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Teho Teardo & Blixa Bargeld Nerissimo Informações sobre o Evento
29 Jun 2016
Datas e Horários
quarta ↣ 22h
Preço
preço único: 14€
excecionalmente não se aceitam reservas
Classificação
M/6
Local
Sala Principal
Música

Teho Teardo & Blixa Bargeld
Nerissimo

Folha de Sala

Folha de Sala

Em 2014, quando apresentámos Still Smilling no Teatro Maria Matos, explicámos na folha de sala como Teho Teardo e Blixa Bargeld iniciaram esta colaboração: numa das bandas sonoras de Teho – Una Vita Tranquilla, um filme de 2010, de Claudio Cupellini –, uma canção exigiu um cantor. Recuperando um encontro anterior, um ano antes, Teho contactou Blixa para lhe pedir voz para um tema, semeando a vontade de darem continuidade a essa colaboração. Ao jornal Berliner Morgenpost, o alemão explicou as três condições para esta colaboração ser vencedora: “primeiro, tem de ser um álbum de canções. Segundo, as canções têm de ter uma natureza pessoal, pois a instrumentação, uma espécie de música de câmara, é muito íntima. Terceiro, queria que fosse multilinguístico. Sempre cantei em muitas línguas, mas nunca o italiano”.

 

Still Smiling foi um magnífico disco pop de câmara exemplarmente colocado em palco. Como vimos em 2014, parece não existir melhor enquadramento atual para a voz de Blixa Bargeld, onde pequenas caixas de som parecem receber com particular felicidade toda a amplitude de emoções que o vocalista dos Einstürzende Neubauten consegue atingir. Depois deste disco, editado em 2013, eis um novo lote de canções, lançado há poucos meses, prontas para serem estrelas da noite de hoje. O título Nerissimo parece indicar as diferenças imediatas. Ao site Louder Than War, ambos os músicos explicam as distâncias com o disco de estreia: “Não acho que tenha havido algum pensamento específico em como este álbum devesse ser diferente do anterior. Quis experimentar coisas que não tivéssemos feito antes, com instrumentos para os quais nunca tivéssemos escrito. Não tinha nenhuma ideia conceptual sobre o que este álbum poderia ser. Desejei um álbum de canções que pudessem ser tocadas ao vivo”, diz Blixa. “Nos últimos dois anos”, complementa Teho, “tocámos tantos concertos, em locais como a China, que quisemos fazer um disco que unisse tudo musicalmente. Fazemos um álbum, depois andamos em tour, e depois repetimos tudo”.

 

No entanto, embora não houvesse vontade de mudar, essa mudança aconteceu. Nerissimo traz canções mais ponderadas, menos iluminadas, com outro ritmo e escritas com outros detalhes – a começar pela introdução de instrumentos de sopro. Teho, o artesão dos arranjos do duo, explica, ainda à Louder Than War, que estava saturado de escrever arranjos para violoncelo: “Estava a ficar demasiado previsível e, para além disso, quis experimentar outros instrumentos com o mesmo alcance do violoncelo. Quis experimentar instrumentos que nunca tivesse tocado ou trabalhado. Foi fantástico e muito interessante. Para mim foi uma ótima experiência tentar outras possibilidades de escrita. Fui compondo pensando no violoncelo embora tocado por outros instrumentos – foi interessante para o intérprete porque a música não estava no seu tom e dessa tensão nasceu algo valioso para o que estávamos a fazer”.

 

Para o site Figure 8, Teho aborda também a evolução do seu trabalho com Blixa: “É um contínuo processo de aprendizagem, mesmo quando trabalhamos com a mesma pessoa ano após ano. Começámos a trabalhar juntos em 2008 ou 2009, numa peça de teatro, um ano depois fizemos uma canção para uma banda sonora, depois decidimos escrever mais canções e fizemos um álbum. Foi assim que o disco nasceu. Nunca parámos de trabalhar, temos tocado bastante, fizemos 60 ou 70 concertos e no ano passado tivemos uma digressão na China. Estamos sempre a aprender um com o outro, experimentamos juntos, e quando alcançamos algo, mudamos de direção. Estamos já a falar do próximo álbum e este ainda nem está lançado. É agradável esta situação: estamos a planear um novo EP para depois do verão e um novo álbum. É estimulante e acho que ambos gostamos muito disso”.

 

De todas as bonitas recordações que temos da noite de há dois anos, imediatamente vem à nossa memória o momento em que Teho e Blixa interpretaram covers de inesperadas canções. Percebemos nessa altura que o veículo sonoro criado a dois resiste a qualquer tipo de terreno, criando extenso vocabulário para qualquer tipo de situação. O site The Quietus questionou-os sobre a origem das escolhas – Alone With The Moon dos Tiger Lillies, Crimson & Clover de Patrick Samson e The Empty Boat de Caetano Veloso. “Na verdade, cheguei ao fim”, confessa Blixa, “no meu computador tenho sempre uma pasta cheia de canções que sempre tiveram um lugar muito especial no meu coração e que um dia quero que também sejam minhas, para as resolver de uma vez por todas. Um dia em férias, mostrei ao Teho algumas destas canções e uma delas era The Empty Boat do músico brasileiro Caetano Veloso. Agarrámo-la e foi para o disco. Eu já não tenho mais nenhuma. Talvez haja uma da Marlene Dietrich que queria cantar, mas tirando essa já as esgotei todas. Tenho de esperar que algo me atinja novamente”. Teho recorda a surpresa de Crimson & Clover: “nunca a tinha ouvido antes e o Blixa disse “porque não fazemos esta?”, por isso fui a correr a uma loja de discos na esquina pedir uma cópia para ouvir mas ele mostrou-me um 7 polegadas da versão italiana, Soli Si Muore [de Patrick Samson]. “Decidimos isso quando ainda estávamos em tour para o primeiro disco”, diz Blixa, “ainda não a tínhamos gravado sequer e achei que precisávamos de qualquer coisa surpreendente para os encores. Foi uma grande coincidência haver esta versão italiana que parecia totalmente esquecida. Entretanto, imensas produtoras de filmes já nos pediram para a usar, embora, não tenhamos sido nós a escrevê-la”. “Depois de andarmos a tocá-la ao vivo, recebi um email”, conta Teho, “alguém que viu o concerto e disse que gostava da música e que nos seguia há muitos anos, e que jamais esperaria ouvir aquela canção em particular porque Patrick Samson tinha tido um caso amoroso com a minha mãe”.

 

Nerissimo é um hábil jogo de espelhos, entre culturas e diferentes línguas, de múltiplas referências e contrastes, como uma pequena máquina do tempo que nos fascina e ilude. Nos momentos em que a morte e a sua sombra negra parece cobrir este disco, olhar para a foto que preenche a capa devolve-nos o humor e boa disposição com que Blixa e Teho tecem o espírito colaborativo deste Nerissimo. Porquê esta capa e esta metamorfose críptica? “Pensei seriamente em ter um pintor para fazer um retrato estilo clássico mas acho que teria sido muito arriscado”, diz Blixa, “se não gostarmos da pintura, só temos um único retrato. Deu-se de repente um clique e pensei no The Ambassadors (Hans Holbein, 1533). No chão da pintura está uma representação da Capela Sistina em Roma, aludindo à ordem no mundo. Sabendo que iria ser difícil para um cenógrafo fazer um chão assim, pedi para fazer um à Jackson Pollock, bastante mais representativo da nossa ordem do mundo atual. Ele fez a caveira e o resto é feito com objetos e coisas da nossa vida pessoal. Há muito humor e ironia ali”.

29 Jun 2016
Datas e Horários
quarta ↣ 22h
Preço
preço único: 14€
excecionalmente não se aceitam reservas
Classificação
M/6
Local
Sala Principal

Sinopse

A vinda de Teho Teardo e Blixa Bargeld ao Teatro Maria Matos, em março de 2014, deixou-nos com uma natural vontade de repetirmos esse encontro. Tínhamos a certeza que, ao contrário de outras colaborações mais errantes embora bem sucedidas, Blixa Bargeld teria de prosseguir o trabalho de Still Smiling, o álbum do duo de 2013. Por duas, bem visíveis, razões nessa noite: havia genuína felicidade no rosto de Blixa e a evidente cumplicidade musical com Teho Teardo estendia-se para o palco. Contudo, o golpe de misericórdia foi dado no final do concerto quando revelaram algumas canções posteriores ao álbum, entre Caetano Veloso e o irresistível Crimson And Clover de Patrick Samson, encantando a plateia e deixando-nos a desejar que a ponte área entre Roma e Berlim se repetisse quanto antes. E assim foi: Nerissimo, editado agora mesmo, é o novo resultado de três anos de viagens e encontros regulares, e de uma necessidade assumida em explorar novos territórios da relação pessoal e musical entre Teho e Blixa. Vontades mais negras – negríssimas, dizem – mas cheio de tons, objetos e referências, alusões a filosofia, religião, morte e ilusão, curiosamente ilustrado pela encenação que ambos os músicos fizeram do quadro The Ambassadors de Hans Holbein: acrescente-se, também, e por isso, uma boa dose de humor a esta equação. Musicalmente mais contemplativo e sereno, Nerissimo continua a explorar a pop de câmara de sentimento cinematográfico, acrescentando agora instrumentos de sopro. E tal como há pouco mais de dois anos, para que as novas canções de Nerissimo fiquem tão fieis quanto possível à sua partitura original, Teho Teardo e Blixa Bargeld far-se-ão acompanhar em palco por músicos portugueses que ampliarão a secção de cordas.

 

 

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Material Gráfico Cartaz Teho & Blixa 29 Jun 2016

Ficha Artística

guitarra, sintetizador:
Teho Teardo

voz e pedais:
Blixa Bargeld

violoncelo e Glockenspiel:
Martina Bertoni

clarinetes:
Gabriele Coen

violinos:
Luís Pacheco Cunha e Sílvia Martins

viola:
Cátia Alexandra Santos

violoncelo
:
Catherine Strynckx

crédito fotográfico:
Thomas Rabsch

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