Théâtre La Licorne
Bio
O Théâtre La Licorne, liderado por Claire Dancoisne, tem uma experiência de mais de 28 anos nas artes do teatro de marionetas e do teatro de objetos. La Licorne é, desde o início, o prazer pela construção, o sabor do improvável e do sensível. Esta companhia propõe um teatro em que o objeto animado, mecanizado ou manipulado está sempre no centro dos seus espetáculos, e onde os atores, artistas plásticos e músicos trabalham em conjunto para levar longe a imaginação. A beleza das imagens e a grandiosidade da máscara são a forma desta linguagem teatral, feita de carne, papel e de ‘ferro-velho’. Não naturalista e muitas vezes poético, o teatro de La Licorne inscreve-se na criação teatral contemporânea, mas também na fronteira das artes plásticas e da marioneta. Objetos, máquinas, máscaras e marionetas são indispensáveis na escrita teatral de Claire Dancoisne, porque são capazes de transportar os atores e os espectadores, de transformar o nosso mundo. Máquinas artesanais construídas nas suas oficinas contribuem para a magia dos seus espetáculos, tocam pela sua fragilidade e provocam o riso com a sua aparência insólita. Desde a sua criação, em 1986, a companhia tem feito espetáculos de sala, de rua, para o público jovem, em apartamentos, em lugares incomuns e em grandes eventos… Cerca de trinta e seis criações originais têm viajado pelas estradas de França e participado em inúmeros festivais internacionais. O seu novo espaço dedicado à criação europeia para a marioneta contemporânea e para o teatro de objetos – Outil de création européen pour la marionnette contemporaine et le théâtre d’objets -, abriu em Novembro de 2015, em Dunquerque, e é um local de criação, de formação, de residência artísticas, de exposições e de acolhimento de públicos.
Folha de Sala
A Minha História
Estudei na Escola de Belas-Artes de Lille, em França, e formei-me em Escultura. As limitações materiais não me deixaram continuar nesta área, e tornei-me enfermeira psiquiátrica, por sinal um trabalho que me agradava muito. Paralelamente, comecei a fazer teatro amador, empenhando-me nisso cada vez mais. Antes de ter vontade de criar espetáculos, o que me fascinava era sobretudo a vida que tinha imaginado ser a de uma companhia de teatro. Via-me, entre aqueles atores de rua, em cima de barcas, ao redor de grandes mesas, nunca no mesmo lugar. Imaginava os encontros, as noites passadas a refazer o mundo. Nós refizemo-lo. Muito. E experimentámos. Muito. (…) De dia, eu cuidava dos “loucos”, e à noite, entregávamo-nos também a inventar um mundo onírico para nós. Quando digo “nós”, trata-se dos amigos que são artistas plásticos, músicos. Não havia atores. Não falávamos de teatro. Procurávamos resolver concretamente os problemas que impúnhamos a nós próprios, como, por exemplo, o modo de criar um fantasma no palco, o modo de projetar e contar uma história sobre os movimentos de uma barriga, o modo de pensar um cenário que, de um minuto para o outro, fosse capaz de se construir e de se desconstruir. Começaram a nascer fios, roldanas, máquinas. Um artesanato enorme e engenhoso punha-se em movimento. Parei de exercer o meu trabalho de enfermeira e lancei-me no teatro. (…) Um estágio com Ariane Mnouchkine, encenadora extraordinária, marcou-me de um modo especial. Ela não tolerava o menor movimento impreciso, cuidava do mínimo detalhe, da dobra do figurino ao primeiro passo em cena… Adorei o seu grande rigor. Também descobri, e principalmente com ela, o trabalho com a máscara. E compreendi por onde eu queria ir. A máscara, ainda mais do que o objeto, fascinava-me. Propunha-me tantas possibilidades para criar personagens não naturalistas que se tornou indispensável para mim. (…) Tenho especial interesse pela máscara inteira. As próteses sobre o ator acentuam a transformação. O ator torna-se um “puppet” [marioneta]. É um trabalho próximo da escultura (…).
Criei La Licorne especializando a companhia na máscara e no teatro de objetos. (…) Nunca me perguntei se estava a fazer Teatro de Marionetas. Eu faço teatro. Acontece que o objeto ocupou cada vez mais espaço na cenografia, na dramaturgia, e, simplesmente, em toda a escrita de um espetáculo. Hoje em dia, finalmente, e pela primeira vez, criei um espetáculo em que a marioneta se tornou central. As marionetas de tamanho natural são carregadas pelos atores. Necessitam sempre de muito empenho físico do ator e levam a uma verdadeira discrepância na leitura do espetáculo. Em Les Encombrants font leur Cirque, são jovens atores com marionetas que representam velhos artistas de uma feira de diversões (…). Cada um tem a sua personagem à sua frente. Cada um está ao serviço da marioneta e é responsável pelos seus movimentos, pela sua respiração. Cada um fala e atua em seu nome. É uma grande responsabilidade. Visualmente, o jovem ator manipula a velha personagem, mas esta ocupa o espaço inteiro e impõe as suas exigências técnicas. Um depende do outro. Uma complexidade reforçada, visto que a marioneta manipulada também manipula outros objetos. (…) Trata-se de um verdadeiro empenho físico, na interpretação, na gestualidade, na precisão dos movimentos da marioneta…
Este é um trabalho que requer uma humildade muito grande! O ator deve estar ao serviço de. Há uma energia que deve passar através da matéria. O ator já não existe. Ele é, antes de tudo, aquele que transporta, e, ao mesmo tempo, deve ser um grande intérprete. Dá vida ao inanimado e deve fazer com que se acredite em.
(…)
Pergunto-me a cada espetáculo: haverá necessidade de máscaras e de máquinas? E sempre concluo que sim. (…) Portanto, os meus espetáculos têm um ritmo muito rápido, com as cenas que se encadeiam, com inúmeros objetos. (…) Não é preciso eternizar a contemplação. Os objetos têm algo para dizer num tempo de vida muito curto. Se nos detivermos num objeto, quebraremos a ilusão, sairemos da história.
Claire Dancoisne, “Mon histoire”, em Móin-Móin: Revista de Estudos sobre Teatro de Formas Animadas, N.º 10, 2013, pp. 65-70 (traduzido do francês).
Menores 30 anos: 5€
FIMFA Lx16
Sinopse
A 16.ª edição do FIMFA Lx – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas abre com um espetáculo que nos transporta para um universo singular, entre Júlio Verne, Leonardo da Vinci e as máquinas da companhia de teatro de rua Royal de Luxe. Uma carismática família de centenários, reunida em volta de uma pista de circo, surpreende-nos com a sua fantasia e as suas criaturas artesanais mecanizadas, oleadas, pneumáticas, construídas em ferro e metal. Mesmo com os ossos a estalarem e os dentes a baterem, fazem proezas verdadeiramente utópicas. Triunfantes sob as suas artroses, continuam a ser impertinentes e audazes a fazer o que sempre fizeram: Circo! No programa: domar latas de sardinhas, um louva-a-deus equilibrista e números com peixes vermelhos, centopeias, um tubarão, leões, um rinoceronte, pirilampos e caracóis.