Bios
Rodrigo Amado
A celebrar a recente edição de Burning Live at Jazz ao Centro, o mais recente álbum do Motion Trio, gravado ao vivo e tendo como convidado o trombonista Jeb Bishop, Rodrigo Amado afirma-se como um dos músicos de jazz do nosso país com maior projeção ao nível internacional. Projetos recentes com a participação de músicos como Joe McPhee, Chris Corsano, Taylor Ho Bynum, John Hebert, Gerald Cleaver, Paal Nilssen-Love, Kent Kessler ou Dennis Gonzalez, garantiram-lhe um lugar de destaque como um dos mais celebrados improvisadores europeus. Publicações de referência como o Village Voice, nos Estados Unidos, ou a Folha de São Paulo, no Brasil, publicaram recentemente artigos sobre o seu trabalho, e Burning Live at Jazz ao Centro, de 2012, foi eleito como um dos discos do ano pela New York City Jazz Record, publicação associada ao site All About Jazz NY.
Nascido em 1964, estuda saxofone desde os 17 anos. Com passagens esporádicas pela Escola de Jazz do Hot Clube, centrou a sua aprendizagem em aulas particulares com músicos como Carlos Martins, Jorge Reis, Pedro Madaleno ou Patrick Brennan. Na sua discografia (mais de trinta álbuns). conta com participações em discos de Vítor Rua, Rocky Marsiano, DJ Ride, Anabela Duarte ou Mão Morta. Realizou centenas de concertos em todo o país, tendo feito parte de formações como a Máquina do Almoço Dá Pancadas de Flak, os Plopoplot Pot de Nuno Rebelo ou o projeto RAUM de Paulo Duarte. Participou ainda em concertos de músicos como Jorge Palma, Xutos e Pontapés, Pop Del’Arte ou Rádio Macau. Recentemente, gravou com os rockers Black Bombaim uma faixa a ser incluída na coletânea Optimus que assinala o aniversário do site Bodyspace.
Na área do Jazz contemporâneo, colaborou ainda com Adam Lane, Steve Swell, Ken Filiano, Steve Adams, Paul Dunmall, Joe Giardullo, Lisle Ellis, Alex Cline, Bobby Bradford, Vinny Golia, Mike Bisio, Harris Eisenstadt, Dominic Duval, Lou Grassi, Herb Robertson, Mark Whitecage, Peter Epstein, Carlos Zíngaro, João Paulo, Greg Moore, Phill Niblock, Sei Miguel, Rafael Toral, Manuel Mota, entre muitos outros.
Em setembro de 2001, fundou a editora Clean Feed, juntamente com Pedro Costa e Carlos Costa, totalmente dedicada à edição de projetos na área do jazz contemporâneo, projeto que viria a abandonar no início de 2005. Atualmente dirige a sua própria editora, European Echoes, e lidera as seguintes formações: Motion Trio, Hurricane, Wire Quartet e Lisbon Improvisation Players. A partir de 2005, realiza extensas digressões nos EUA que o levam a alguns dos principais clubes de Nova Iorque, bem como a Dallas, Nova Orleães, Austin, Houston, Washington, Filadélfia, Maine, Detroit e Chicago. Em 2008, efetua a sua primeira grande digressão europeia, na Polónia, onde toca com o grupo de Dennis Gonzalez numa série alargada de concertos que iria dar origem ao celebrado The Great Bydgoszcz Concert. Nos últimos anos, começa a gravar para algumas das mais importantes editoras do jazz de vanguarda europeu, como a Not Two (Polónia) ou a Ayler Records (Suécia/França).
Acaba de lançar The Flame Alphabet, terceiro registo do Motion Trio, novamente com Jeb Bishop, desta vez numa gravação de estúdio para a editora Polaca Not Two Records. Até ao final do ano estão ainda previstas a estreia do quarteto formado por Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano; e ainda a estreia de Hurricane, trio de “fusão” que junta Amado a DJ Ride e Gabriel Ferrandini. Dos concertos previstos para este ano, destacam-se a colaboração do Motion Trio com Peter Evans e a participação deste mesmo projeto no Festival Internacional de Jazz de Liubliana.
Atualmente, Amado é ainda responsável pela crítica de jazz no jornal Público, desenvolvendo também uma intensa atividade como fotógrafo.
Peter Evans
É membro da comunidade musical de Nova Iorque desde 2003, quando se fixou na cidade depois de uma graduação no Oberlin Conservatory. Trabalha atualmente numa ampla variedade de áreas, incluindo performances a solo, orquestras de câmara, arte performativa, conjuntos de improvisação total e música e composição electro acústica.
Enquanto performer, Evans tem trabalhado para romper com as barreiras técnicas do seu instrumento e gosta de tocar com configurações de improvisadores consumados. Em cada banda que participa explora, o mais possível, um conceito ou estilo específico.
As bandas atuais incluem o Peter Evans Quartet (com Ricardo Gallo que substituiu Brandon Seabrook, Tom Blancarte, e Kevin Shea), a banda bebop “terrorista” de Moppa Elliott, Mostly Other People Do the Killing, o duo de improvisadores totais hipercativos (com Tom Blancarte), Sparks, o quinteto de free jazz, Carnivalskin (com Klaus Kugel e Bruce Eisenbeil), Language Of com Charles Evans, duos com o trompetista Nate Wooley e o saxofonista Dave Reminick, New York Trumpet Ensemble, tendo despertado um interesse bem firmado nas suas performances a solo.
Em Nova Iorque, Peter também toca música contemporânea de estante, com grupos como International Contemporary Ensemble, Alarm Will Sound, Contiuum e Ensemble 21. Continuou a tocar trompete piccolo em conjuntos barrocos, no Brandenburg Concerto No. 2 na Bargemusic e na Bach’s Mass em B Minor na St Peter’s Church.
Outras colaborações incluem Mary Halvorson, Dave Taylor, John Zorn, Okkyung Lee, Taylor Ho Bynum, Perry Robinson, Jim Black, Evan Parker, Ned Rothenberg, Mark Gould, Jack Wright, Luka Ivanovic, Brian Chase, e Alan Kay. Viagens recentes trouxeram Peter a salas e festivais nos EUA, Canadá, Europa, Reino Unido e Sudeste da Ásia. As gravações incluem: More is More, um álbum de trompete a solo na psi records, o primeiro álbum do Peter Evans Quartet (na firehouse12), com o mesmo nome e Shamokin! , o segundo álbum, pelo MOPDTK, na HotCup Records. Recentemente, na psi records de Evan Parker, edita o duplo CD Nature/Culture, coleção de registos em solo absoluto em estúdio e em concerto.
Sinopse
Foi há pouco mais de dez anos que Rodrigo Amado iniciou discograficamente uma das mais sólidas carreiras do jazz português. Inaugurou os seus Lisbon Improvisation Players em 2002 e, desde então, exibe uma impressionante coleção de gravações e concertos que provam o seu poder de fogo criativo e a sua fácil amizade musical com importantes músicos nacionais e internacionais. Em 2009, Rodrigo Amado junta o jovem baterista Gabriel Ferrandini ao generoso violoncelista Miguel Mira em Motion Trio, oficializando este título e formação como a sua mais eloquente working band. Depois de confrontar o Motion Trio com Paul Dunmall e Jeb Bishop (com quem gravaram o segundo álbum Burning live at Jazz ao Centro e prepararam The Flame Alphabet para ser editado na editora polaca Not Two durante 2013), chegou a vez de partilhar o palco com Peter Evans, prodígio incontestado do trompete e um dos mais poderosos improvisadores em atividade. Pólo catalisador de todas as atenções no jazz em Nova Iorque, Evans desdobra a sua suprema arte em múltiplos contextos, desde os seus vibrantes recitais a solo, às participações em orquestras de câmara, passando por projetos de arte performativa ou composição electroacústica. Músico completo, domina tanto o rigor clássico do trompete como subverte os limites físicos do instrumento, e quem o já viu tocar, não o esquece. É neste altíssimo patamar que Rodrigo Amado coloca, nesta noite, o seu Motion Trio.