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Re-Presentación: Numax Roger Bernat Informações sobre o Evento
18 Set 2013
Datas e Horários
quarta ↣ 21h30
Preço
Entrada livre (sujeita à lotação da sala) mediante levantamento prévio de bilhete no próprio dia a partir das 15h
Local
Palco da Sala Principal
Performance

Re-Presentación: Numax
Roger Bernat

“There’s no such thing as society”
Bio

Bio

Roger Bernat

Estudos incompletos em pintura e arquitetura. Galardoado com o Prémio Extraordinário 1996 do Institut del Teatre de Barcelona. Em 2008 começa a criar espetáculos onde o público ocupa o cenário e se torna protagonista: “O espectador atravessa um dispositivo que o convida a obedecer ou a conspirar e, em todo o caso, a pagar com o seu próprio corpo e a comprometer-se”.

Alguns destes espetáculos são Domini Públic (2008), Pura coincidència (2009), La consagración de la primavera (2010), Please Continue: Hamlet (2011), Pendiente de voto (2012) ou Re–presentación: Numax (2013). Estes espetáculos foram apresentados em mais de vinte países.

Folha de Sala

Folha de Sala

Instruções de uso:

  1. A primeira instrução: não continues a ler! Como acontece com os jogos (e com os eletrodomésticos) é mais fácil descobrir as regras enquanto se joga. Se mesmo assim preferires saltar a primeira das instruções, aqui vão as seguintes:

 

  1. Projetos como Domini Públic, La consagración de la primavera ou Pendiente de voto nascem sem a aura que Benjamin atribuía a grande parte da criação pré-industrial e que durante o século XX o teatro se empenhou em conservar. São espetáculos que, em vez de se apoiarem na presença e nas emoções do intérprete, se afirmam sobre um vazio que tu, como espectador, terás de enfrentar.

 

  1. Nos meus espetáculos parece não haver atores nem cenografia. Não poderás identificar-te com as pessoas e com os objetos que deviam povoar o cenário. Não terás outras coordenadas além de poucos sinais num cenário do qual tu e os outros espectadores serão os únicos habitantes. Tu serás ator do espetáculo. O que não há são espectadores.

 

  1. Serás interpelado e convidado a responder. Terás de decidir se queres seguir as indicações ou ficar de lado. Será com as tuas respostas – ou com os teus silêncios – que o espetáculo ganhará forma. Serás corresponsável pelo espetáculo.

 

  1. O teu papel de espectador será o de avatar que assume uma identidade para protagonizar uma história. A tua responsabilidade estará circunscrita ao tempo e ao espaço da ficção.

 

  1. Estes espetáculos não promovem a participação. São dispositivos inertes até algum espectador lhes dar corpo. Se decidires não os usar e nenhum dos outros espectadores o fizer, o espetáculo desenrolar-se-á virtualmente, como quando lês uma obra de teatro ou um romance.

 

  1. Nenhum espectador terá o privilégio de observar, de fora, o que os outros fazem. Inclusivamente, se fores um desses espectadores que decide não participar, farás parte do dispositivo. Continuando com a analogia anterior, fazes parte do livro a partir do momento em que o decides ler, mesmo que saltes alguns parágrafos ou capítulos inteiros.

 

  1. Tomarás decisões que não serão partilhadas pelos restantes espectadores. O mecanismo tende a individualizar- Esta solidão, que é mais imaginária do que física dada a presença dos outros espectadores, acentuar-se-á porque, como aponta Agamben, o dispositivo tende à evacuação de toda a autoridade1. Não te encontrarás perante um sistema forte que terás de enfrentar fazendo da união uma arma e, ao mesmo tempo, gerando a sensação de comunidade. Aqui sentir-te-ás sozinho.

 

  1. O dispositivo isolar-te-á e confrontar-te-ás com o teu próprio desejo (de espetáculo). Mais do que ver um espetáculo, atravessá-lo-ás. E, no entanto, perguntar-te-ás o que significa isso de fazer parte de uma comunidade ou se tem algum sentido falar dela. Por outras palavras, perguntar-te-ás o que dizemos quando dizemos nós.

 

  1. Ao contrário do espectador que do seu lugar pensa poder julgar, tu estarás imerso num dispositivo em que terás de te orientar sem nunca saberes se escolhes o caminho correto. Ser-te-á difícil julgar e, provavelmente, sairás da sala a julgar-te a ti mesmo, a perguntar-te se o fizeste bem. O espetáculo, no entanto, não tem uma formalização ideal. Cada nova apresentação é criadora de novas formas.

 

  1. O preço que terás de pagar para atuar será o de fazer parte de um dispositivo que nos primeiros compassos te parecerá alheio. Estarás imerso num mecanismo do qual desconhecerás os objetivos e temerás a servidão. Terás de obedecer ou conspirar ou, numa versão perversa da equação, obedecer conspirando. Mas, em todo caso, terás de pagar com o teu próprio corpo e comprometer-

 

  1. Por último, não é uma instrução mas sim um consolo pela boca do físico John Archibald Wheeler: “Por acaso o universo, de alguma forma estranha, é trazido à existência pela participação de quem participa? O ato vital é o ato da participação. A participação é o novo conceito incontestável oferecido pela mecânica quântica. Derrota o termo “observador” da teoria clássica que designa o homem que está seguro por trás de um vidro grosso e protetor e que observa o que acontece sem fazer parte”2Roger Bernat

    —————

    1. Què vol dir ser contemporani? Giorgio Agamben, 2008.
    2. Gravitation. John Archibald Wheeler, 1973.
18 Set 2013
Datas e Horários
quarta ↣ 21h30
Preço
Entrada livre (sujeita à lotação da sala) mediante levantamento prévio de bilhete no próprio dia a partir das 15h
Local
Palco da Sala Principal

Sinopse

Em 1979, depois de dois anos e meio de greves, mobilizações e autogestão, os trabalhadores da fábrica de eletrodomésticos Numax decidiram fazer um filme ― Numax presenta ― com o realizador catalão Joaquim Jordà a narrar esta luta. O filme é uma recolha das discussões e de alguns comités e assembleias dos trabalhadores da fábrica. Em Re-presentación: Numax, Roger Bernat convida o público a participar na reconstituição de algumas cenas do filme de Jordà, recriando os debates e as lutas dos operários da Numax.

Ficha Artística

criação
Roger Bernat

com
Cláudia Jardim

programação
Matteo Sisti Sette

coordenação
Helena Febres

encomenda
Jordi Colomer, no âmbito da sua exposição La Soupe Américaine

agradecimentos
Jordi Colomer, Carolina Olivares, Txalo Toloza, Noe Laviana e Pablo González Morandi

produção
Elèctrica produccions e FRAC Basse Normandie

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