Claire Rodier, Iolanda Évora, Mehdi Alioua
Migrações
Comunicação de Mehdi Alioua
Exilio, memória e ligação social: captar a África em movimento
Como explicar hoje o exílio em África, num contexto contemporâneo paradoxal no qual se sobrepõem e proliferam diferentes regimes de mobilidade, ligados à globalização e o reforço dos controlos migratórios, em especial devido à pressão da União Europeia (UE)? As fortificações de fronteiras um pouco por toda a África, e especialmente sas suas fronteiras externas limítrofes à União Europeia, ajudam a prolongar a duração da migração e a endurecer terrivelmente as condições migratórias de certas categorias de população, sem no entanto a deter. A experiência migratória torna-se então um tempo social pleno, a sua duração é uma provação dos tempos modernos. Um efeito temporal agrava os marcadores espaciais, fazendo do exílio uma experiência contemporânea cada vez mais compartilhada por categorias de populações muito diferentes em África. Num mundo em movimento onde a viagem é a realidade de todos, mas onde todos não se movem com a mesma facilidade ou como gostariam, o exílio tornou-se uma forma de sociabilização. A minha comunicação basear-se-á na experiência dos exilados vindos da África subsaariana que se instalam na África do Mediterrâneo para aí trabalhar, fazer comércio, estudar e às vezes “queimar” as fronteiras europeias. Pessoas que tiveram de lutar para reconhecer seus direitos – no entanto, tendo conseguido, em Marrocos, mudar a abordagem de securitária a que eram sujeitos, na verdade ainda não gozam plenamente dos direitos que este país lhes concedeu.
Biografias
Claire Rodier (França) é jurista, especializada no direito de asilo e de imigração. Diretora do GISTI – Groupe d’Information et de Soutien des Immigré.e.s, uma associação francesa de defesa dos direitos de pessoas estrangeiras, e co-fundadora da rede euro-africana Migreurop. Os seus centros de interesse e de investigação são as políticas de imigração e de asilo, e as suas consequências sobre os direitos das pessoas migrantes. Neste contexto, realizou inúmeras missões de pesquisa e observação nas áreas fronteiriças e centros de detenção para migrantes da União Européia. Para além das colaborações regulares com revistas académicas e militantes, publicou Immigration, fantasmes et réalités (em colaboração com Emmanuel Terray), La Découverte, 2008, Xénophobie Business, La Découverte, 2012, Migrants et réfugiés. Réponse aux indécis, aux inquiets et aux réticents, La Découverte, 2016 e participou no Atlas des migrants en Europe – Géographie critique des politiques migratoires, Armand Colin, 2017.
Iolanda Évora (Portugal) é psicóloga social, investigadora associada no CEsA/ISEG, da Universidade de Lisboa, professora no ISEG, no mestrado em Cooperação e Desenvolvimento Internacional, e desenvolve investigação pós-doutoral (PNPD/CAPES) no Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, Brasil. A sua investigação tem-se centrado em questões relacionadas com migração, diáspora, género e processos de organização de trabalho. Acompanha e participa nos debates em torno dos Black Studies na Europa, das categorizações étnico-raciais e da categoria social e identitária afrodescendente/portugueses negros/afro-portugueses. Editou o e-book Diáspora cabo-verdiana. Temas em debate, Lisboa, CeSA/ISEG, 2016 e coeditou os livros Género e Migrações Cabo-Verdianas, Lisboa, ICS, 2007; In Progress, Ciências Sociais e Desenvolvimento (I e II), Lisboa, CeSA/ISEG, 2012, Trabalho, sociabilidade e geração de rendimento no espaço lusófono, Coimbra: Almedina, 2004 e As Ciências Sociais em Cabo Verde. Temáticas, abordagens e perspetivas teóricas, Praia e Mindelo: Uni-CV, 2015. É ainda autora no livro Os saberes da cura. Antropologia da doença e práticas terapêuticas, Lisboa: ISPA, 2009. Mehdi Alioua é doutorado em Sociologia, Professora Associado na Faculdade de Ciências Politicas da Universidade Internacional de Rabat, na qual é também titular da cadeira “ Migração, Mobilidades e Globalização”. Mehydi ALioua estuda os movimentos migratórios transnacionais e os espaços transfronteiriços entre a Africa Ocidental, o Maghreb e a Europa, focando-se na Africa Mediterrânea como espaço ambivalente de encontros e de conflitos. Foi, durante 7 anos, presidente da associação antirracista GADEM, a primeira da história de Marrocos, e participou na montagem do de teatro Migrant’Scène Rabat.
Entrada livre (sujeita à lotação) mediante levantamento de bilhete no próprio dia a partir das 15h
live streaming acessível no próprio dia em www.arquivoteatromariamatos.pt
Sinopse
A migração e as diferentes condições de mobilidade a que estão sujeitos os cidadãos do mundo é um dos temas que têm pedido maior atenção politica e ética nos últimos anos, e perspetiva-se tal continuará no futuro próximo. Para além dos anúncios de políticas públicas ou da notícia de catástrofes humanitárias que bordam as fronteiras da europa, na realidade, ainda sabemos pouco do que é a experiência concreta de quem decide migrar. Neste debate propomos um olhar critico e informado sobre essa experiência, pondo lado a lado uma perspetiva sobre a realidade dos movimentos migratórios em África, e outra, que olhará para o que se passa em terreno europeu.
Mehdi Alioua, sociólogo, professor de Ciências Políticas na Universidade Internacional de Rabat e ativista antirracista, trará um olhar sobre as realidades migratórias em território Africano, numa comunicação intitulada Exilio, memória e ligação social: captar a África em movimento, na qual abordará os diferentes regimes de mobilidade que se sobrepõem e proliferam em África, ligados à globalização e o reforço dos controlos migratórios pela União Europeia. A intervenção de Claire Rodier (França), Jurista, Diretora do GISTI, Grupo de Informação e de Suporte aos Imigrantes e cofundadora da rede euro-africana Migreurop, questionará a noção de “crise migratória” numa comunicação intitulada A europa está confrontada com uma “crise migratória” ? Perspetivas e implicações das políticas de imigração e de asilo na União Europeia. Seguir-se-á um debate com moderação ativa de Iolanda Évora, Psicóloga Social, investigadora em pós-doutoramento (PNPD/CAPES) no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Brasil, investigadora associada do CEsA/ISEG e professora do mestrado em Cooperação em Desenvolvimento Internacional.


