José Fernando Azevedo
Cultura e a Produção do Mundo: derivas, derivativos e devires
Sinopse
A cultura tem sido utilizada de diversas formas: no século XIX, como indicador da excelência estética e reconhecimento da alteridade pelo colonizador; em meados do século XX, como símbolo dos valores conservadores e, no final do milénio, como símbolo de emancipação. Mais recentemente, a cultura tem sido instrumentalizada como redentora das cidades ameaçadas pelo marasmo do pós-desenvolvimento, no contexto das cidades criativas. Depois do colapso financeiro, fomos atingidos pelas consequências da torrente dos derivativos. Haverá forma de pensar no derivativo de modo diferente e ver nele uma lógica social que revalorize os impulsos artísticos radicais que de outra forma parecem fragmentados e dispersos?
No Brasil, a experiência do “teatro de grupo” define desde o final dos anos 90 um processo de politização da cena. É certo, moderno desde a sua origem, o teatro brasileiro é já um depoimento, da periferia do capitalismo, sobre os processos contemporâneos de espoliação e desagregação da vida. Essa intervenção pretende-se num só tempo uma apresentação e um depoimento sobre o modo como essa experiência teatral tem desenhado a fisionomia de uma sociedade que, além do otimismo atual, revela impasses não apenas locais, mas um outro lado de um processo que é mundial.

