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Peixe:Avião / Filho da Mãe & Jibóia Ménilmontant | In The Land Of The Head Hunters Informações sobre o Evento
20 Set 2014
Datas e Horários
sábado ↣ 22h
Preço
12€ / Com desconto 6€
Menores 30 anos 5€
Classificação
M/3
Local
Sala Principal
Informação Adicional

em colaboração com Curtas Vila do Conde
com intervalo

Música

Peixe:Avião / Filho da Mãe & Jibóia
Ménilmontant | In The Land Of The Head Hunters

Folha de Sala

Folha de Sala

A edição do Curtas de Vila do Conde deste ano integrou no seu programa Stereo, dedicado aos filmes-concerto, duas propostas que nos encheram de curiosidade e antecipação ao ponto de acabarmos por colaborar com a organização do festival de cinema para as trazermos até ao Teatro Maria Matos. Por um lado, o mais óbvio para a programação de música da nossa sala, é o convite endereçado a músicos por quem nutrimos uma grande admiração; por outro, a oportunidade de ver duas obras cinematográficas que brilham intensamente ainda hoje, um século depois da sua origem, apesar — e também por isso — da sua exibição rara em sala. O filme mais antigo tem justamente 100 anos e é um documento de importância histórica que transcende o cinema: In the Land of the Head Hunters é um documentário que nos mostra a vida da América primitiva, criando um relato honesto e puro, em movimento, sem paralelo na sua história. Realizado por Edward S. Curtis, mais conhecido pelo seu trabalho fotográfico dos nativos norte-americanos, sobrevive milagrosamente em 2014 graças a um restauro recente, aproximando-se como nunca da obra original. É no seu espírito místico e cerimonioso que Filho da Mãe e Jibóia fazem a sua música, em movimentos circulares e encantatórios, convocando os espíritos de outros guitarristas que alimentaram a herança de outras Américas primitivas.

O segundo filme da noite é uma obra-prima absoluta, embora usufrua de alguma obscuridade pública. Realizado em 1926 por um emigrante russo em Paris, Ménilmontant narra o tenebroso drama de duas irmãs que vivem entre violência física e psicológica. Uma das marcas deste filme é o modo como Kirsanoff explora uma hábil e inventiva montagem para imprimir o ritmo e evitar até a presença de intertítulos. Os peixe:avião pegam neste fluxo de imagens impactantes para imporem uma terceira dimensão feita pela eletricidade controlada das suas guitarras e sintetizadores.

 

—

 

In the Land of the Head Hunters

Talvez não fosse essa a intenção original, mas houve um “fantasma” a pairar sobre o terceiro filme-concerto do Curtas Vila do Conde 2014, onde Rui Carvalho aliás Filho da Mãe, e Óscar Silva, aliás Jibóia, musicaram In the Land of the Head Hunters (1914) de Edward S. Curtis. O “fantasma” tem um de dois nomes. Um poderia ser Jim Jarmusch. O outro Neil Young. Em qualquer caso, a referência era claramente Homem Morto, o western desconstruído do realizador americano para o qual o músico compôs a banda-sonora em guitarra solo improvisada. Primeiro, porque este foi um filme-concerto muito Jarmuschiano, a começar pelo lado “fora de horas” que as sessões Stereo têm (arrancando sempre depois da meia-noite), perfeito para as texturas oceânicas e hipnóticas do trabalho de guitarra de Carvalho e Silva, recorrendo repetidamente a pedais de efeitos para construir envolventes ondulações sónicas. (…)

Entre o purismo americano de um John Fahey ou de um Leo Kottke e a angularidade europeia de um Michael Brook ou de um Phil Manzanera, o que se ouviu na noite de quinta-feira no Teatro Municipal foi um contínuo sonoro que ajudou a projectar no presente o fantasma de um passado que já não volta mais. E foi muito, muito bonito.

 

Jorge Mourinha, in Público, 11 de julho 2014

20 Set 2014
Datas e Horários
sábado ↣ 22h
Preço
12€ / Com desconto 6€
Menores 30 anos 5€
Classificação
M/3
Local
Sala Principal
Informação Adicional

em colaboração com Curtas Vila do Conde
com intervalo

Sinopse

A ligação entre som e imagem, no contexto de banda sonora, sempre nos interessou, embora tenhamos apenas feito um filme-concerto, em 2011: A Sombra dos Antepassados Esquecidos de Paradjanov, com música ao vivo dos A Hawk and a Hacksaw. Apresentamos agora duas propostas, retiradas da edição deste ano do festival Curtas de Vila do Conde. Anteriormente designada por Remix, mas desde 2006 apelidada de Stereo, esta secção apresentou em julho deste ano dois filmes bem especiais que contaram com música ainda mais especial. Ménilmontant, realizado por Dimitri Kirsanoff em 1926, será o primeiro filme desta noite, mostrando-nos a razão de ser muitas vezes referido como uma obra-prima. Serão os bracarenses peixe:avião a preencher o vazio sonoro, criando uma textura instrumental original feita de fragmentos da sua pop que dialogará com a montagem inebriante das imagens e o tom negro da sua história. O segundo filme é da autoria de Edward S. Curtis, o mais famoso etnólogo norte-americano que documentou a realidade dos índios nativos. Foi um inovador e prolífero fotógrafo, mas em 1914 realizou In the Land of the Head Hunters, um filme que também acaba por se assumir como um riquíssimo documentário sobre a tribo Kwakwaka’wakw. Foi neste ambiente ritualístico de outras culturas e outros tempos que Filho da Mãe e Jibóia colaboraram para escreverem a sua banda sonora tribal feita também das suas próprias ficções.

 

Ménilmontant, 1926 (38 min)
realização, argumento e montagem: Dimitri Kirsanoff
com: Nadia Sibirskaia, Yolande Beaulieu, Guy Belmont, entre outros

In the Land of the Head Hunters, 1914 (65 min)
realização e argumento: Edward S. Curtis
com: Stanley Hunt, Sarah Constance Smith Hunt, Mrs. George Walkus, Paddy ‘Malid, entre outros

 

Jibóia © Joana Cardoso
Filho da Mãe © Leonor Fonseca
In the Land of the Head Hunters, 1914
Filho da Mãe & Jibóia © João Brites
Filho da Mãe & Jibóia © João Brites
peixe:avião
Ménilmontant, 1926
peixe:avião © João Brites
peixe:avião © João Brites

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Material Gráfico Cartaz Peixe:avião, Filho da Mãe e Jibóia 20 Set 2014

Ficha Artística

Filho da Mãe & Jibóia
guitarra:

Filho da Mãe

guitarra:
Jibóia

fotografia:
João Brites

peixe:avião
guitarra, órgão:

André Covas

sintetizador, baixo:
José Figueiredo

guitarra, eletrónica:
Luís Fernandes

bateria, percussão:
Pedro Oliveira

voz, sintetizador:
Ronaldo Fonseca

fotografia:
João Brites

 

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