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Super Premium Soft Double Vanilla Rich Toshiki Okada / Chelfitsch Informações sobre o Evento
05 → 06 Jun 2014
Datas e Horários
quinta e sexta ↣ 21h30
Preço
14€ / 7€
Menores de 30 anos 5€
Duração
1h50
Classificação
M/12
Local
Sala Principal com bancada
Teatro coprodução mm

Super Premium Soft Double Vanilla Rich
Toshiki Okada / Chelfitsch

Folha de Sala

Folha de Sala

Quase todas as pessoas no Japão passam numa loja de conveniência todos os dias. É praticamente impossível imaginarmos a vida sem elas. Dizer que não há nenhuma combini perto de um determinado sítio tem a mesma conotação negativa do que dizer que fica “na província”.

Optei por uma loja de conveniência como cenário deste trabalho, porque as combini são simbólicas da sociedade japonesa contemporânea. Se muitas pessoas desconfiam do que está por trás das lojas de conveniência, também têm muita dificuldade em imaginar alternativas realistas. O terramoto gigantesco e a catástrofe nuclear que tiveram lugar há pouco mais de três anos deviam ter propiciado uma mudança profunda nesta nossa sociedade, mas não tem havido sinais de isso estar a acontecer, pelo menos até agora. A combini representa esse status quo social.

 

Toshiki Okada

 

 

 

 

 

 

 

Sei que o nome da sua companhia, “chelfitsch”, é uma versão infantil da palavra inglesa “selfish” [egoísta], mas tenho curiosidade quanto à sua origem e ao que significa para si, se é que significa alguma coisa.

Significava eu próprio, quando lhe dei o nome. Porque me considerava infantil e egoísta. Tinha 23 anos. Mas mudou de sentido, após o nome da companhia se tornar conhecido. Quando um crítico disse que “chelfitsch” descreve a situação social atual, no Japão, especialmente em Tóquio, convenci-me disso, de algum modo. Depois, passei a gostar de usar essa explicação.

 

[…]

 

Como é o processo criativo ao trabalhar com os seus atores? Introduz um guião acabado ou o texto altera-se por via da colaboração? Dá-lhes partes do movimento, como um coreógrafo, ou os atores criam o movimento através da improvisação?

O meu texto altera-se constantemente. Até se altera diariamente, ao longo do período de ensaios. […] Há várias maneiras de criar movimento. Uma vez que não sou coreógrafo, não sou capaz de criar movimento do nada. Em vez disso, peço aos meus atores que retirem movimentos naturais de cada uma das suas deixas e eu, simplesmente, recupero esses movimentos ou manipulo-os. Por exemplo, dou instruções aos atores para “exagerarem os seus movimentos” ou “repetirem continuamente o mesmo movimento”. Por vezes, um movimento deles em particular inspira-me a inventar outro e eu sugiro aos atores experimentarem esses movimentos novos. Basicamente, a improvisação é o ponto de partida de configuração da minha coreografia, mas a improvisação tem lugar mesmo durante a interpretação.

 

A sua escrita é híper-coloquial, mas agora está a criar obras com a expectativa de serem vistas por pessoas que não falam japonês. Isso afeta a escrita de alguma forma? Qual tem sido a sua experiência ao fazer digressões e ao atuar para não falantes?

Acredito que a linguagem oral é importante no teatro mas, ao mesmo tempo, é apenas parte do teatro. E também acho que a linguagem deve afetar o corpo que a verbaliza. A linguagem afeta, não só o discurso, mas também toda a interpretação.

 

[…]

 

Passando tanto tempo em digressão, esteve em contacto com muitos outros artistas e as suas práticas. Isso influenciou a forma como cria? Reagiu a ou foi inspirado por outros?

Quando me sento num café de um teatro onde o meu trabalho está a ser mostrado, sinto realmente qual o tipo de papel que as artes performativas desempenham nas vidas das pessoas locais que habitam na cidade. Tive esse sentimento em todas as várias cidades onde o meu trabalho foi mostrado. Essas experiências influenciaram-me muito e comecei a desejar que o teatro venha a ter uma “função” mais “pública” na sociedade japonesa.

 

Dado que o seu trabalho parece lidar com as experiências que você ou os seus amigos ou os seus colaboradores têm no seu quotidiano, tenho curiosidade em relação ao que lhe está acontecer agora e para onde se pode estar a encaminhar no seu novo trabalho. Sei que têm sido uns tempos conturbados no Japão, com mudanças políticas e problemas económicos e, é claro, o incidente em Fukushima. É a essas coisas que vai reagir em trabalhos futuros?

Presentemente, estou bastante interessado em escrever obras fictícias. Pode dizer-se que tudo o que escrevi/criei foi ficção. No entanto, ao criar os meus trabalhos passados, não estava a criar peças “fictícias” de forma consciente. Desde que o terramoto atingiu o Japão, senti uma grande vontade de escrever histórias fictícias. Comecei a considerar a “ficção”, não como uma “fabricação irreal”, mas antes como uma “alternativa” à realidade. Acho que a sociedade japonesa atual devia mudar para esta realidade alternativa. É por isso que comecei a achar que “são precisas histórias fictícias”. Farei o meu próximo trabalho com esta ideia em mente.

 

Fragmentos de uma entrevista realizada com Toshiki Okada por Jeremy M. Barker para culturebot.org, 27 de dezembro 2011

05 → 06 Jun 2014
Datas e Horários
quinta e sexta ↣ 21h30
Preço
14€ / 7€
Menores de 30 anos 5€
Duração
1h50
Classificação
M/12
Local
Sala Principal com bancada

Sinopse

Smile Factory é uma grande cadeia de lojas de conveniência. Um paraíso brilhante e limpo, onde novos produtos são lançados todas as segundas e terças-feiras. O sabor desta semana é o gelado XXL Super Premium Soft Double Vanilla Rich. No período de um ano, 70% dos produtos da Smile Factory serão substituídos por outros. Os produtos “mortos”, de escoamento lento, serão abandonados e outras mercadorias tomarão o seu lugar. Na loja, os empregados em part-time, o gerente de loja e os clientes insuportáveis dão mostras de cansaço, raiva e desespero crescentes.
Super Premium Soft Double Vanilla Rich oferece um olhar sombrio e cheio de humor negro sobre o híper consumismo no Japão, contrapondo a música de J. S. Bach à ideia de um futuro desolador.

Depois do premiado Hot Pepper, Air-Conditioner and the Farewell Speech, apresentado no Alkantara Festival 2010, Toshiki Okada regressa a Lisboa com uma criação nova. Trabalhando há quase duas décadas com a sua companhia Chelfitsch (um trocadilho com a palavra inglesa selfish), o dramaturgo e encenador é um dos fenómenos mais entusiasmantes da cena artística japonesa e celebrizou-se internacionalmente como cronista da Geração Perdida do Japão, os jovens que se viram confrontados com os limites do chamado milagre económico japonês do pós-guerra.

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Toshiki Okada 05 Jun 2014

Ficha Artística

texto e encenação
Toshiki Okada

interpretação
Makoto Yazawa, Tomomitsu Adachi, Azusa Kamimura, Hideaki Washio, Shuhei Fuchino, Shingo Ota e Mariko Kawasaki

cenografia
Takuya Aoki

figurinos 
Sae Onodera (Tokyo Isho)

direção de cena 
Koro Suzuki

direção de som
Norimasa Ushikawa

direção de luz 
Naoko Ito

compositor 
Takaki Sudo

tradução e legendagem
Leonor Pinela

produção executiva
Akane Nakamura e Tamiko Ouki

gestão 
Nana Koetting

produção 
chelfitsch

produtor associado
precog

uma encomenda 
Theater der Welt 2014

coprodução 
Theater der Welt 2014, Maria Matos Teatro Municipal, LIFT-London International Festival of Theatre, CULTURESCAPES, Kaserne Basel, KAAT (Kanagawa Arts Theater)

agradecimento 
Steep Slope Studio

apoio 
Arts Council Tokyo

Uma coprodução House on Fire com o apoio do Programa Cultura da União Europeia

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