Bios
ANDRÉ GONÇALVES
Desde 1998, que desenvolve diversos projetos em diferentes áreas artísticas, nomeadamente nas artes plásticas, música, vídeo, instalação e performance. Os seus trabalhos recentes incluem: Exercícios de Estilo, Guimarães Capital da Cultura (2012), (Un)Foreseen Events, Bienal de Tessalónica (2011), Driven By or The Careless Self-Indulgence of Dystopia, Laboral, Gijón (2010). Estes e outros trabalhos foram apresentados em diversas instituições, galerias e festivais como o Nam June Paik Art Center em Seoul; FILE Festival em São Paulo; Experimental Intermedia Foundation, Digital Salon, School of Visual Arts e New School of Design, em Nova Iorque; Arnolfini, Festival Offload em Bristol; Todays Art em Haia; Steim em Amsterdão; ICA em Londres; Galeria Bon Accueil em Rennes; Pixelache Festival em Helsínquia; La Casa Encendida e Media Lab em Madrid; Galeria 0047 em Oslo; Galeria Ura! em Istambul; Centro Zittelli em Veneza; Festival Netmage em Bolonha; IFI em Pontevedra; Museu Vostell Malpartida em Cáceres; Festival Madeira Dig; Festival EME em Palmela; Fundação Serralves e Casa da Música no Porto; Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural de Belém e Galeria Lisboa 20 em Lisboa. Durante estes anos foram-lhe atribuídas várias bolsas como é o caso da Bolsa Ernesto de Sousa e da bolsa para residência artística em Nova Iorque pela Fundação Calouste Gulbenkian e FLAD. Foi ainda vencedor de uma menção honrosa na categoria de Linguagens Digitais do FILE Prix Lux 2010 em São Paulo e finalista na categoria de Performance no prémio Celeste Prize 2010. O seu trabalho musical, a solo ou em coletivos, está documentado em mais de 15 edições em diversas editoras nacionais e internacionais sob os nomes: Ok.suitcase, In Her Space, Stapletape, Iodo, ltthwhasp, Gigantiq, Sound Asleep, EA, Feltro, Variable Geometry Orchestra. Nos últimos anos tem sido mais reconhecido pelo seu trabalho enquanto criador da marca de sintetizadores modulares ADDAC System. Editou Música Eterna em 2015, a sua primeira obra a solo em 10 anos, unicamente disponível através de uma aplicação para iOS, em iPhone e iPad.
JOSÉ ALBERTO GOMES
Nasceu no Porto em 1983. Completou o curso de piano do Conservatório do Porto e em 2007 finalizou a licenciatura em Composição na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo. Criou laços muito fortes com as novas possibilidades tecnológicas musicais e o papel da música no teatro, cinema, instalações e eletrónica na improvisação, tendo especial interesse em procurar novas formas e novos lugares musicais. Foi docente nos cursos de Música Electrónica e Produção Musical na ESART e em Comunicação Audiovisual e Multimédia na Universidade Lusófona do Porto. Doutorado em Computer Music pela Universidade Católica Portuguesa, com a tese Composing with Soundscapes – Capturing and Analysing Urban Audio for a Raw Musical Interpretation como bolseiro FCT. Dessa investigação desenvolveu o sistema de análise e captação de ambiente sonoro URB. Atualmente é curador do Projecto Digitópia (plataforma de música digital sediada na Casa da Música, no Porto, que incentiva a audição, a performance e a criação musical; baseando-se em ferramentas digitais, enfatiza a criação musical colaborativa, o design de software e de novos interfaces) onde investiga e orienta vários workshops e conteúdos de criação musical em computador e espetáculos. É também docente no curso de Composição na Escola Superior de Música do Porto e professor convidado na University of Saint Joseph em Macau. Mantém uma vida artística intensa apresentando-se regularmente em público tanto em projetos a solo – Blac Koyote, projeto de eletrónica experimental -, como em projetos coletivos – Srosh Ensemble, projeto permanente da Associação Cultural Sonoscopia. É criador nas áreas de música e sonoplastia para a peças de teatro e vídeo, criação e programação para interatividade sonora em instalações sonoras, e composição para eletrónica e ensemble instrumental.
MARIA MÓNICA
Formou-se em Design de Comunicação, Artes Gráficas pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Estudou no Departamento de Design da Universidade de Salford, Manchester, de 2000 a 2001. Estudou música em paralelo com o seu percurso académico em escolas como o Conservatório de Música de Aveiro e a Escola de Música Valentim de Carvalho no Porto sendo o seu instrumento o piano. É multidisciplinar e freelancer através de vários projetos artísticos: ilustração, artes gráficas e impressões DIY para capas de discos, visuais para espetáculos, design. Desenvolve seus próprios projetos de vídeo, animação, ilustração e música. Trabalha com o Serviço Educativo da Casa da Música na criação, desenvolvimento e dinamização de workshops interativos e outras atividades musicais. Pertence à equipa criativa Factor E que promove criação, desenvolvimento e dinamização de workshops e espetáculos do serviço educativo da Casa da Música. Pertence, como baixista, e coordena artisticamente a OGBE, Orquestra de Guitarras e Baixos Elétricos que tem como diretor musical Peixe (Pedro Cardoso). Tem a seu cargo a codirecção musical e artística, com Jorge Queijo, do Ensemble de Gamelão da Casa da Música. Pertence à banda portuguesa Os Príncipes. Desenvolve constantemente novas ferramentas e performances com a técnica do vídeo em tempo real. Utilizando esta técnica, colabora regularmente com o Serviço Educativo da Casa da Música para projeção e arte visual para espetáculos musicais. Faz frequentemente visuais para outros espetáculos musicais ou de dança. Ainda com esta técnica, acompanhou a digressão do primeiro trabalho de Blac Koyote (José Alberto Gomes) onde pode explorar um lado mais minimal e monocromático. De momento faz regularmente projeções para o duo SSS-Q (Susana Santos Silva e Jorge Queijo), para os Sandes (projeto de improvisação de Maria Mónica e Jorge Queijo que pressupõe a extensão a músicos locais dependendo do país ou cidade onde se apresentam). Encontra-se também a desenvolver, ainda através da técnica do vídeo em tempo real, partituras visuais para a Orquestra Futurista de Henrique Fernandes.
RUI DIAS
Nasceu e vive em Braga. O seu trabalho artístico divide-se entre a composição instrumental e eletroacústica, a programação musical, a performance e a criação de instalações sonoras e audiovisuais. É licenciado em Composição pela Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo do Porto e tem o mestrado em Multimédia da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde frequenta o programa doutoral em Média Digitais UT Austin/Portugal, centrando-se a sua investigação na área de geração automática de música. É docente no curso de Música Electrónica e Produção Musical da Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco (ESART-IPCB) e no curso de Composição da Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo (ESMAE-IPP).
Folha de Sala
A sua arte não se resume a Cluster ou Harmonia, mas foi com estes projetos que Hans-Joachim Roedelius colocou o seu nome no Panteão da música do século XX, ajudando a solidificar o espírito experimental da década de 70, entrando numa pequena família que desenhou o krautrock e a música alemã que ainda hoje serve de referência. Embora livros de referência destaquem – e com total justiça – estes projetos, Roedelius foi, sozinho, uma peça essencial da música alemã, planeando caminhos para a composição eletrónica alternativa, expondo com clareza o que a música ambiental poderia ser e, também, abrindo a sua música a uma miríade de colaborações – estratégicas ou improvisadas. Uma vida cheia de importantes acontecimentos, que começam em finais dos anos 60 quando inaugura o Zodiak Free Arts Lab, com o igualmente notável Conrad Schnitzler e o falecido Boris Schaak. Apesar da curta vida, durou apenas alguns meses, este clube berlinense foi uma espécie de embrião fundamental para que alguns nomes eclodissem, polindo ideias musicais à custa de longas sessões de improvisação e de um público que parecia ávido por alternativas à música “burguesa”. Após o encerramento do Zodiak, o cenário underground de Berlim mudou para sempre e alguns dos seus intervenientes pouco tempo depois materializaram projetos que prosseguiram alguns dos entusiasmos e experiências vividos no clube – um desses exemplos chamava-se Kluster, a primeira versão dos Cluster que juntou Roedelius a Dieter Moebius e Conrad Schnitzler. Uma “nébula” permanente de interações eletrónicas, do noise ao mundo maravilhoso do ambientalismo. A enciclopédia online Allmusic chama-os de “o mais importante e frequentemente subestimado grupo de space rock dos anos 70”. Brian Eno seria um dos mais notáveis convidados desta nave espacial, mas também Asmus Tietchens ou Holger Czukay foram passageiros interventivos que ajudaram a fixar os Cluster no firmamento alemão. Em 1974, após a produção de Michael Rother ter alterado consideravelmente o som dos Cluster ao terceiro álbum, Zuckerzeit, os três músicos decidem continuar a semente kosmische criando Harmonia, de onde sairiam dois álbuns de estúdio, entre 74 e 75, e algumas sessões em 76 com Brian Eno que anunciava o grupo como a banda rock mais importante do mundo.
Em 1978, ainda bem dentro do período de atividade Cluster, o álbum Durch die Wüste era finalmente o primeiro registo a solo de Roedelius, e mostrava como uma generosa bola de cristal, os parâmetros que dirigiram a sua maneira de compor nos quarenta anos que se seguiram. Ou seja, fluidez sonora e cristalina, costurada com perfeição artesã em mundos aparentemente contraditórios, misturando técnicas e géneros, decretando a sua lei eletroacústica, passeando pela abstração e cultivando um flirt constante com a música concreta. Depois, uma marca-de-água inconfundível age como polimento ambiental das suas criações, revelando gosto apurado pelo design sonoro, mesmo quando experimenta e rompe com os seus limites. É graças a esta elegância que muitas das suas obras passam a ser apoio fundamental para teatro, dança ou peças radiofónicas. Colocou o seu nome em cerca de 200 discos, como solista ou colaborador. Foi esta incessante procura do novo que o fez voltar ao Festival Semibreve em Braga para colaborar com três músicos e uma artista visual portuguesa, criando uma composição espontânea feita de escuta profunda e de respeito pelas ideias matrizes do universo roedeliano. “Eles colaboraram de um modo muito delicado em algo desconhecido para todos nós. Foi fantástico ouvir e sentir o resultado dos três músicos e a Maria Mónica tomou maravilhosamente conta de todos nós”, conta-nos Roedelius na véspera do concerto do Teatro Maria Matos, onde mais uma vez colabora com André Gonçalves, José Alberto Gomes, Rui Dias e Maria Mónica, a partir de um, agora, quase-zero. Com 81 anos, Hans-Joachim Roedelius continua a desafiar-se constantemente: “adoro desafios, preciso de desafios. E sou um desafiador”.
Menores 30 anos: 5€
Sinopse
De toda uma legião de figuras intocáveis da música alemã de vanguarda dos anos 70, Hans-Joachim Roedelius talvez seja uma das que melhor soube atravessar quatro décadas de exploração musical, deixando uma marca relevante e idiossincrática dentro e fora do período em que o krautrock e as suas derivações decretavam alguma das suas preciosas leis sonoras. Tanto os Cluster como os Harmonia foram peças-chave dessa revolução, e em ambas Roedelius foi seu ilustre elemento fundador. Com uma discografia extensa que ultrapassa a centena de álbuns, este percursor músico berlinense vai passando o testemunho a novas gerações, depois de ter influenciado o código genético de uma grande parte da música que ouvimos nos últimos anos. Este projeto é fruto dessa generosidade e da contínua necessidade que Roedelius sente em concretizar novas ideias com novos parceiros. André Gonçalves (músico e criador dos sintetizadores modulares Addac), Rui Dias (compositor de música eletroacústica) e José Alberto Gomes (curador do projeto Digitópia da Casa da Música e Blac Koyote a solo) estarão novamente convocados depois do belíssimo concerto que apresentaram na última edição do Festival Semibreve, onde inebriaram o público com uma astuta tangente ao universo roedeliano, deixando a matriz intacta mas criando um mundo novo, rico e esfuziante, que, arriscamos nós, compete com alguma da melhor música que o alemão tem produzido. Ilustrando o acontecimento, também Lisboa terá a presença de Maria Mónica no campo visual, trabalhando com projeção de figuras e objetos em tempo real, prolongando de forma onírica o ambientalismo poético da música do quarteto.