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Moçambique Mala Voadora Informações sobre o Evento
23 → 27 Set 2016
Datas e Horários
23 a 27 setembro 2016 (exceto segunda 26) sexta, sábado e terça → 21h30 / domingo → 18h30
Preço
6€ a 12€
Menores de 30 anos 5€
Menores de 18 anos 3€
Duração
75 min
Classificação
M/16
Local
Sala Principal
Teatro coprodução mm

Moçambique
Mala Voadora

Biografia

Biografia

Em 2017, a mala voadora é uma companhia de teatro cuja ação, tendo como centro a produção de espetáculos, se estende tentacularmente a um conjunto de atividades de programação que tem lugar sobretudo no antigo armazém que ocupa no centro da cidade do Porto. A mala voadora foi fundada em 2003 por Jorge Andrade (encenador, ator e dramaturgo) e José Capela (cenógrafo e arquiteto), responsáveis pela direção artística, aos quais se juntaram, em 2013, Vânia Rodrigues como coordenadora de gestão e programação, e Joana Costa Santos agora responsável pela direção de produção.

Para além de Portugal, a mala voadora apresentou espetáculos em: Alemanha, Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Brasil, Cabo Verde, Escócia, Estados Unidos da América, Finlândia, França, Grécia, Inglaterra, Líbano e Polónia. Na programação podem referir-se, a título de exemplo, Uma Família Inglesa (um quase-festival em torno dos parceiros ingleses da companhia) e Happy Together (que inclui uma participação no programa do Fórum do Futuro e um call for art, em parceria com a CMP).

A mala voadora é apoiada bienalmente pelo Ministério da Cultura / Direção Geral das Artes, e é estrutura associada d’O Espaço do Tempo e da ZDB.

Folha de Sala

Folha de Sala

Jorge Andrade nasceu em Moçambique e veio para Portugal com 4 anos, mas em Moçambique (o espetáculo) constrói uma biografia como se tivesse lá ficado. Para tornar credível esta história de vida, impusemo-la à História do país. Jorge Andrade faz agora parte da História de Moçambique.

O trabalho que esteve na origem deste espetáculo passou por uma prolongada investigação bibliográfica e documental em torno da História de Moçambique pós-independência, e por dois períodos de residência no país, com centro em Maputo, com o apoio do Centro Cultural Português / Instituto Camões. O espetáculo teve uma apresentação prévia em Montemor-o-Novo, a 10 de Setembro, no final de um período de residência n’O Espaço do Tempo.

 

Jean Cocteau disse que a História é uma verdade que tende a ser mentira, e que o mito é uma mentira que tende a ser verdade. Talvez tenha razão, ou talvez esteja a desdenhar da História para dizer uma frase impactante, ou talvez pretenda fazer um manifesto de validade sobretudo pessoal. A verdade (deve ser essa a palavra) é que a História não é nunca perfeitamente objetiva e implica sempre um quadro ideológico.
Nos últimos anos, o cinema documental tem sido profícuo na relativização da ideia de “verdade” e na invenção de modelos narrativos tangenciais a uma suposta fidelidade a uma suposta realidade – o que não deixa de ser um curioso contraponto ao teatro que, também nos últimos anos, se aproxima do universo do documentário bastante mais ingenuamente. Talvez se procurem nele substitutos, ou para o efeito emocional da verdade psicológica (mais do que a verdade da representação, a verdade das próprias pessoas), ou para o teatro propagandístico de um certo marxismo primário (um teatro utilitário) – curiosamente, ambas possibilidades modernas que tiveram o seu tempo há mais ou menos 100 anos.
Julgamos que a possibilidade de “verdade” não está num sítio tão evidente. Na arte, nunca está (para não referir que a arte não serve para fazer História). E, nesse sentido, podemos concordar com Cocteau. Moçambique é um espetáculo que parte de material documental – que, tal como um texto de Shakespeare, é uma matéria-prima aberta ao que se quiser fazer com ela. Mas este pressuposto elementar, ou banal, conduziu a um efeito menos previsível: é possível que as partes nas quais é mais difícil acreditar sejam aquelas em que mais nos esforçámos por ser fiéis aos acontecimentos. É assim (est)a História.
Moçambique é o primeiro espetáculo de um díptico que será completado em 2017 com um espetáculo em torno da América Latina.

23 → 27 Set 2016
Datas e Horários
23 a 27 setembro 2016 (exceto segunda 26) sexta, sábado e terça → 21h30 / domingo → 18h30
Preço
6€ a 12€
Menores de 30 anos 5€
Menores de 18 anos 3€
Duração
75 min
Classificação
M/16
Local
Sala Principal

Sinopse

Os três elementos mais antigos da mala voadora nasceram em Moçambique. Um deles é Jorge Andrade. Apesar de ter vindo para Portugal com quatro anos, propõe-se a construir uma autobiografia como se tivesse vivido em Moçambique toda a sua vida. E para que a sua história se torne credível, vai ter de impô-la à História do país. E se o teatro documental só tem interesse se contar mentiras, trazem-se imagens efetivamente documentais para o contexto ficcional do teatro, ficcionando-as de um modo que não visa a verdade. Visa antes, como um romance histórico, inventar uma história cujo contexto advém da História. Jorge Andrade fará parte da História de Moçambique.

 

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Ficha Artística

texto e direção:
Jorge Andrade

com:
Bruno Huca, Isabél Zuaa, Jani Zhao, Jorge Andrade, Matamba Joaquim, Tânia Alves e Welket Bungué.

cenografia:
José Capela

figurinos:
José Capela, com execução de Aldina Jesus

vídeo:
ANIMA e Bruno Canas

banda sonora:
Rui Lima e Sérgio Martins

luz:
Rui Monteiro

coreografia:
Bruno Huca

fotografias de cena:
Bruno Simão  e José Carlos Duarte

imagem de divulgação:
António MV

vídeo de divulgação:
Jorge Jácome  e Marta Simões

assistência:
Francisco Campos Lima

direção de produção:
Joana Costa Santos

apoio à produção e comunicação:
Jonathan da Costa

gestão e programação cultural:
Vânia Rodrigues

audiodescrição:
Anaísa Raquel

apoio à residência artística em Moçambique:
Centro Cultural Português – Maputo/Instituto Camões

apoio:
CAAA, Centro Cultural Português – Maputo / Instituto Camões, Hotel Peninsular, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Nacional São João

agradecimentos:
Agostinho Félix Trindade, Alessandra de Silos Brito, Alexandre Zhao, Amilton Alissone, Dai Jing Zhen, Ekaterina Solomina, Filipe Branquinho, Graça Sousa, Inês Afonso, Luís Santos, Marta Félix, Moldursant, Pia Kramer, Ricardo Areias, Rita Couto, Vanda Marques, Vitor Pinto, Zhao Jia Liang

residência artística:
O Espaço do Tempo

coprodução:
Maria Matos Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto Rivoli/Campo Alegre, Teatro Viriato

A mala voadora é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal – Ministério da Cultura/Direção-Geral das Artes e associada d’O Espaço do Tempo e da Associação Zé dos Bois

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