Karnart Perfinst
Gender Trouble
Bio
A KARNART C. P. O. A. A. (KARNART, Criação e Produção de Objectos Artísticos, Associação) é uma associação privada portuguesa, sem fins lucrativos, sediada no n.º 168 da Avenida da Índia, a Belém, em Lisboa, cujo objeto social se prende com a criação e a produção profissionais de objetos artísticos ― plásticos, performativos, audiovisuais e outros ― centrados no conceito de PERFINST (PERFormance-INSTalação).
A KARNART C. P. O. A. A. foi fundada em 2001 pelo ator, encenador e produtor Luís Castro ― em associação com o artista plástico Vel Z (Velez), a designer de moda Fernanda Ramos, a fotógrafa Maria Campos e a produtora e realizadora Filipa Reis ― para dar continuidade ao trabalho de criação artística que vinha a desenvolver desde 1991, em Lisboa e em Londres, com um grupo fixo de colaboradores.
A KARNART é formada pelos associados fundadores Luís Castro, Vel Z e Maria Campos, pelos atrizes Isabel Gaivão, Mónica Garcez e Mafalda Ferraz, pelo bailarino Marcos Marques, pela profissional de comunicação Anabela Carvalho, pela veterinária e performer Magda Gautier, pelo advogado e músico Pedro Oliveira, e pelos associados honorários Gil Mendo, coreólogo e professor, Gina Flor, artista plástica e Maria do Rosário Maia, artista plástica e professora. Maria do Rosário Coelho, cantora lírica e professora de técnica vocal, Luísa San Payo, advogada e galerista, e Luiz Francisco Rebello, dramaturgo e advogado, associados honorários falecidos entre 2010 e 2011, foram nomes incontornáveis de dedicação à estrutura.
Folha de Sala
Conceito de Perfinst
A necessidade de criar o neologismo perfinst surgiu quando Luís Castro, encenador e ator português nascido em Moçambique em 1961 e a propósito da conceção do espetáculo COMB em Londres, 1996, se confrontou com a dificuldade de classificar aquele que seria um projeto misto de performance e instalação.
O perfinst, que se tem vindo a consolidar enquanto conceito de pesquisa artística, flui entre as artes do palco e as artes visuais.
A linguagem performativa, que usa técnicas do teatro, da dança e do body-art, e pode ou não recorrer a texto (dramático, romance, poesia, ensaio, etc.), pressupõe que a construção de personagens se focaliza numa interiorização rigorosa, cuja expressão pode ser a palavra, o movimento ou o rasgar dos limites físicos do próprio corpo.
A linguagem plástica ― de inspiração nas artes visuais e no cinema ― tem como ponto de partida o espaço (de a(re)presentação, normalmente não convencional), os objetos (que não têm que funcionar como os tradicionais adereços de espetáculo), a caracterização (marcada, do rosto e/ou do corpo dos intérpretes) e/ou a imagem (animada ou fixa).
As linguagens performativa e plástica coexistem no espetáculo com pulsões independentes tocando-se, divergindo, multiplicando hipóteses de mensagem, interrelacionando referentes, permitindo que cada espectador possa ver um espetáculo diferente e desfrute de sensações próprias.
Pretende-se no perfinst, e dada a sua proximidade física com os atores, levar o espectador a percecionar com todos os seus sentidos. A participação ativa do mesmo pode inclusivamente influenciar o trilho diário do espetáculo.
Nos ambientes dos perfinst podem sentir-se referências expressionistas, neorrealistas ou butô, devendo ser sempre gerados trabalhos de cruzamento multidisciplinar com cariz de intervenção social. Pretendem criar-se objetos de grande dimensão estética e forte impacto interventivo, quer do ponto de vista antropológico quer do ponto de vista sociológico, quer ainda dos pontos de vista ambiental e ecológico.
Menores 30 anos: 5€
Sinopse
— «Ó Deuses! attendei esta súpplica ardente:
«Se é verdade que ouvis as vozes que vos chamam,
«Os nossos corações, fundi-os n’um sómente,
«Fundi n’um corpo só nossos corpos que se amam!»
Chegou ao vasto Olympo a rogativa louca;
E Zeus, o grande Zeus cuja fôrça é infinita,
As duas bôcas transformou n’uma só bôca,
E dos dois corpos fez um só: HERMAPHRODITA!
Eugénio de Castro escreve, em 1894, um imenso poema inspirado no mito de Hermafrodito, que publica na coletânea de poesia Salomé e outros poemas e que, anos mais tarde, Natália Correia inclui na sua Antologia de poesia portuguesa erótica e satírica. É por este meio que o poema chega às mãos da KARNART que, em 2005, o inclui no seu espetáculo Satirotic e que, dez anos depois, a ele regressa para esta nova criação em estreia no Teatro Maria Matos.
Se HERMAPHRODITA, o poema, acolhe na alma do seu autor, separados pelo suicídio do único, os dois feros e hostis irmãos, HERMAPHRODITA, o espetáculo, expõe dos mesmos a alma, una em corpos despojados, nus — também pelo direito à dignidade de todas as minorias de género.
Uma variante desta criação será apresentada no Gabinete Curiosidades Karnart (Av. da Índia, 168) de 20 a 31 julho. Mais informações em www.karnart.org

