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Hunter Meg Stuart Informações sobre o Evento
28 → 30 Jan 2016
Datas e Horários
quinta a sábado → 21h30
Preço
9€ a 18€
Duração
90 min
Classificação
A classificar pela CCE
Local
Sala Principal com bancada
Dança

Hunter
Meg Stuart

Bio

Bio

Meg Stuart é uma coreógrafa e bailarina Americana que vive em Berlim. Fundou a sua própria companhia, Damaged Goods, em Bruxelas em 1994. Através desta estrutura, Stuart realizou mais de 30 produções, que vão desde solos a coreografias de grande escala, criações site-specific e projetos de improvisação.

Stuart esforça-se por desenvolver uma nova linguagem para cada peça em colaboração com artistas de diferentes disciplinas criativas e procura gerir a tensão entre a dança e o teatro. O uso de dispositivos teatrais, em conjunto com o diálogo entre movimento e narrativa, são temas recorrentes nas suas coreografias. O trabalho de Stuart anda à volta da ideia de um corpo incerto, um corpo que é vulnerável e autorreflexivo. Através da improvisação, Stuart explora estados físicos e emocionais ou as memórias destes estados. O seu trabalho artístico é análogo a uma identidade constantemente em mudança. Redefine-se constantemente enquanto procura novos contextos de apresentação e territórios para dança.

Damaged Goods tem uma colaboração em curso com o Kaaitheater em Bruxelas e o HAU Hebbel am Ufer em Berlim. Convidada pelo director Johan Simons, em 2015-2017 Meg Stuart/Damaged Goods colaborará com a Ruhrtriennale. Em 2016-2017, Meg Stuart/Damaged Goods estará em circulação com VIOLET (2011), Built to last (2012), Sketches/Notebook (2013), Hunter (2014) e UNTIL OUR HEARTS STP (2015).

Folha de Sala

Folha de Sala

Dedicatória. Este movimento é para… Dançar os heróis dela. Tentar ser Bruce Nauman. Espaço de trabalho. O aborrecimento de dançar. O corpo enquanto desperdício. A terra das pequenas coisas. Movimentos esquecidos. Vaguear é uma prática que não precisa de público. Dar um passeio, um método de sobrevivência. Ela é um mapa. Acho que mudar de ideias é uma das melhores coisas que há. Imagina, com todas as coisas que estão a acontecer e a mudar, com a vida a avançar, nova informação que nos chega, imagina-nos a permanecer sempre os mesmos. Sempre os mesmos?! Que bonito é mudar de ideias. (Jonas Mekas) Fala. Como comunicam as pessoas? Como partilham as suas emoções? A carta de Margaret. Memória cheia. Dançar em silêncio sabe bem! Como se comportam as pessoas quando estão sozinhas, a ouvir rádio? Livro de recortes. Estou a tentar relacionar coisas que não compreendo. (Thomas Hirschhorn) Movimentos que ela podia ter feito mas que não precisa de mostrar. Por vezes ela própria não compreende as origens destas danças. O que significa tratar o eu enquanto material? Como é que o teu corpo esquece o trauma, o prazer, ou coisas mundanas? Como se pode falar com a espinha? O que farias se a perdesses? (Allen Ginsberg) Desenhar. Delinear. Observar. Medir. Rondar. Ficção. Genealogia quântica. Digestão. Largar. Açambarcar. “Punding”. “Punding” é um comportamento motor estereotipado no qual existe um fascínio intenso pelo manuseamento e exame repetitivo de objetos mecânicos, tais como coçar-se ou desmontar relógios e rádios ou ordenar e dispor objetos comuns, como alinhar seixos, pedras, ou outros pequenos objetos. (Dicionário médico) Limpar uma base para construir algo a partir daí. Amnésia. Bem-vindo. A mulher trémula ou uma história dos meus nervos. (Siri Hustvedt) O princípio do bonsai. Bolso violento. Arquivo de fotografias de sessões espíritas. Fotogramas. Catálogo de partes. Sincronização corporal. Dança de t-shirt. A audição de Greta Garbo. O figurino está presente. Ela tem atitude. Ela é uma rainha. É uma perdedora. Ela é aberta. Ela é tudo. Carrega tudo consigo, como uma sem-abrigo, mas também é glamorosa. Alquimia. Seguir os passos de uma pessoa, tranquilamente. Seguir os passos de uma pessoa, a cantar. Seguir os passos. (Yoko Ono) Histórias não concretizadas. Antepassados. Cavar. Bordar. A sua mãe comprava roupas para ela, mas como não tinham muito dinheiro, também as vestia, coisa que ela odiava. A Rapariga de Picasso com um espelho. Actuando no casamento de um amigo, ela descobriu que as coisas também podem ser divertidas e feitas de uma forma diferente. Uau. Como poderia ser uma dança feminista hoje? Tira uma fotografia de estranhos de mãos dadas (Miranda July) Pussy Riot. Ulrike Meinhof. Valie Export. Marlene Dumas. Louise Bourgeois. Yoko Ono. Laurie Anderson. Patti Smith. Diamanda Galas. Diane Keaton. Trisha Brown. Pina Bausch. Geografias pessoais. Porquê ser feliz quando podes ser normal? (Jeanette Winterson) Corpo de banda desenhada. Humor, sátira, crueldade, descompressão. Como mover-se de painel para painel? Sarjeta. Sons de comportamento desleixado. Às vezes, ela não sabe. Talvez seja a linha fina do lápis que faz disparar a imaginação das pessoas. Cor que dança é uma questão algo difícil. Tentar trazer muitas pessoas. Ginásio de dança contemporânea. Cada momento é um momento de aprendizagem. Não um momento de hábitos, mas um momento de novas possibilidades para viver neste mundo, e fazer o que sinto ser necessário para viver neste mundo. Então isto não é confortável. (Charlotte Selver) Passe de mágica. Não somos capazes de voltar ao passado juntos, de qualquer forma. Ser armadilhado pela história. Caixão de plexiglas. William Burroughs. Vampiros que se alimentam de hábitos e velhas memórias – ou de sangue fresco? Ela podia improvisar algo diferente todos os dias. Tentar ver se pega. Comportamento ficcional num espaço de trabalho real. Dois mil tapetes de ioga. Caçador. Xamã. Dança folclórica. Vem de trás, talvez pelo ouvido. Todas as canções foram esgotadas. Jogo de miúdas. Riso. Risinho. Ganhar fôlego. Foi, de alguma forma, o meu primeiro ato psicomágico. Tive de me disfarçar. Comecei por me vestir com roupa nova da cabeça aos pés. Não foi escolhida por mim mas por três amigos, para que o fato não refletisse o gosto de nenhum individuo em particular. Preparei um bilhete de identidade falso: outro nome, outra data de nascimento, outra foto. Comprei um bocado de porco, embrulhei-o em papel de alumínio e pu-lo no bolso como um lembrete. O contacto deveras estranho com a carne lembrar-me-ia de que estava numa situação especial e que deveria evitar deixar-me apanhar, não importa o que acontecesse. (Alexandro Jodorowsky) Esta dança está à procura de uma comunidade. De quanta repetição precisamos para que a dança se torne um ritual? Como te poderias transformar ao virares-te do avesso? Dia das bruxas. Willy Wonka e a Fábrica de Chocolate. Nuvem de som. A festa de bolinhos de George Maciunas, 80 Wooster St., 29 de Junho de 1971. O Andy de lado, nunca no meio daquilo, nunca realmente a aceitá-lo. E o George a rir, a rir daquilo tudo, incluindo de Warhol, e colocando no seu lugar a sua própria vida frágil, o mundo totalmente inconsequente e não importante, mundo de caixinhas, puzzles, piadas, tudo no lugar do vazio. As importâncias pesadas ele deixa para o resto do mundo. (Jonas Mekas) Trabalhando na vida quotidiana. Isto é perigoso, por isso ela precisa de um capacete. Ricochete. A vida que ela poderia ter tido se não passasse todo este tempo no estúdio. Se o espaço de trabalho é sempre noutro lugar, então onde tem lugar? Raios-x. Mapear. Pensar através de imagens. Stan Brakhage. Dar de comer à câmara. Cobertor. Zona de memória. Está no vídeo – o vídeo sabe! Caseiro, 1966. Usei a minha memória como uma partitura. Dei-me a instrução para executar e incutir uma série de memórias significativas, preferencialmente aquelas que têm impacto na identidade. Cada unidade de memória é “vivida”, não representada. Monta-se um projetor nas costas do performer e o filme da dança é projectado na parede, chão, teto, e público em sincronia com a ação “ao vivo”. (Trisha Brown) Escapulomância. Dugongo. Diálogo de matar. Pensamento teriomórfico. Discursos, canções, palestras. Amuletos, talismãs, oferendas. Ações de grupo. Consultas. Sombras. Tentar ser cinco mil animais ao mesmo tempo – e depois não. Órgãos sensoriais do passado. Nostalgia de Super 8. Cinema expandido. Descrever o que fazer com o teu corpo quando morreres. (Miranda July) Encontrar, emparelhar, pôr em camadas. Totem. Madeira, feltro, plexi, alumínio, radiante. Porque é que não existe o feminino de “hunter”? Colagem. Cortar, furar, coser, coçar. Amanhã ninguém pode vir porque ela tem de dançar! Quantas vezes tentaste escudar-te lendo o jornal, vendo televisão, ou simplesmente desorientando-te? Essa é a pergunta para 64.000 dólares: quanto tempo é que afinal te relacionaste contigo à vida inteira? (Chogyam Trungpa, Shambhala) Como podia ela observar o que toda a gente está a fazer? Às vezes está a caricaturizar-se, à sua pesquisa e aos seus desejos. Ela tem de sentir-se livre para ser ridícula. Onde está ela agora? Onde estás tu agora? Povoando o espaço off. Criando ângulos. Microcosmos. Como montar alguma coisa, depois apagá-la e recomeçar cinco ou seis vezes seguidas? O cuspo é importante. Nós. Animação. Chamada à realidade. O esforço de manter as coisas unidas. Por um momento, assaltou-me o sentimento de que o meu trabalho, a minha visão, vai destruir-me, e por um momento fugaz permiti-me olhar dura e prolongadamente para mim, algo que de outra forma não faria – por instinto, por princípio, por autopreservação – olhar para mim com curiosidade objetiva para ver se a minha visão ainda não me destruiu. Achei reconfortante notar que ainda estava a respirar. (Werner Herzog, Conquest of the Useless) Fazer voar o blusão. Mesa giratória. O gato de Schrödinger. Blogar. Cinema vertical. Ela não sabe como e porque deveria gerir a repetição. Fazer uma faixa de encorajamento. (Miranda July) Como te podes mover num espaço que não conheces ainda? Sem entretenimento, sem explicação. Ela tenta ser ela própria. New wave dos anos 80, mazinha, seca e fria. Gaita de beiços. Blues. Shapido. Barco a ranger. Toda a acção está envolta pelo silêncio. Uma sombra é uma memória de nós. Desaparece logo que nos afastamos dela. (Yoko Ono) Sem sangramento. Uma série de retratos, de 20 segundos a 20 minutos. Esgotar clichés. Camuflagem. Partir, deixar cair, esmagar. Imprimir. Canalizar. Bruxaria. Serpente. Quando é que as mulheres perderam o seu poder? [This is the happy house, we’re happy here in the happy house / Oh, it’s such fun, fun, fun] (Siouxie and the Banshees) Ela podia conseguir fotografias de todas estas histórias para as provar – são mesmo verdade! Outras frases em palco. Ela não precisa de estar visível quando está a falar. Ela não precisa de ser uma imagem, pode estar em qualquer lugar. Andar de pássaro. Brilhar intensamente. Esquina doméstica. Ponderosa. Sauna. Noção de aparência. Silhueta. [Il est un diseur, elle calembourgeotte  /  Il  parle,  elle  parlotte  /  Il  joue  à  la  bourse,  elle boursicotte / Il cuisine, mais elle popotte / Il siffle comme un merle, mais elle sifflotte / Il tousse, elle toussotte / Il bouquine, elle bouquinotte / Il vit, elle vivotte] (Louise Bourgeois) Música que está ligeiramente desfasada. Este jazz dá-te mesmo uma dor de cabeça! Blondie. David Bowie. Carolee Scheneemann. Gloria Steinem. Chantal Akerman. Linda Blair. Riot Grrrl. Abigail Child. Bang! A Supermulher derrubou a Mary Stuart. Vozes sussurrantes. Acústico. Quase. Rebobinando a cassete. Expandindo o terreno de caça. Espetáculo de magia. Com que se parece um espaço onírico, quando já não se está limitado pelas memórias? O quarto que fizeste. Leva toda a raiva para fora do quarto. Leva toda a tristeza para fora do quarto. Leva todas as sombras para fora do quarto. Abre a janela. Deixa tudo no quarto inspirar a brisa oceânica. (Yoko Ono) Transformação. Tremeluzir. Pontas soltas. Reintegração. Comunicação. Treinamento. Transmitir a herança dela. Ela não é uma personagem, mas uma agente. Esta dança está à procura de uma comunidade. [Every day brings change / And the world puts on a new face / Certain things rearrange / And this whole world seems like a new place / What’s this whole world coming to? / Things just aren’t the same / Anytime the hunter gets captured by the game.] (Smokey Robinson) Improvisar no palco faz parte da história dela – sabe bem. Redirecionar a urgência de destruir coisas. A espera, a perseguição, o desejo, o sacrifício, a compreensão. Drapear. Fragmentos. Árvores que deslizam. Manter vivo o espaço entre as imagens. Pequenas perturbações. O estúdio também é uma ficção. Demasiada autenticidade. Grotesco. Desaparecimento. Estamos na colagem da colagem da colagem. Vaguear. Tornar-se uma folha de papel. Atmosferas. Laranja. Pausa. Clarões.

 

Palavras de Meg Stuart e dos seus colaboradores, reunidas por Jeroen Peeters durante o processo criativo de Hunter (maio 2013 – março 2014).

28 → 30 Jan 2016
Datas e Horários
quinta a sábado → 21h30
Preço
9€ a 18€
Duração
90 min
Classificação
A classificar pela CCE
Local
Sala Principal com bancada

Sinopse

“Como é que eu posso digerir as muitas influências e traços que me formaram enquanto pessoa e artista? Como pode o meu corpo desdobrar genealogias quânticas e histórias por realizar?”. Neste seu solo, Meg Stuart explora o próprio corpo como um arquivo povoado por memórias pessoais e culturais, antepassados e heróis artísticos, fantasias e forças invisíveis. Descobrindo traços na terra das pequenas coisas que se demoram à volta do seu corpo, Stuart faz a sua tradução numa série de autorretratos. A memória é trabalhada na mesa de montagem da coreógrafa e é a partir desta experiência que surgem ligações potenciais e aparecem formas como as de um corpo de desenho animado, um ritual de canto xamânico ou uma escultura sonora ruidosa. Os estados de espírito de Stuart reverberam assim em diferentes meios de expressão e os seus ecos ressoam num mundo partilhado.

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Meg Stuart 28 Jan 2016

Ficha Artística

coreografia e performance:
Meg Stuart

dramaturgia:
Jeroen Peeters

som:
Vincent Malstaf

cenografia:
Barbara Ehnes

adereços:
Claudia Hill

desenho de luz:
Jan Maertens

vídeo:
Chris Kondek

assistente de coreografia:
Ana Rocha

assistente de cenografia:
Giulia Paolucci

assistente de adereços:
Kahori Furukawa

assistente de vídeo:
Phillip Hohenwarter

direção técnica:
Oliver Houttekiet

técnicos de palco:
Gilles Roosen

direção de produção:
Eline Verzelen

direção da digressão:
Annabel Heyse

produção:
Damaged Goods

coprodução:
HAU Hebbel am Ufer, La Bâtie Festival de Genève, Gessnerallee, BIT Teatergarasjen e Les Spectacles Vivants – Centre Pompidou

apoio especial:
Hauptstadtkulturfonds

fotografia:
Iris Janke e Maarten Vanden Abeele

Meg Stuart & Damaged Goods têm o apoio do Governo Flamengo e da Comissão da Comunidade Flamenga

 

uma coprodução House on Fire com o apoio do Programa Cultura da União Europeia

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