Prelúdio e Cruz de Sala
Sinopse
No verão de 2011, Sei Miguel confrontou-se com a ideia de expor a sua música num espaço aberto, ao ar livre, contaminado por um universo de sons nem sempre cooperantes com a delicadeza e exatidão das suas composições. Do desafio, como vai sendo seu hábito, nasceu uma nova peça, de nome Lenta Cruz de agosto, sustentada por uma celebração ritualística, coreografada no espaço acidentado do Jardim das Estátuas do Museu do Chiado em forma de cruz. É desse simbólico desenho que nasce Prelúdio e Cruz de Sala, reconfigurando-se para a sala principal do Teatro Maria Matos com novas geometrias, movimentos, intensidades e espiritualidades. Do lado místico passamos para uma cerimónia que se assume barroca e litúrgica, mas impregnada de tropicalismo e de explosões incendiárias que marcam não só a ascenção da cruz central da peça ― alimentada por um prelúdio preparatório e passivo, recuperado de uma composição para octeto de 2002 ―, como também a sua própria extinção no final. Num palco que Sei Miguel deseja ver como uma nave de uma igreja, solene e vertical, o trompetista acompanhar-se-á por Fala Mariam, Pedro Gomes e César Burago, o seu unit core mais regular das suas últimas composições.
Numa altura em que faltam adjetivos para qualificar o seu corpo de trabalho, Sei Miguel prossegue imperturbável o seu percurso rigoroso e único dentro do jazz e da composição moderna. É neste percurso que o Teatro Maria Matos se deseja integrar, mostrando a partir desta estreia algumas das suas obras mais recentes.