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O Que Fica do Que Passa Filipe Pereira e Teresa Silva Informações sobre o Evento
28 Jan 2015
Datas e Horários
quarta ↣ 21h30
Preço
6€ aos 12€ Menores de 30 anos 5€
Duração
40 min
Classificação
M/6
Local
Sala Principal com bancada
Dança

O Que Fica do Que Passa
Filipe Pereira e Teresa Silva

Folha de Sala

Folha de Sala

Na sinopse que acompanha O que fica do que passa está escrito “os criadores ativam a beleza, a contemplação e a empatia como motores para compreender e experienciar a peça”. Sugerem ao público que assista ao espetáculo sem procurar um significado e que se disponibilize para uma experiência mais sensorial e intuitiva?

É verdade que pensámos bastante sobre a experiência de ver esta peça. Apesar de não ter sido uma das premissas à partida, essa experiência ocupou-nos e acabou por ser uma das motivações na criação. Durante o processo, colocámo-nos em vários momentos como espectadores para perceber o que nós, Filipe e Teresa, estando nesse lugar, queríamos ver e experienciar. Neste sentido, procurámos que os materiais presentes na peça e a forma como se articulam entre si abrissem espaço a uma experiência sensorial, intuitiva, empática, física e sensível para o espectador. É óbvio que os significados acabam por estar inerentes e por emergir, mas não quisemos que fossem o fator dominante para a fruição da peça. Agrada-nos que a sua compreensão possa passar por outras vias, para além da racional.

 

Do lado do público sente-se um estado de expectativa permanente, como se cada cena fosse um novo começar, deixando-nos em suspenso em cada transição. No entanto, há algo que une estas cenas aparentemente isoladas e independentes.

Do ponto de vista formal, as cenas vão revelando o espaço, abrindo-o por camadas, em direção ao fundo de cena. Por sua vez, existem elementos como formas, ações, cores, significados, etc., que são transversais e que se vão repetindo em cada parte, ainda que traduzidos de maneiras diferentes. A sua recorrência permite que se reatualizem e proliferem os sentidos e as relações, que em cada momento propõem, e confirma-os como pontos de ligação.

Por outro lado e sem querer desvendar muito, esse “algo” é igualmente fruto da convergência dos nossos imaginários, das nossas referências e daquilo que achámos importante trazer para a peça.

 

Como exemplo, podem referir algumas dessas referências e imaginários?

Quando a música de Debussy e com ela a figura do fauno de Nijinsky surgiram no processo, elas vieram não só consolidar muitas das coisas que estávamos a procurar, como foram basilares na construção do imaginário, e consequentemente da fisicalidade e do espaço cénico. Elas ligaram um lugar de leveza, espontaneidade, excitação, felicidade, êxtase; com um lado instintivo, bruto, descontrolado, fortemente ligado à natureza; com a curiosidade e a vontade da descoberta; com a vontade de evocar algo maior que nós, que ao mesmo tempo nos contém e ultrapassa. Talvez um lugar primordial, como se tentássemos tocar as primeiras sensações: a primeira forma de desejo, a primeira forma de ódio, a primeira forma de jogo, a primeira forma de empatia com o outro; ou as primeiras formas e cores: o círculo, o ponto, a linha, o branco, o preto; ou uma primeira luz. Trabalhámos este estado primário, e talvez ingénuo, como forma de olhar para as coisas e de estabelecer com e entre elas uma relação simples.

 

Este é o vosso primeiro trabalho como dupla. Como surgiu e se desenvolveu a vossa colaboração?

A primeira vez que trabalhámos juntos foi em 2010 na peça O mesmo mas ligeiramente diferente, da Sofia Dias e do Vítor Roriz, e desde aí temos vindo a acompanhar o percurso um do outro. Eu [Teresa] já tinha começado a desenvolver um solo, quando o Filipe foi convidado como criador do espaço cénico e como olhar exterior. Ao longo do processo percebemos que queríamos que o espaço cénico tivesse um papel tão performativo quanto o da solista e que nos interessava explorar e contrapor os lugares de figura e fundo, de protagonista e paisagem e isso fez com que ele ganhasse uma relevância que à partida não iria ter. Com o tempo, o trabalho permitiu uma colaboração cada vez mais intrínseca e acabou por ser explorado, construído e decidido em conjunto em todas as vertentes. Em determinado momento só poderia fazer sentido partilharmos a assinatura da peça.

 

O que é que cada um vê no trabalho do outro e de que forma é que isso contribuiu para esta peça?

Teresa: Reconheço no Filipe um grande talento e fascínio pela possibilidade de dar vida a coisas inanimadas e de perceber do que elas são feitas e de como elas podem mover. Ele trabalha de forma objetiva e pragmática, o que o faz conectar-se com o que está aqui, com o que é físico, visível e palpável, e isso sem pré-conceitos, permite-lhe uma amplitude de exploração muito vasta. Acho que a particularidade deste olhar foi fundamental na peça. Por outro lado, ele tem um imaginário muito ligado à Natureza, ao artesanal, ao detalhe e uma leveza e simplicidade que me trouxe uma outra forma de estar perante o trabalho artístico.

Filipe: Claramente, para mim, a Teresa tem uma forma singular de fazer existir uma dança, ela nutre-se do fantasioso, do cómico, do fresco, do expressivo para se relacionar sensitivamente com o que faz. A sua poesia, que se estende além dos limites do próprio corpo, dando a ver para fora deste, permite uma vasta leitura dos materiais físicos e uma variedade de relações com o tempo e o espaço. Isso constituiu um eixo fulcral para informar o processo e para alimentar a minha abordagem aos elementos cénicos e ao meu modo de trabalhar. Naturalmente, a nossa relação pessoal foi matéria de trabalho para a criação da peça. Quisemos que a nossa afetividade transparecesse, como se ela fosse uma extensão daquilo que estávamos a viver entre nós na altura.

 

entrevista a Filipe Pereira e Teresa Silva por Laura Lopes, janeiro 2015

28 Jan 2015
Datas e Horários
quarta ↣ 21h30
Preço
6€ aos 12€ Menores de 30 anos 5€
Duração
40 min
Classificação
M/6
Local
Sala Principal com bancada

Sinopse

O que fica do que passa é sempre uma sensação. Evoca certamente o lugar da memória, mas manifesta-se também naquilo que vemos, como projeção das nossas imagens e ideias.
O espetáculo dos jovens criadores e intérpretes Filipe Pereira e Teresa Silva, estreado no Festival Materiais Diversos 2013 e apresentado já em França e na Áustria, convoca precisamente a memória e os sentidos para o palco. Privilegiando a sensibilidade e a intuição como elementos do espetáculo, interessam-se pelo que pode dar a ver um corpo que não faz mas sugere.
Recorrendo a materiais quotidianos e a uma delicada exploração das potencialidades plásticas e performativas do dispositivo cénico e da luz, os criadores ativam a beleza, a contemplação e a empatia como motores para compreender e experienciar a peça.

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Material Gráfico Cartaz O que fica do que passa 28 Jan 2015

Ficha Artística

criação e interpretação:
Filipe Pereira e Teresa Silva

luz, sonoplastia e figurinos:
Filipe Pereira e Teresa Silva

coreografia:
Teresa Silva

espaço cénico:
Filipe Pereira

aconselhamento dramatúrgico:
Rita Natálio

direção técnica:
Carlos Ramos

música:
excerto de Prelude à l’après-midi d’un faune, Claude Debussy

residências artísticas:
O Espaço do Tempo, Residências ON/OFF (Guimarães 2012),
Espaço Alkantara, Ponto de Encontro (Casa Municipal da Juventude, Câmara Municipal de Almada), Centro Cultural do Cartaxo, O Rumo do Fumo, Atelier Re.al e Auditório Municipal Augusto Cabrita

coprodução:
Festival Materiais Diversos e Fundação Calouste Gulbenkian

agradecimentos:
André Soares, Elizabete Francisca, Francisca Pinto, Maria Lemos, O Espaço do Tempo e O Rumo do Fumo

fotografia:
Joana Patita

 

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