Sinopse
Estamos a testemunhar um dos momentos mais importantes da carreira de Norberto Lobo. Ou, como também vamos percebendo ao longo destes últimos anos, este desafio poderá ser apenas mais uma das brilhantes provas que irá ultrapassar elegantemente com distinção. Desde o seu Mudar de Bina, em 2007, que o guitarrista se assume como um dos mais reinventivos intérpretes portugueses da guitarra, escrevendo um repertório próprio e universal a solo que muitos desejariam concluir numa vida de trabalho. Fala mansa, o álbum a solo de 2011, foi mais um indício da sua tremenda hiperatividade: do fecho do alinhamento final do disco, sobraram ideias de ouro que abriam novos rumos às suas composições, fazendo-o crer que ali jazia parte da sua próxima aventura. Encontrou em João Lobo o cúmplice ideal — uma escolha saudavelmente previsível dado a afinidade, musical e não só, que tem com o baterista; foi com este amigo de infância que se estreou em palco há cerca de 12 anos. Esta espécie de telepatia inexplicável desdobrou as sessões de estúdio a um patamar em que o novo disco rapidamente se autocompletou. E eis-nos chegados ao momento solene: ouvimos pela primeira vez esta nova aventura de Norberto e João, num projeto com movimentos amplos entre o deleite da canção e a demanda do improviso, com referências diretas a mundos tão longínquos quanto a música indiana e brasileira, e onde obras máximas em duo como Mu de Don Cherry ou Interstellar Space de John Coltrane lhes vão dando guarida criativa. Bem-vindos a um dos pontos altos de 2012.