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Singspiele Maguy Marin, David Mambouch & Benjamin Lebreton Informações sobre o Evento
13 → 14 Mai 2016
Datas e Horários
sexta e sábado ↣ 21h30
Preço
7€ a 14€
Menores 30 anos: 5€
Duração
60 min
Classificação
M/6
Local
Sala Principal com bancada
Informação Adicional

FIMFA LX16

Dança

Singspiele
Maguy Marin, David Mambouch & Benjamin Lebreton

Bios

Bios

Maguy Marin nasceu em Toulouse em 1951. Estudou dança clássica no Conservatório de Toulouse. Entrou para o Ballet de Strasbourg e, mais tarde, mudou-se para Bruxelas, prosseguindo os seus estudos na Mudra, a escola de Maurice Béjart. Em 1978 cria com Daniel Ambash o Ballet-Théâtre de l’Arche, que viria a tornar-se a Compagnie Maguy Marin em 1984. Em 1985 seguiu-se o Centre Chorégraphique National de Créteil et du Val-de-Marne, onde desenvolveu intensamente a sua obra artística e uma intensa difusão pelo mundo. Em 1987, o encontro de Marin com o músico-compositor Denis Mariotte foi o ponto de partida de uma parceria decisiva, que alargou o âmbito da experimentação inicial. Em 1998, estabeleceu-se no novo Centro Coreográfico Nacional, em Rillieux-la-Pape; 2011 foi marcado pela restruturação e pela análise das condições em que se efetuava o trabalho da companhia. Após a intensidade dos anos passados em Rillieux-la-Pape, e três anos passados em Toulouse, a companhia decidiu instalar-se em Sainte-Foy-lès-Lyon, numa antiga carpintaria adquirida em 1995, através dos direitos de autor, onde a companhia irá desenvolver um novo projeto ambicioso: RAMDAM, um centro de arte.

David Mambouch fez parte da companhia permanente de atores do TNP de Villeurbanne até 2010, onde participou em numerosas encenações de Christian Schiaretti. Atuou em Mère & Fils de Joël Jouanneau, com encenação de Michel Raskine. Como encenador, dirigiu o projeto Harold Pinter Club e L’Oracle de Saint-Foix. Escreveu e dirigiu diversas peças no Théâtre Les Ateliers (Lyon), incluindo Kaveh Kanes, Terrible et Noires Pensées e Mains Fermes. A sua peça Premières Armes foi encenada por Olivier Borle no TNP de Villeurbanne. David também escreve argumentos e dirigiu várias curtas-metragens, destacando-se La Grande Cause, uma série de filmes corealizados com Oliver Borle. Foi ator do filme La Maison de Nina (2004). Colabora desde 2012 com a Compagnie Maguy Marin, tanto como realizador, no filme Nocturnes, mas também como intérprete, nas peças May B e Umwelt. Em 2013 criou Singspiele juntamente com Maguy Marin e Benjamin Lebreton. Em 2015 criou e dirigiu um novo espetáculo, Juan, que estreou no TNP de Villeurbanne.

Benjamin Lebreton estudou Arquitetura Paisagista em Paris, formou-se em cenografia na ENSATT – École Nationale Supérieure des Arts et Techniques du Théâtre. Desde 2005, tem desenvolvido o seu trabalho como cenógrafo em vários espetáculos em França e no estrangeiro, destacando-se a sua longa colaboração com o coreógrafo francês Mourad Merzouki. Em 2013 começou a trabalhar em novos projetos com Maguy Marin. Em teatro tem concebido a cenografia para espetáculos de Phillipe Awat, Catherine Hargrave, Thomas Poulard, David Mambouch, Les Transformateurs e Valerie Marinèse. Na Alemanha colaborou com a companhia Scènes na criação de Sonho de uma Noite de Verão, de W. Shakespeare, no StaatTheater Wiesbaden. Paralelamente, trabalha como designer gráfico para diversos eventos culturais e companhias.

Folha de Sala

Folha de Sala

ENTREVISTA DE STÉPHANE BOUQUET A MAGUY MARIN, Paris Art, 15 de Abril de 2014

http://www.paris-art.com/interview-artiste/singspiele/marin-maguy/558.html

“Singspiele” é um género que mistura palavras e música, foi também esta a sua intenção neste caso?

A nossa intenção era trabalhar a partir de retratos de indivíduos e da singularidade de cada um deles. A sua solidão depressa veio flutuar no nosso trabalho. Dos seus rostos surgiu a intuição dos seus corpos ausentes, do seu mutismo no som da sua voz. O sussurro surgiu como uma possível expressão destas solidões. Todos estes elementos sopravam-nos este título, Singspiele, para um espetáculo feito de histórias e de muitas vozes.

Durante a maior parte da peça, uma personagem caminha. A marcha é agora um motivo frequente no seu trabalho. O que lhe interessa particularmente na marcha?

Não vou utilizar a palavra “personagem”. Quando andamos na rua, vemos as pessoas, as pessoas que vão e veem. Mas ninguém caminha da mesma forma. Este é o movimento comum que os seres humanos partilham, seja qual for a nossa idade, as nossas terras. Mas, apesar de comum, este movimento nunca é o mesmo. Estas pequenas diferenças de caminhar, relacionadas com a singularidade dos seres, seja qual for a atividade em que cada um se encontra, a sua idade, a sua cultura, fazem do andar um campo de pesquisa que aprecio particularmente.

Como trabalha o caminhar que muitas vezes não é o natural para si? Aplica-lhe princípios rítmicos específicos?

Eu não sei o que é natural na marcha. Cada povo e cada pessoa nesta nação têm uma maneira particular de andar. Quando vejo as pessoas a andar, fico sempre surpresa ao ver os vários ritmos que usam, conforme o seu corpo, a sua idade, a sua condição e a sua atividade. Tento captar o que na marcha “natural” quotidiana sugere hipóteses e fragmentos de histórias, gosto de imaginá-los, supô-los. Cada elemento corresponde a uma energia, um objetivo, um estado no qual se podem perceber emoções, urgências, estados corporais que nos informam, revelando pedaços da sua história, da sua atividade, dos ambiente em que cresceram.

Em Umwelt ou em Ça quand même, entre outros, os atores-bailarinos eram apresentados frontalmente para o público. Parece que, em parte, volta a este princípio de apresentação em Singspiele. É importante para si que os seres humanos se “apresentem aos outros”? Que estejam face a face?

Eu não sei se isso é importante para mim, mas o meu trabalho envolve sempre esta frontalidade. O momento da representação, do encontro com o público, é o momento em que a relação é criada entre cada uma das pessoas que constituem a audiência e cada um dos artistas a representarem no palco. Uma oportunidade de partilhar o sensível, para entrar em contacto, como um encontro ao qual comparecemos.

O rosto é um elemento essencial nesta peça. Ressoa com os escritos de Levinas, influência claramente reivindicada por si.

Sim, esta peça foi alimentada pelos escritos de Emmanuel Levinas, que expõe a ideia de uma responsabilidade “imemorial” face ao Outro, uma responsabilidade que vai além de “o que se encaixa no suspense de uma era”. Longe de ser parte de uma memória e de uma história particular, esta é uma responsabilidade que nos obriga à fraternidade, para além de qualquer história pessoal e de interesse deste mundo.

Na maneira que o ator assume as diferentes identidades, tornando-se numa série de pessoas famosas, ou não, há um discurso político que se desenha, uma maneira de descrever uma grande comunidade humana?

Há o desejo de afirmar que estes rostos conhecidos e desconhecidos têm um denominador comum, que é o de pertencer à mesma espécie. A espécie humana.

13 → 14 Mai 2016
Datas e Horários
sexta e sábado ↣ 21h30
Preço
7€ a 14€
Menores 30 anos: 5€
Duração
60 min
Classificação
M/6
Local
Sala Principal com bancada
Informação Adicional

FIMFA LX16

Sinopse

Maguy Marin é uma das mais importantes coreógrafas da dança contemporânea europeia e tem sido uma figura central do teatro-dança francês há mais de três décadas. Singspiele parte de uma citação do escritor francês Robert Antelme, conhecido pelo seu retrato do campo de concentração de Dachau, sobre a necessidade que os humanos têm de serem reconhecidos como únicos: “A história de cada pessoa desenrola-se da necessidade de ser reconhecida e reconhecida sem reservas (…)”. Singspiele é um retrato da humanidade, uma reflexão sobre a identidade, a singularidade e a universalidade. Que sensações despertam em nós o encontro com o outro? Há mistérios por trás de cada rosto, e estes esmagam-nos com as suas expressões e testemunham o invisível em cada indivíduo. David Mambouch, um bailarino-ator trabalha aqui sobre a máscara, assumindo os rostos de uma multidão de pessoas em metamorfose constante: rostos famosos e desconhecidos, de todos os sexos e géneros, de todas as cores de pele, de todas as origens sociais, de todas as épocas.

Ficha Artística

conceção:
MaguyMarin

intérprete:
David Mambouch

cenografia:
Benjamin Lebreton

direção de cena:
Rodolphe Martin

desenho de luz:
Alex Bénéteaud

universo sonoro:
David Mambouch

som:
Antoine Garry

assistente de figurinos:
Nelly Geyres

produção executiva:
extrapole

coproduções:
Théâtre Garonne, Daejeon Arts Center, Latitudes prod, Marseille Objectifdanse, Compagnie Maguy Marin, Ad Hoc e extrapole

apoio:
Institut Français du Portugal

crédito fotográfico:
S. Rouaud e Benjamin Lebreton

Apresentação no âmbito da rede House on Fire, com o apoio do Programa Cultura da União Europeia

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