Saltar para o conteúdo principal Mapa do Website
  • Arquivo
  • Explorar
  • O Teatro
    • Missão e História
    • Redes de Programação
    • Coproduções
    • Teatro Verde
    • EGEAC
  • pt Idioma em Português
  • en Idioma em Inglês
Macbeth Brett Bailey/Third World Bunfight Informações sobre o Evento
22 → 23 Out 2014
Datas e Horários
quarta e quinta ↣ 21h30
Preço
15€ / Com desconto 7,5€
Menores de 30 anos 5€
Duração
90 min
Classificação
M/16
Local
Sala Principal
Teatro

Macbeth
Brett Bailey/Third World Bunfight

Folha de Sala

Folha de Sala

Uma introdução, por Brett Bailey

 

No rescaldo do genocídio do Ruanda de 1994, quando cerca de um milhão de refugiados hutus, bem como os autores do genocídio se escaparam pela fronteira para a República Democrática do Congo e desestabilizaram a região, acenderam-se tensões étnicas e territoriais de baixa intensidade. As guerras subsequentes e a violência em curso resultaram na morte de 5,4 milhões de pessoas, o maior número num conflito desde a II Guerra Mundial. Milhões de pessoas encontram-se deslocadas. Milícias com filiações étnicas e nacionais fragmentam-se e realinham-se. Surgem chefes militares que reúnem bandidos e crianças-soldado à sua volta e aterrorizam os civis. As violações e a escravidão sexual alastram.

Uma das principais causas desta crise contínua é a riqueza mineral extrema da região. Milícias rivais lutam entre si pelo controlo das minas. Obrigam homens, mulheres e crianças locais a trabalharem nas minas sob a ameaça de armas. Cobram-lhes impostos diariamente, mal lhes deixando o suficiente para sobreviverem. Quando uma nova milícia se apodera de uma mina, massacra, mutila e viola para afirmar o seu poder. As crianças órfãs são recrutadas para as minas ou os exércitos. Os impostos cobrados são usados para sustentar as operações e para comprar armamento e mantimentos. Este sistema é suportado por funcionários do governo locais e vizinhos e por multinacionais que fazem sair os minerais da região e obtêm lucros enormes com as várias etapas de produção de bens de consumo eletrónicos e industriais e de joalharia. Investem dinheiro na zona de conflito e é sabido que facilitam a transferência de armas e munições para as milícias.

 

O primeiro impulso para a feitura deste trabalho surgiu de um desejo de situar Macbeth num contexto africano. Fascina-me a forma como há coisas (religiões, filosofias, formas culturais e bens materiais) a darem à costa ou a serem despejadas nas costas de África e alguém que se apropria delas, as infiltra, modifica e reutiliza.

Queria pegar na ópera de Verdi, de bruxaria, tirania e desejo de poder, e tratá-la da mesma maneira: apropriar-me dela, infiltrá-la, modificá-la. Imaginei a ópera como um monólito arquitetónico do século XIX — como uma catedral colonial — perdido nas florestas ou savanas da África Central; uma lembrança de um período anterior, agora a desmoronar-se, cheia de buracos de balas, pintada com grafitos, a colapsar sob o peso de trepadeiras.

Os temas recorrentes no meu trabalho são as atrocidades escondidas cometidas em África pelos poderes coloniais insaciáveis, a exploração impiedosa dos recursos do

“mundo em desenvolvimento” pelas multinacionais, o “submundo” esquecido em que milhões de pessoas labutam na miséria para fornecer bens e matérias-primas aos mercados do mundo rico e a instabilidade alimentada nestes países pelos “super poderes” expeditos. Enquanto artista sul-africano que viajou e trabalhou em muitos países africanos, estes temas são-me muito familiares. Há muitos anos que estou consciente da catástrofe no leste do Congo: da sua escala e da sua complexidade. Para mim, é impressionante que tão poucas pessoas fora da região estejam a par disso: uma vez que está a fumegar numa zona escura, algures na África Central (em vez de ser no Médio Oriente, por exemplo), é quase invisível.

 

Para Macbeth, criei uma trupe de refugiados-intérpretes das zonas de conflito do leste do Congo. Tinham descoberto um baú velho de parafernália (partituras musicais, vestuário, etc.) de uma companhia amadora, que tinha representado a ópera de Verdi na região, durante o período colonial: uma ligação fascinante entre a situação atual e os horrores cometidos em nome do lucro pelo Governo Belga. A trupe usou o material que encontraram no baú para contar a história dos apuros em que se encontra hoje o seu país. Como as dezenas de milhares de africanos que afluem à Europa todos os anos em barcos pequenos ou em aviões, mas que são vistos como estatísticas problemáticas e sem nome, estes intérpretes têm uma história desesperada para contar. São emissários da Região dos Grandes Lagos que vêm colocar a sua história no palco mundial com firmeza.

 

Encomendei ao aclamado compositor e músico belga Fabrizio Cassol um rearranjo da partitura de Verdi para um conjunto pequeno. Procurei alguém que tivesse trabalhado com teatro musical — fosse ópera ou dança ou o que quer que fosse —, queria alguém que fosse simultaneamente compositor e músico e queria alguém que tivesse tido algum contacto com a música africana. Não há muitas pessoas assim! E o Fabrizio reúne essas características. Ele passou muito tempo no Congo e trabalhou com artistas como Luc Bondy e Alain Platel. Ele fundou um grupo chamado Aka Moon, que se baseia em música que gravou com os Pigmeus quando esteve no Congo.

Queria que ele trouxesse um sentimento africano a Macbeth, mas isso foi muito difícil para ele. Ele acha que a música africana é completamente diferente em termos de ritmo e estrutura. Mas a textura africana consegue infiltrar-se em alguns sítios. O Fabrizio é um músico incrivelmente sensível, ele está em sintonia com a psicologia da música. Fala muito de “vibrações”. Vê-se mesmo como ele faz as cordas trabalharem na orquestra: temos uma secção de cordas muito pequena, 5 instrumentos de corda de um total de 12 músicos, e essas cordas pairam constantemente como insetos, zumbindo e sussurrando, é realmente extraordinário. Ele confere à música uma verdadeira mística.

Eu não queria o peso de Verdi. Não me interessa a pureza da ópera. Ouço mais música pop do que música clássica. Se tiver um controlo remoto de televisão na mão, estou sempre a mudar de canal. Fico espantado com a beleza do trabalho de Verdi, mas não quero trabalhar com a arquitetura pesada de uma ópera do século XIX. Quero algo que se mova rapidamente, onde a música mude constantemente, onde a história esteja constantemente a mudar.

22 → 23 Out 2014
Datas e Horários
quarta e quinta ↣ 21h30
Preço
15€ / Com desconto 7,5€
Menores de 30 anos 5€
Duração
90 min
Classificação
M/16
Local
Sala Principal

Sinopse

“Bailey retrata o mundo africano de orgulho, pobreza e conflito.O compositor belga Fabrizio Cassol transformou a ópera de Verdi numa incomparável peça intimista para ensemble.”
in NRC Handelsblad, maio 2014

Um grupo de artistas africanos, em fuga das atrocidades da guerra interminável no Congo oriental, encontra um baú com figurinos desgastados, um libreto amarelado e uma gravação antiga do Macbeth de Giuseppe Verdi. Decidem, então, repor esta história intemporal de paixão e ambição, no contexto das guerras civis e da exploração insaciável do continente africano. Nesta adaptação radical da história de Shakespeare sobre a fatal atração do poder, um senhor de guerra congolês e a sua ambiciosa mulher assassinam o seu líder e desencadeiam uma sucessão de atrocidades. Situando a ação na zona de conflito dos Grandes Lagos, Brett Bailey torna o Macbeth numa denúncia implacável dos fatores e intervenientes que alimentam as guerras intermináveis que fustigam a região há décadas: a sede do mundo industrializado pelas matérias-primas do subsolo africano, os negócios obscuros dos multinacionais, a ambição e a ganância dos senhores da guerra, a brutalidade das milícias armadas…

 

Morne van Zyl e Brett Bailey
Morne van Zyl e Brett Bailey
Morne van Zyl e Brett Bailey
Morne van Zyl e Brett Bailey

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Macbeth 22 Out 2014

Ficha Artística

desenho de luz:
Felice Ross

coreografia:
Natalie Fisher

cantores:
Owen Metsileng (Macbeth), Nobulumko Mngxekeza (Lady Macbeth), Madoda Ebenezer Sawuli (Banquo), Sandile Kamle, Jacqueline Manciya, Monde Masimini, Siphesihle
Mdena, Bulelani Madondile, Philisa Sibeko, Thomakazi Holland (coro)

No Borders Orchestra:
Mladen Drenic (primeiro violino), Jelena Dimitrijevic (segundo violino), Sasa Mirkovic (viola), Bozic Dejan (violoncelo), Goran Kostic (contrabaixo), Jasna Nadles (flauta), Aleksandar Tasic (clarinete), Ivan Jotic (oboé), Nenad Markovic (trompete), Viktor Ilieski (trombone), Cherilee Adams (percussão) e Dylan Tabisher (percussão)

direção de produção e gestão:
Barbara Mathers

gestão da companhia:
Catherine Henegan

assistência à produção e gestão:
Helena Erasmus

direção técnica:
Miguel Munoz

direção de cena:
Pule Sethlako

assitência técnica:
Carlo Thompson

luz:
Tal Bitton

animação video:
Roger Williams

fotografias projetadas em cena:
Marcus Bleasdale/VII & Cedric Gerbehaye

texto para legendagem:
Brett Bailey

pianista de ensaios:
Jose Diaz

adereços:
Iron Pear and Cristina Domenica Salvoldi

coordenação de figurinos:
Penny Simpson

acompanhamento vocal:
Albert Combrink

copista:
Stephane Payen

coprodutores:
Kunstenfestivaldesarts/KVS, Wiener Festwochen, Theaterformen Festival, Barbican, La Ferme du Buisson/Festival d’Automne

produtores internacionais:
Frans Brood Productions e UK Arts International

agradecimentos:
Roger Christmann, Jan Goossens, Laura Berman, Artscape, Rockefeller Foundation Bellagio Institute

apoio:
Programa Cultura da União Europeia e Artscape

fotografias:
Morne van Zyl e Brett Bailey

 

Apresentação no âmbito da rede House on Fire, com o apoio do Programa Cultura da União Europeia

Ver Arquivo
  • Maria Matos
  • EGEAC

Morada e Contactos do Teatro

E-mail: geral@egeac.pt

  • Arquivo
  • Teatro Maria Matos
  • Explorar
  • Mapa do Website
  • Termos e Condições
  • Consulte a declaração de conformidade deste Site no Site da comAcesso, nova janela
© 2026 Maria Matos Teatro Municipal
Made by v-a