Rui Pregal da Cunha
Sinopse
Quando se pensa na história da mais moderna música portuguesa vai-se sempre desembocar numa encruzilhada que, algures no arranque da década de 80, colocava no mapa o Bairro Alto, clubes como o Trumps, galerias de arte e lojas de roupa que procuravam injectar Londres e Nova Iorque numa Lisboa adormecida. Algures nessa encruzilhada seria possível encontrar Rui Pregal da Cunha, que se lembra de dançar ao som de discos da Ze Records tocados por João Vaz na cabine do Trumps.
Pouco tempo depois, quando o impulso punk se transformou em sofisticação new wave, nasceram os desalinhados Heróis do Mar, mais de lá do que de cá, no som, mais de cá do que de qualquer outro sítio na imagem e nas palavras. Hoje descobre-se que a sombra dos Heróis é longa e não se esgotou na discografia que, simbolicamente, ficou encerrada na mesma década que os viu nascer. Depois dos Heróis do Mar, Rui Pregal da Cunha ainda se reinventou com os LX 90, grupo em que também militava DJ Vibe, ou nos Kick Out The Jams, outra banda com o mesmo Paulo Pedro Gonçalves que abanava os alicerces da nossa monotonia desde o tempo dos Faíscas e Corpo Diplomático.
Agora, Rui Pregal da Cunha ressurgiu ao lado dos Golpes, com uma das mais infecciosas canções dos últimos tempos e, vá lá, senhora, senhores, e todos os outros, fez-nos acreditar que podíamos ser o centro do mundo se realmente quiséssemos.
Rui Pregal da Cunha é o convidado do próximo Super Disco que, no sábado 11 de Dezembro, ocupa o espaço do café do teatro Maria Matos. Rui escolheu um fantástico disco de 1976, um daqueles que provavelmente escutou emitido a partir das cabines do Bairro Alto, que era um bocadinho Soho e um bocadinho Manhattan quando era realmente preciso: Dr. Buzzard’s Original Savannah Band dos… Dr. Buzzard’s Original Savannah Band. É o álbum do clássico disco Cherchez la Femme. Na banda estavam August Darnell e Andy Hernandez, mais tarde parte do turbilhão de funk tropical que respondeu pelo nome de Kid Creole & The Coconuts. Hernandez também é conhecido por Coati Mundi e como tal editou recentemente na Rong um álbum cuja capa evoca, precisamente, a estreia de Dr. Buzzard’s…
Se o mundo não é um loop o que é, afinal?
Rui Miguel Abreu