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Simon James Phillips Perto do Ar Informações sobre o Evento
01 Nov 2014
Datas e Horários
sábado ↣ 18h30
Preço
12€ / Com desconto 6€
Excecionalmente não se aceitam reservas. Bilhetes à venda no próprio dia no Panteão Nacional a partir das 17h30. Não se aceita pagamento por multibanco no Panteão Nacional.
Classificação
M/3
Local
Panteão Nacional
Música

Simon James Phillips
Perto do Ar

Bio

Bio

Simon James Phillips é um pianista e compositor australiano, há muitos anos sedeado em Berlim. Apesar da sua formação clássica, Simon tem-se aventurado exclusivamente na improvisação, explorando até ao limite as capacidades acústicas do seu instrumento e dos locais onde atua. Por essa razão, tem colaborado com projetos eletrónicos, procurando expandir ainda mais as hipóteses do piano e da sua composição. Já esteve na programação do Teatro Maria Matos por duas vezes: com o seu grupo The Swifter (da qual resultou a edição de um álbum) e a solo no Panteão Nacional. Este seu regresso à nossa programação e ao Panteão inicia um processo de residência artística em Lisboa, resultante do apoio do governo australiano às artes, que prosseguirá em 2015 com outros trabalhos e colaborações.

Folha de Sala

Folha de Sala

Respirar a fé dos mortos.

 

Simon James Phillips volta a apresentar-se em Portugal. Desta vez, o seu tema é o sopro da vida. Perto do Ar é o nome desta estreia absoluta, uma composição site-specific para o Panteão Nacional (onde o músico tocou em maio deste ano, partilhando o cartaz com o trompetista Peter Evans). Diz o compositor: “A nova peça é sobre a eternidade, o desconhecido, o tempo. É um sexteto de sopros. A estética é muito semelhante à minha estética de piano. Construo uma atmosfera, não uma canção. É a minha primeira obra que considero realmente espiritual (ainda que de uma forma secular). Chama-se Perto do Ar porque a sensação, ou sentimento, ou a compreensão que procuro atingir é algo de extremamente etéreo — muito fugidio. Algo que está ali, mas de que mal nos conseguimos aperceber.”

 

A música de Simon é por estes dias um ato de fé. Mais do que nunca, e nesta peça em particular, de fé na volátil qualidade dos ambientes e dos espaços, dos músicos em quem vai confiar pela primeira vez, do próprio público convidado para a cerimónia, tudo isso metonímias e veículo invisível de uma fragilidade que é a da vida na sua durée efémera e fatal contingência. Daí devermos sempre sublinhar, subtil, mas profundamente, uma dimensão biográfica radical no seu trabalho, microcosmo de uma totalidade que a música afirma a partir da mais íntima das experiências de contacto entre um músico e os seus instrumentos; sejam estes o piano ou um ensemble de sopros, ou simplesmente o seu próprio corpo entregue ao tempo da interpretação. É um orquestrar do acontecimento musical que começa no ofício de tornar a composição coletiva.

“O processo de composição é também bastante especial. Decidi que o ensemble deveria colaborar. Apresentei-lhes um determinado material musical e eles vão então recorrer à improvisação, e a outras técnicas de composição, para — espero — colocar outras ideias sobre a mesa (para mais, assim é mais democrático). Isto não é coisa que se faça com frequência, especialmente com intérpretes de música clássica — é o caso de cinco ou seis deles. Na verdade, é um território bastante desconhecido para eles.”

 

Por estes dias, a música de Simon James Phillips — que conhecemos a partir de Chair, um álbum de piano-solo tão pleno de ansiedade quanto de uma convicção ética encantatória — é depois uma experiência da morte. Mais uma vez, e por outras palavras, da finitude. Em si. Uma radical experiência da morte como culminar-respirar-expirar do sopro que anima a humanidade.

Aqui, Simon é finalmente, e talvez paradoxalmente, o arauto de uma espécie de otimismo; já que ter a coragem de ir tão ao cerne da música como sopro interior é estar a dizer-nos que é possível e necessário — sempre — recomeçar. Nada mais. E por isso, no dia 1 de novembro, aniversário de um dos maiores dramas a que Lisboa alguma vez assistiu, cá estamos, contigo, Simon, com a tua vida de frugal saltimbanco, a respirar, quais mortos otimistas, as notas do teu martírio.

 

Mário Caeiro

investigador em Arte Pública, docente na ESAD.cr, curador e programador cultural

01 Nov 2014
Datas e Horários
sábado ↣ 18h30
Preço
12€ / Com desconto 6€
Excecionalmente não se aceitam reservas. Bilhetes à venda no próprio dia no Panteão Nacional a partir das 17h30. Não se aceita pagamento por multibanco no Panteão Nacional.
Classificação
M/3
Local
Panteão Nacional

Sinopse

Perto do ar é uma tentativa de manter a fé. Eventos catastróficos e a ideia da morte, nossa e de outros, podem muitas vezes bloquear-nos, deixando-nos paralisados na reação, mas nada nos retira a humanidade. A fé, muitas vezes ilusória, parece ajudar-nos a viver no meio da consciencialização da nossa finitude. É exatamente essa fé, que arrasta consigo um salvador otimismo, que a nova composição de Simon James Phillips tenta construir. A natureza etérea do ar — existente, mas intangível — é uma imagem à qual o compositor australiano recorre várias vezes para representar a fé. Nenhum outro local e nenhuma outra data poderiam ter semelhante importância: o Panteão Nacional é a ressonante morada final de algumas almas importantes e, neste dia de Todos Os Santos e do aniversário do Terramoto de Lisboa de 1755, celebram-se outros espíritos passados. Será o ar, invisível e imaterial, manuseado por um ensemble de sopros em diálogo com a acústica impressionante do edifício, que se transformará em som, nobre e eloquente, mostrando-nos como a fé pode ser o alimento da nossa resiliência. Inspirada livremente pela força da peça Fanfare for the common man de Aaron Copeland e escrita para estreia absoluta neste dia, Perto do Ar irá ter a sua partitura definitiva no fim da residência que Simon James Phillips terá no Teatro Maria Matos durante esta temporada e que se inicia neste ambiente de colaboração e experimentação entre os músicos da Orquestra de Câmara Portuguesa e o trompetista alemão Nils Ostendorf.

 

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Material Gráfico Cartaz Simon James Phillips 01 Nov 2014

Ficha Artística

composição:
Simon James Phillips

trompete:
Nils Ostendorf

Orquestra de Câmara Portuguesa
trompa:

Armando Martins

trompete:
Óscar Carmo

trompete:
Paulo Carmo

trombone:
Paulo Fernandes

tuba:
João Aibéo

imagem:
Tania Kelley

Este projeto é apoiado pelo Governo australiano através do Australia Council for the Arts.

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