Topias Urbanas
Os Dias de Marvila
Jogo Performativo
Ponto de encontro: Praça Raúl Lino, Lóios, Marvila
Sinopse
Na década de 1960, Chelas foi laboratório de modelos utópicos de habitação coletiva. Assim foi construída a Pantera Cor-de-Rosa, composta por vários corpos que desenham um espaço-rua ocupado por um jardim, e um largo. Galerias e pontes fazem a ligação entre a escala das habitações e a escala da cidade. Concebidas como extensões do espaço doméstico que mantêm uma dimensão coletiva esperava-se, ingenuamente, que viessem reforçar relações de vizinhança. Na realidade, impõem aos moradores a negociação quotidiana do seu uso coletivo, suscitando disputas sobre quem deve ter acesso a eles marcadas materialmente pela presença de grandes portões de ferro.
Sobre este edifício-cidade foram criados mitos, contados pelos moradores, que dizem ter sido inicialmente planeado como hospital, até como prisão. Esta associação de arquiteturas projetadas para reforçar laços de vizinhança a outras com funções de correção ou tratamento, em que os corpos são distribuídos concertadamente, analisados e classificados, reflete o desacerto entre as intenções do espaço projetado e a sua experiência vivida.
Em conjunto com os moradores, Topias Urbanas desenhou um jogo performativo em torno da Pantera Cor-de-Rosa que, de modo lúdico e irónico, cruza memórias e vivências ligadas a este edifício-cidade, com questões e situações levantadas pelo uso dos espaços limiares entre público e privado e as dimensões imaginária e ficcional dos mitos que ouvimos. Venham jogar!
Joana Braga

