Aleksandra Osowicz, Filipe Pereira, Helena Martos, Inês Campos e Matthieu Ehrlacher
Folha de Sala
“Hale é uma obra de invulgar sensibilidade, um sentido rigoroso do tempo e da estrutura e o uso poético do espaço, um objecto híbrido que utiliza materiais e corpos como um terreno comum para criar coisas vivas e pensamentos em movimento.”
Patricia Portela
Hale é o encontro entre cinco criadores, 23kg de plástico e 1710W de potência de ventiladores. O seu corpo colectivo em transformação constante, que vive e respira, é uma dança onde a coreografia se manifesta em arquitetura plástica. O que à partida é matéria inanimada ganha vida num encontro entre o naturalmente artificial e o artificialmente orgânico. Chamamos-lhe estudo para um organismo artificial.
A peça tomou forma a partir do desejo de criar um objeto colectivo ou um corpo comum, que não dependesse só da individualidade dos cinco colaboradores mas principalmente da sua cooperação em grupo. Procurámos construir um corpo que agisse com os nossos corpos e dependente da nossa união, contudo numa dança desprovida de figura humana.
Perguntámo-nos: poderíamos estar presentes e simultaneamente ausentes no espaço em que, por si só, a dança acontece? A resposta apareceu nesta matéria e na possibilidade de a fazer viver, animando-a.
Hale é isso mesmo, uma performance feita com plástico insuflado por ventoinhas e moldado pelo movimento dos intérpretes, onde a coreografia se torna arquitetura plástica e a dança tem os ritmos de um organismo. Este, que respira e ganha vida, vai-se desdobrando e multiplicando em paisagens que aludem a seres vivos, matérias orgânicas, formas abstratas e desconhecidas, numa constante e surpreendente transformação que vai tomando e dominando o espaço cénico. Pensamos nesta peça como um observatório vivo, onde experienciamos e partilhamos o comportamento deste ser “orgânico” gerado artificialmente: ele cresce, muda de cor, contorce-se, devora, come-se a si próprio, desaparece, metamorfoseia-se e nasce outra vez.
Instigados pela ideia de magia e pela sua inexplicabilidade, desejamos formas de envolver e conduzir o espectador numa experiência poética que estimule a sua imaginação. Procuramos uma espetacularidade artesanal: utilizando sacos de plástico e fita-cola criamos objetos monumentais que habitam o espaço, e mesmo sendo revelado o mecanismo da sua construção, não deixam de provocar o encantamento e uma forte relação sensorial e imagética. O espectador vai acompanhando esta construção em tempo real, onde os intérpretes invisíveis e coordenados entre si, vão, técnica e funcionalmente, dando forma ao organismo.
Perante a fronteira entre o artificial e o orgânico, o nosso interesse reside ainda na ideia paradoxal de animar um corpo inerte, de dar vida e personalidade a uma matéria produzida industrialmente, observando as suas características e limitações de movimento, potenciando a sua organicidade e propondo novas formas para a imaginação.
inserido no FIMFA Lx15
Sinopse
Hale é o encontro entre cinco jovens criadores, 23 kg de plástico e 1710 W de potência de ventiladores. O corpo coletivo, em transformação constante, parte da matéria inanimada e ganha vida num encontro entre o naturalmente artificial e o artificialmente orgânico. Hale vive da hibridez entre a dança, a performance e as artes plásticas. O interesse dos seus criadores reside ainda na ideia paradoxal de animar um corpo inerte, de dar vida e personalidade a uma matéria produzida industrialmente, observando as suas características e limitações de movimento, potenciando a sua organicidade e propondo novas formas para a imaginação. Este corpo, que respira e ganha vida, vai-se desdobrando e multiplicando em paisagens que aludem a seres vivos, matérias orgânicas, formas abstratas e desconhecidas, numa constante e surpreendente transformação.