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Pinocchio Primeiros Sintomas Informações sobre o Evento
27 → 05 Mar 2016
Datas e Horários
(exceto segunda 29) 21h30 Domingo 18h30
Preço
6€ a 12€
Menores 30 anos: 5€
Duração
60 min
Classificação
A classificar pela CCE
Local
Sala Principal com bancada
Teatro

Pinocchio
Primeiros Sintomas

Bios

Bios

Os Primeiros Sintomas são um grupo de teatro sediado em Lisboa, com direção artística de Bruno Bravo. Formado em 2001, o grupo tem desenvolvido uma produção de teatro sustentada, alternando entre salas de teatro e espaços menos convencionais, insistindo numa dramaturgia variada, entre peças de teatro clássicas e contemporâneas, ou na adaptação de obras literárias. Nos textos contemporâneos, destaca-se a colaboração de Miguel Castro Caldas na escrita de alguns espetáculos, como Repartição (Culturgest, 2008), Os Assassinos (TEP, 2011 e Teatro da Cornucópia, 2012) e As Bodas de Fígaro Uma Tradução (Teatro Maria Matos, 2012), entre outros. Na adaptação para palco de obras literárias, os espetáculos Frankenstein, a partir de Mary Shalley (Abril e Maio, 2002) e O Retrato de Dorian Gray, a partir de Oscar Wilde (Ribeira, 2013 e Negócio/ZDB, 2014). Os Primeiros Sintomas trabalharam também peças de Ibsen, Strindberg, Tchékhov, Brecht, Oscar Wilde, Beckett, Bernard Pomerance, Edmond Rostand e Mark Ravenhill.

Receberam os prémios: Prémio Time Out 2015 para melhor ator (Paulo Pinto) e melhor espetáculo, com Cyrano, de Edmond Rostand, encenação de Bruno Bravo; Menção Honrosa da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, atribuída em 2014 a O Retrato de Dorian Gray, com encenação de Bruno Bravo; Menção Honrosa da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, atribuída em 2013 ao espetáculo Salomé, de Oscar Wilde, com encenação de Bruno Bravo; Prémio da Crítica 2007 para o espetáculo Foder e Ir Às Compras, de Mark Ravenhill, encenação de Gonçalo Amorim; Globo de Ouro 2005 para melhor espetáculo de teatro e melhor ator (Miguel Seabra) com Endgame, de Samuel Beckett, encenação de Bruno Bravo.

Desde 2010 os Primeiros Sintomas têm como espaço próprio a Ribeira, no Cais do Sodré, que dinamizam como um pequeno teatro, com produções próprias e acolhimento de espetáculos de outros grupos e criativos.

Folha de Sala

Folha de Sala

TRAGEDIA DI UN BURATTINO

Collodi escreveu para crianças um livro belo e terrível. Um terror noturno sobre a exaltação da vida e as dores do crescimento, que chega, inteiro, à idade adulta, como um legado da infância – onde tudo é tão impreciso e disforme que desconfiamos de lá ter estado. É um poema italiano que se lê como uma história – e pode ser à noite, no escuro, melhor ainda se houver um vento suave que embale as cortinas da janela e anime sombras nos brinquedos e nos bonecos do quarto – e que pode ser decorado (como um pequeno épico italiano) como recomenda Ítalo Calvino.

O livro de Collodi, como os grandes clássicos, não termina. As palavras querem, sempre, dizer mais do que o que dizem. Jogam-se as grandes verdades e as grandes mentiras (e são belas as mentiras de Pinocchio) e, como no teatro, misturam-se.

Apesar de não ser uma obra dramática, Pinocchio é um texto cheio de elementos teatrais. A infância, que serve de cenário a tudo o que acontece, com os seus signos próprios – os adultos como figuras antropomórficas, a fada, o tubarão gigante, etc. – já, por si, é um forte apelo ao teatro. Não será a infância o tempo mais teatral na formação do ser humano? Onde jogar e brincar se relacionam com aspetos de afirmação, representação, e com a primeira tentativa de organização do mundo?

Pinocchio, muitas vezes, recorre à imaginação para melhor compreender ou se relacionar com a realidade, e a frase é preciso imaginar que, de quando em vez, repete, tem duplo sentido: é um recurso de sobrevivência do personagem para, por exemplo, combater a fome (lembrando os meninos perdidos de Peter Pan que, na ausência de comida, imaginavam comer grandes banquetes) e ao mesmo tempo apela à imaginação do leitor/espectador: é preciso que imaginem o que eu estou a fazer ou a pensar.

Pinocchio é manipulado, dirigido ou encenado, para representar o papel do rapaz perfeito, um rapaz que se quer igual a todos os outros, enquadrado, como um número par, numa ideia de sociedade (em contraste com a descrição da Terra dos Brinquedos, onde os rapazes e raparigas são livres, plurais, e se exercitam em atividades diferentes).

Ainda o Grande Teatro de Fantoches (o eco de o mundo é um palco) onde Pinocchio se perde pela primeira vez.

Pinocchio é Ulisses, não na ilha de Circe, onde os homens se transformam em porcos, mas na Terra dos Brinquedos onde as crianças se transformam em burros. É Ball, e o ofício de que mais gosta no mundo é comer, beber, dormir, divertir-se. É Ismael a fugir do tubarão gigante. É um ator trágico, sempre enganado, iludido, manobrado no devir de se cumprir rapaz, um rapaz modelo, com ar de Páscoa alegre e festiva, um boneco no Grande Teatro de Fantoches. É um pau, um bocado de madeira.

O texto de Collodi parece prestar-se muito bem à oralidade. Os ritmos e os sons das palavras provocam ambientes e lembram formas musicais, e este será, de todos os textos literários que os Primeiros Sintomas levaram a cena, aquele que mais fala de teatro. Mas neste caso, como nos outros, o livro acaba por ser, sempre, primeiro um elemento estranho, um vírus, e depois, mal ou bem, vai-se integrando como o sujeito principal. Talvez este seja um espetáculo sobre o livro de Collodi. E que bom que seria, como em qualquer clássico, que não tivesse classificação etária.

 

Bruno Bravo

27 → 05 Mar 2016
Datas e Horários
(exceto segunda 29) 21h30 Domingo 18h30
Preço
6€ a 12€
Menores 30 anos: 5€
Duração
60 min
Classificação
A classificar pela CCE
Local
Sala Principal com bancada

Sinopse

Mais do que um livro para crianças, Pinocchio, de Carlo Collodi é, essencialmente, um livro para todos, belo e terrível. São incontáveis as adaptações, os ensaios e os estudos dedicados ao texto desta história, cuja matriz tem suscitado variadíssimas interpretações de significado e, arriscaríamos, explorações filosóficas. A história de um tronco, depois feito boneco, que é manipulado no desejo de se cumprir enquanto pessoa, ressoa como uma alegoria clássica da condição humana e configura também um ritual de passagem do estado de criança ao estado adulto. Como num terror noturno, a odisseia de Pinocchio passa-se num ambiente surrealista, impreciso, moral e amoral, feito de cenários e marionetas, onde os adultos se representam por meio de formas animais, grotescas, informes e infantis. Com esta peça, a companhia Primeiros Sintomas dá continuidade ao trabalho que tem desenvolvido na adaptação para cena de obras literárias. Fá-lo com um texto que, segundo Italo Calvino, devia ser memorizado palavra a palavra como se fosse um poema em verso.

 

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Primeiros Sintomas 27 Fev 2016

Ficha Artística

interpretação:
António Mortágua (Geppetto), Carolina Salles (Pinocchio), Ivo Marçal (Palito), Ana Brandão, Eduardo Breda, Inês Pereira, João Pedro Dantas, Miguel Sopas e Salomé Marques (coro)

encenação, tradução e adaptação:
Bruno Bravo

música e sonoplastia:
Sérgio Delgado

cenário e figurinos:
Stéphane Alberto

desenho de luz:
Alexandre Costa

apoio ao movimento:
Luca Aprea

construção de cenário:
David Paredes

execução de figurinos:
Beatriz Rodrigues

produção:
Paula Fernandes (Primeiros Sintomas)

residência artística:
O Espaço do Tempo

coprodução:
Maria Matos Teatro Municipal

ilustração:
Pedro Lourenço

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E-mail: geral@egeac.pt

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