Sinopse
É difícil evitar que citemos esta espécie de carta aberta de Brian Eno de 2007: Devo muito ao Jon. Na verdade, muita gente deve muito ao Jon. Ele semeou uma poderosa e fértil semente cujos frutos ainda hoje colhemos. Parece impossível que alguém tão essencial tenha passado ao lado de tanta gente. Mas a sua revolução foi sempre sem sangue, em surdina, abafada tal como o som do seu trompete mutante. O que conta para a história, de facto, são testemunhos como este, são estas as entradas oficiais para a enclicopédia musical. Isso e os discos que ainda hoje ribombam de emoção e poder, como “Vernal Equinox”, que em 1978 deslumbrou um Brian Eno acabado de chegar a Nova Iorque. Estava criado, ao primeiro take, o seu conceito de Quarto Mundo, onde espíritos e insinuações de outras paragens (Índia, África e América do Sul) se fundem com atitudes e ferramentas contemporâneas. Fusão espiritual e meditativa, acima de tudo, que ainda hoje cimenta as suas criações mais recentes.
“Last Night The Moon Came Dropping Its Clothes In The Street” é o seu álbum de 2009 e um epílogo, se assim o quisermos ouvir, quase perfeito para tudo aquilo que Jon Hassell deu à música nos últimos 30 anos. E falamos em epílogo não porque este disco sugira um fim de qualquer coisa, mas porque transmite uma espécie de encaixe perfeito para algumas das suas essenciais implosões criativas. Epílogo, também, porque há um manto cada vez mais denso de silêncio que corporiza os seus mantras. E, no fundo, falamos sempre do mesmo silêncio que parece abater-se sobre as suas composições, como um aprumo renovado da sua visão de “In A Silent Way” de Miles Davis.