. Pensando bem… Talvez a frase “tudo o que é sólido dissolve-se no ar”, fora de contexto, possa ser adotado como sigla, tornando num lema o que era uma crítica. Não foi isso o que aconteceu com a expressão “indústria cultural”, cunhada com sentido crítico, mas generalizada como oportunidade empresarial?

As palavras contam, embora nem sempre como contamos. Cláudia e Luca usam fios como material de trabalho para desenhar o que veem e assim tornar visível o liame que nos une, uns aos outros, ainda antes das palavras se formarem. É nesse lugar para cá das palavras que estão as coisas.

 

  1. Siga distraidamente as palavras no papel, até que as letras se transformem em traços e linhas. Talvez haja espaço para ler outra coisa.

No Teatro Maria Matos, no início deste ano, no âmbito do tal ciclo da utopia, Alexei Yurchak, antropólogo, encerrou uma conferência, notável, sobre o fim da União Soviética, com a seguinte frase projetada na parede:

Soviet socialism provided a stunning example of how a dynamic, strong, monolithic social system can quite suddenly and unexpectedly implode when the discursive conditions of its own existence are changed. [O socialismo soviético forneceu um exemplo impressionante de como um sistema social dinâmico, forte e monolítico pode de repente e inesperadamente implodir quando as condições discursivas de sua própria existência são alteradas.]

A primeira pergunta que fizeram a Yurchak não foi diretamente sobre o fim da União Soviética, mas sobre se haveria alguma semelhança entre a mudança das condições do discurso ocorrida então e o atual momento do capitalismo mundial. Que esfera pública — a leitora pode escolher outro sólido geométrico se preferir facetar a metáfora — existe hoje? Que campos de debate se estão a formar nos últimos anos, desde a explosão da Internet? Quem está fora e quem está dentro da bolha?

Não escrevo de dentro da revolução, nem da ditadura, nem da guerra. Não estou antes da Glasnost, nem depois do PREC, nem durante a Guerra Civil Espanhola. Escrevo de dentro de uma dita democracia. É nesse lugar que este espetáculo se procura encontrar.

Dentro das democracias ocidentais, o apoio à austeridade, em favor do sistema financeiro, por parte dos partidos de direita-direita, direita, centro-direita, centro, centro-esquerda, e esquerda, abriu as portadas a todo o tipo de práticas segregacionistas. Só a esquerda-esquerda se opôs. Em todo o mundo, a desigualdade, a discriminação e as guerras civis afugentam diariamente milhares de pessoas. Qual é o tema deste espetáculo? No início deste século, refugiados vindos de terras que os europeus tinham colonizado até há muito pouco tempo e ainda subjugam indiretamente, são impedidos de entrar nas antigas metrópoles. O oprimido foge do opressor para morrer na fuga. Há bem mais de cem anos que esta história se repete, e nós perdemos o fio condutor. Cláudia e Luca tentam delinear essa história, encontrando caminhos para fora do labirinto da história.

Se cada um de nós enviasse à Cláudia e ao Luca um e-mail cada vez que topa com uma notícia sobre o tema que eles elegeram para este espetáculo, não só a caixa de correio eletrónica estaria cheia há muito, como, de dia para dia, a monstruosidade daquela destruição ficaria mais evidente. Na data em escrevo, por exemplo, uns meses antes de vocês me estarem a ler, a Hungria declarou que iria prender todos os imigrantes recém-chegados, para impedir que eles fossem para outros países da Europa. Não quero pensar em que estado estaremos quando chegar o fim de fevereiro e, depois, o fim de março, e assim sucessivamente. Talvez devêssemos reenviar cada e-mail a cada um de nós e, puxando o fio à meada, procurar a origem dos factos, retrocedendo passo a passo pelos caminhos onde foram deixadas pegadas de refugiados políticos, económicos ou ambientais, até encontrar o desastre climático, a fome ou a guerra, e, na origem destes infernos, os pecados mortais cometidos a sul e a oriente da Europa por homens, europeus, brancos — quase todos, mas não só.

Isto anda tudo ligado? Se for verdade que, graças aos meios de transporte e comunicação, estamos — todas as pessoas — mais ligadas que nunca, dar a ver essas ligações, usando fios como material de trabalho, talvez seja o melhor passo a dar. Mas como dar conta de tudo, num espetáculo de dança, sem que o trabalho se confunda com o discurso oco de uma eventual candidata a Miss Mundo, que estudou o soundbite à exaustão, por questão de sobrevivência, para poder dizê-lo sem mácula à frente dos cobiçosos jurados do concurso? Que pode um artista fazer? Se a casa está a arder, o poeta deve chamar os bombeiros. Depois pode escrever sobre o fogo. Mais agit-prop, por favor.

fevereiro, 2017

29 → 02 Abr 2017
Datas e Horários
Quarta a Sábado → 21h30 Domingo → 18h30
Preço
6€ a 12€
Duração
60 min
Classificação
M/6
Local
Sala Principal com bancada

Sinopse

Quando era criança assistia fascinada, como muitas pessoas da minha geração, aos programas televisivos do Vasco Granja e ficava deliciada com aqueles desenhos animados que criavam mundos a partir de plasticina, cartolina ou de uma só linha. Cerca de trinta e tal anos depois convoco esse universo, nomeadamente o trabalho de Osvaldo Cavandoli, para esta segunda criação do projeto Sete Anos Sete Peças.

Tendo em conta que uma linha reta é a linha mais curta que se pode traçar entre dois pontos,este é o ponto de partida escolhido por mim e pelo Luca Bellezze para a criação de uma espécie de cartoon ao vivo urdido a partir de um fio. Numa lógica de frame a frame, vai sendo construída uma narrativa visual e sonora que retrata, de forma sintetizada, aspetos particulares da realidade contemporânea.

Num tempo em que as linhas divisórias, as fronteiras, as barreiras, as linhas da frente e de mira dos conflitos bélicos, as fileiras e as linhas de identificação do drama dos refugiados, as linhas de respeito dos limites marítimos das nações, as linhas duras das fações radicais de organizações políticas e religiosas estão na ordem do dia, pretendemos trabalhar (n)uma linha unificadora, capaz de juntar o que se encontra separado.

Cláudia Dias

sexta, 31 março →  conversa após o espetáculo

Contrariamente ao anunciado, o jornalista José Goulão não poderá estar presente. A conversa será entre Shahd Wadi (representante da Missão Diplomática da Palestina em Portugal), Gustavo Carneiro (Conselho Português para a Paz e Cooperação) e Cláudia Dias, com moderação de Jorge Louraço Figueira (dramaturgo, professor na ESMAE). A conversa incidirá sobre a crise dos refugiados, puxando o fio à meada e procurando a origem dos factos, retrocedendo passo a passo pelos caminhos onde foram deixadas pegadas de refugiados políticos, económicos ou ambientais, até encontrar o desastre climático, a fome ou a guerra, e, na origem destes infernos, os pecados mortais cometidos a sul e a oriente da Europa por homens, europeus, brancos — quase todos, mas não só.

Alípio Padilha
Alípio Padilha
Alípio Padilha
Alípio Padilha

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Terça-Feira: Tudo o que é sólido dissolve-se no ar 29 Mar 2017

Ficha Artística

conceito e direcção artística: 
Cláudia Dias Artista

convidado:
Luca Bellezze

texto: 
Cláudia Dias

intérpretes: 
Cláudia Dias e Luca Bellezze Olhar Crítico – Sete Anos Sete Peças: Jorge Louraço Figueira

Cenografia e desenho de luz:
Thomas Walgrave

assistência: 
Karas

animação: 
Bruno Canas

direção técnica: 
Nuno Borda De Água

produção: 
Alkantara

coprodução: 
Maria Matos Teatro Municipal; Teatro Municipal do Porto Residências Artísticas: Teatro Municipal do Porto/Teatro do Campo Alegre; O Espaço do Tempo; Centro Cultural Juvenil de Santo Amaro – Casa Amarela

agradecimentos: 
Ângelo Alves, Anselmo Dias, Ilda Figueiredo, José Goulão, Jorge Cadima, Paulo Costa O projeto SETE ANOS SETE PEÇAS é apoiado pela Câmara Municipal de Almada

Alkantara – A.C. é uma estrutura financiada por: Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Lisboa

Ver Arquivo
  • Maria Matos
  • EGEAC

Morada e Contactos do Teatro

E-mail: geral@egeac.pt

  • Arquivo
  • Teatro Maria Matos
  • Explorar
  • Mapa do Website
  • Termos e Condições
  • Consulte a declaração de conformidade deste Site no Site da comAcesso, nova janela
© 2026 Maria Matos Teatro Municipal
Made by v-a