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In Common Ivana Müller Informações sobre o Evento
20 → 21 Set 2013
Datas e Horários
sexta e sábado ↣ 21h30
Preço
6€ a 12€
Menores 30 anos: 5€
Local
Sala Principal com bancada
Performance

In Common
Ivana Müller

“There’s no such thing as society”
Folha de Sala

Folha de Sala

Pequena entrevista com Ivana Müller

(por e-mail, entre 29 de agosto e 8 de setembro de 2013)

 

MARK DEPUTTER: In Common trata da tensão entre o indivíduo e o comum, dos nossos desejos contraditórios de unicidade e pertença. No texto sobre a peça, comparas esta investigação com “as situações e problemas que conhecemos das democracias contemporâneas”. Porque achas que esta comparação é válida?

 

IVANA MÜLLER: No processo de trabalho, estava muito interessada na ideia da “voz”, não só no seu potencial físico, performativo ou emocional, mas também nas implicações políticas. A nível individual, ter uma voz é algo como ter uma individualidade. Tal como a impressão digital, a nossa voz é única. Não há mais ninguém no mundo com uma voz igual. Em várias línguas europeias (holandês e croata, por exemplo) utiliza-se a mesma palavra para dizer “voz” e “voto”. Nas democracias contemporâneas o “voto” costuma ser equiparado à participação política e cívica. Mas, curiosa e paradoxalmente, quando votamos damos o nosso voto – e assim a nossa voz (política) – a outrem, ficando mudo no debate político e público.

Uma outra questão importante foi: como nos exprimimos sozinhos ou em grupo? Ou seja, a peça incide em grande parte sobre a questão: como passar da posição do EU para a dinâmica do NÓS? O que acontece nesta transição? Assim, o trabalho coreográfico passou primordialmente pela organização de dez vozes falando em conjunto, num contexto determinado por conceitos como autoridade, responsabilidade, participação e hierarquia.

Um outro assunto ainda: como fazer sentido em grupo? Como podemos dividir a responsabilidade na criação de sentido (o que é obviamente uma ideia absurda, mas cheia de potencial performativo)? Como podemos negociar os nossos desejos comuns e individuais no contexto de uma ideia do NÓS.

 

MARK: “Fazer sentido em grupo” parece ser um dos maiores desafios dos movimentos cívicos em todo o mundo. As pessoas juntam-se e fazem-se ouvir, mas logo a seguir enfrentam imensas dificuldades em negociar as suas opiniões e desejos individuais. Como na peça In Common, o indivíduo encontra-se em “alianças” diferentes, dependendo do tema. O movimento do EU para o NÓS tornou-se inconsistente e volátil, mesmo assim, na peça tentas “capturá-lo” num dispositivo coreográfico surpreendentemente simples. Como chegaste a um formato tão geométrico, frontal e despojado?

 

IVANA: Na peça, usamos uma série de representações visuais convencionais de grupos ou comunidades, como cardumes, linhas, triângulos, etc. Cada uma pode ser interpretada com uma forma de organização social (tirania, democracia, consumismo…) e implica uma representação específica do indivíduo nesta organização. Também suportam esta dupla questão crucial na peça: “O que representamos?” e “Como somos representados?” Por exemplo, a parte onde um performer é representado pela pessoa à frente gerou a forma de um triângulo. Representar, como indivíduo, uma palavra numa frase, originou a forma de uma linha, reminiscente das linhas num livro de apontamentos. Representar o grupo como indivíduo ou, ao contrário, falar no plural enquanto indivíduo, criou a ideia de uma espécie de conjuntos.

A noção da representação levantou também várias questões acerca da “visibilidade”. Até que ponto queremos tornar a posição de cada um visível (no sentido físico e sociopolítico)? Como alcançamos esta (in)visibilidade no palco? No início do espectáculo, por exemplo, os intérpretes formam uma “massa” irrepresentável, um organismo indefinido que se movimenta no espaço, um “animal social” sem cara, ou sem cara identificável, mas com uma voz amplificada que fala na primeira pessoa: EU.

Em termos formais, a imagem é bastante minimalista. Mas, exatamente por causa da sua simplicidade, esta imagem pode levar o espectador a uma reflexão complexa. E o tempo é obviamente importante: dou muito tempo a cada quadro, porque quanto mais tempo se olha para uma coisa, mais se vê.

 

MARK: Por que razão escolheste dez pessoas jovens e bonitas para representar a organização social? Porque não, por exemplo, jovens e velhos, brancos e negros, gordos e magros, como na vida real?

 

IVANA: Em geral, espectáculos que oferecem um “modelo de identificação” para cada um ou que apresentam “pessoas reais” não me atraem. Penso que é uma tendência propulsionada pelo chamado “teatro documentário” ou talvez até pela publicidade (a começar pelos anúncios da Benetton) e os reality shows na televisão. In Common não procura este tipo de representação da sociedade. Não tem a ambição de ser uma estatística, nem um jardim zoológico da humanidade.

As pessoas que estão em palco são todos intérpretes excelentes e artistas interessantes, com os quais tive o prazer de desenvolver um processo de reflexão e criação que resultou na peça atual. E, obviamente, apesar de serem todos artistas profissionais da mesma faixa etária, há muitas diferenças entre eles: a nacionalidade, a origem social, o género, a orientação sexual, a pronúncia, a maneira de se dirigir ao público…

 

MARK: In Common não é apenas uma peça inteligente e analítica, mas também muito humana e cheia de humor, que cria empatia entre os intérpretes e os espectadores. Foi um objetivo ou algo que sucedeu no processo de trabalho?

 

IVANA: In Common funciona como uma espécie de diálogo entre o intérprete e o público, como sucede na maioria das minhas obras. Os intérpretes dirigem-se direta e frontalmente ao público, o que estabelece imediatamente uma empatia potencial. Acho estimulante esta situação em que olhamos uns aos outros durante uma hora. Potencia o surgimento de várias ideias e emoções enquanto o tempo vai passando, mesmo estando “apenas” no teatro.

A peça é bastante humorística. Penso que o humor é uma ferramenta excelente para criar distância, nomeadamente quando confrontado com temas de grande complexidade. É uma distância que pode enriquecer o nosso entendimento das coisas. É como olhar para um quadro ou uma fotografia. Vemos coisas diferentes quando recuamos um bocado. O humor faz algo comparável: altera o nosso ponto de observação (e, por consequência, a nossa posição de pensamento). Para além disso, rir é uma acção física. Quando nos rimos estamos ativos e empenhados: estamos no local, estamos no presente… estamos com os outros.

20 → 21 Set 2013
Datas e Horários
sexta e sábado ↣ 21h30
Preço
6€ a 12€
Menores 30 anos: 5€
Local
Sala Principal com bancada

Sinopse

Dez performers partilham o mesmo palco, a mesma linguagem e o mesmo conjunto de regras, e inevitavelmente deparam-se com situações que têm de resolver em conjunto, problemas comparáveis aos que conhecemos das democracias contemporâneas. O que acontece quando as pessoas se juntam? Como nos relacionamos em grupo? Poderá um conjunto de pessoas representar uma única ideia? Aquilo que representamos e como somos representados são as questões cruciais que atravessam este trabalho, em que uma série de proposições coreográficas criam um surpreendente espaço de explorações sociopolíticas.
A coreógrafa Ivana Müller cresceu em Zagrebe, mas viveu e trabalhou a maior parte da sua vida fora da Croácia. O seu trabalho, que passa por espetáculos de dança e teatro mas também por instalações, vídeos e artes digitais, aborda frequentemente temáticas como o corpo e a sua representação, a autoinvenção, a autoria ou a relação entre intérprete e espectador.

 

 

https://vimeo.com/60838898

Ficha Artística

conceito, coreografia e direção
Ivana Müller

intérpretes
Esther Snelder, Pere Faura, Karen Røise Kielland, Katja Dreyer, Pedro Inês, Stephen Liebman, Daniel Almgren-Recén, Clara Amaral, Setareh Fatehi, , Bas Jilesen

consultadoria artística e textual
Bill Aitchison

consultadoria
Jonas Rutgeerts

desenho de som
Viljam Nybacka

figurinos Liza Witte

desenho de luz e direção técnica
Martin Kaffarnik

técnico
Ludovic Rivière

produção
I’M’Company/ Wilma Kuite -alles voor de kunsten & Chloé Schmidt

financiado por
Fonds Podiumkunsten, Amsterdams Fonds voor de Kunst, SNS Reaal Fonds

desenvolvido no âmbito
do Encounters Project

Uma coprodução House on Fire com o apoio do Programa Cultura da União Europeia

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