Bojana Kunst
Cultura e a Produção do Mundo: derivas, derivativos e devires
Bio
Bojana Kunst (Liubliana /Hamburgo) é filósofa, teórica de performance, dramaturga e professora. É professora convidada no Departamento de Estudos de Performance da Universidade de Hamburgo. Áreas de investigação: teoria da performance, coreografia contemporânea, teoria política, dramaturgia e filosofia da arte. É membro do conselho editorial das revistas Maska, Amfiteater e Performance Research. As suas publicações incluem Impossible Body (1999), Dangerous Connections: Body, Philosophy and Relation to the Artificial (2004) e Processes of Work and Collaboration in Contemporary Performance (2010).
Em inglês
Sinopse
Informamos que a palestra de Bojana Kunst foi cancelada por motivos de saúde.
A cultura tem sido utilizada de diversas formas: no século XIX, como indicador da excelência estética e reconhecimento da alteridade pelo colonizador; em meados do século XX, como símbolo dos valores conservadores e, no final do milénio, como símbolo de emancipação. Mais recentemente, a cultura tem sido instrumentalizada como redentora das cidades ameaçadas pelo marasmo do pós-desenvolvimento, no contexto das cidades criativas. Depois do colapso financeiro, fomos atingidos pelas consequências da torrente dos derivativos. Haverá forma de pensar no derivativo de modo diferente e ver nele uma lógica social que revalorize os impulsos artísticos radicais que de outra forma parecem fragmentados e dispersos?
Atualmente, a dança e a performance contemporâneas são muitas vezes criadas segundo formas que apagam continuamente as diferenças e nuances entre expressões e subjetivizações. Por exemplo, a prática da dança na Europa, especialmente na última década, passou a estar subjugada à ilusão de uma flexibilidade e produção colaborativa constantes, à mobilidade pela mobilidade, em que as subjetividades do artista têm de tornar-se incorpóreas sob pena de perder ligação e perder oportunidades. Parece existir algo nos modos temporais das obras contemporâneas que, com a sua imaterialidade e flexibilidade, elimina a variabilidade das modulações nas formas de vida, a necessidade de diferentes articulações temporais daquilo que é vivido e as potencialidades da vida. Nesta palestra, falarei sobre esta peculiar forma de cansaço relacionada com a flexibilidade e o movimento contínuo que caracterizam a produção artística e o mercado artístico contemporâneos. Por conseguinte, perante as atuais condições culturais e económicas, a questão central será: como persistir na materialidade contingente das várias expressões que não pertencem a uma temporalidade acelerada de acumulação, mas sim à dinâmica política da mudança.

