Masayoshi Fujita & Jan Jelinek, Radian, Fennesz, Brandlmayr & Dafeldecker, Ben Frost
Sinopse
sexta 3 Dezembro
Masayoshi Fujita & Jan Jelinek (Japão/Alemanha)
Esta segunda aparição de Jan Jelinek no Teatro Maria Matos em 2010 significa simplesmente o quão importante é para nós comungarmos a sua música. Depois da lição condensada do poderio biblíco de Groupshow em Fevereiro, houve tempo para concretizar uma nova etapa na sua carreira e provar uma vez mais a sua generosidade sem limites ao estabelecer nova união perfeita, agora com o japonês Masayoshi Fujita. Se quisermos simplificar, há aqui uma nova hipótese de jazz; se quisermos tornar tudo mais interessante, explique-se que electrônica e acústica se entrelaçam numa suspensão sonora abençoada pelo silêncio. Elogios nos resultados, claro, ao mestre Jelinek, que continua a entender o seu ambientalismo no modo mais rico e perpétuo possível; e a Fujita que, depois de um auto-explicativo álbum entitulado Rebuilding Vibes, aparece na cena europeia como um dos mais promissores talentos num instrumento modiicado à sua medida. E à nossa.
vibrafone Masayoshi Fujita
electrônica Jan Jelinek
Radian (Áustria)
Tenha sido um golpe de sorte do tamanho do Danúbio ou um desígnio misterioso de alguêm superior, o ano de 1996 testemunhou um decisivo acontecimento em Viena quando três jovens músicos apropriaram-se dos ventos quentes da electrônica que assolavam a capital austríaca para se dedicarem ao rock na sua forma mais interessante de então. Seja ainda classificado de electrônica ou algo já distante ou aparentado com o pós-rock, a música que nasceu do trio é um híbrido revolucionário que resiste com bravura em todos os cinco magnificos discos que os Radian perilham nos 15 anos de actividade. Contudo, o golpe fatal é dado em palco, ao vivo, quando nos apercebemos da conquista do groove ou do caminho que percorrem através dos silêncios pela mão de Martin Brandlmayr, um baterista fora de comum que merece toda a vassalagem sempre que o virem em actuação.
bateria, sampler, sequenciador Martin Brandlmayr
guitarra, computador, sintetizadores Stefan Németh
baixo John Norman
Apresentação em Lisboa apoiada pela Embaixada da Áustria
sábado 4 Dezembro
Fennesz, Brandlmayr & Dafeldecker (Áustria)
Tem sido interessante observar que promessas vingaram desse generoso contingente de músicos, editoras e projectos que Viena distribuiu durante os últimos 15 anos. O tempo tem essa faculdade filtrante inquestionável, e por isso é que estes três nomes são inderrubáveis para quem acredita que a música está sempre a renovar-se e a precisar de porta-estandartes. Fennesz é dos três, o que ostenta maior fama na comunidade, por tudo aquilo que fez pela computer music – Hotel paral.lel e, sobretudo, Endless summer serão sempre o seu convite vitalício para o red carpet da electrónica. Werner Dafeldecker tornou-se peça central na nova música europeia, colocando o seu contrabaixo a dialogar com grande parte dos improvisadores actuais. Martin Brandlmayr é um génio absoluto da bateria, conseguindo deslumbrar pela sua técnica invejável e pelo seu domínio da tecnologia, com os quais constrói um léxico rico, próprio e único, e retira do seu instrumento impossíveis estruturas de sons e ritmos. Com uma cumplicidade construída lentamente ao longo dos últimos cinco anos, dificilmente esperaremos em palco menos que a soma exacta das suas altas qualidades individuais.
guitarra, computador Fennesz
contrabaixo, efeitos Werner Dafeldecker
bateria, sampler, sequenciador Martin Brandlmayr
Apresentação em Lisboa apoiada pela Embaixada da Áustria
Ben Frost (Austrália)
Theory of machines, a imponente obra de 2007 de Ben Frost, ficou injustamente na penumbra depois da edição de By the throat em 2009. Passavam poucas semanas após o lançamento deste álbum quando recebemos nesta sala a Whale watching tour, com Frost em companhia dos seus amigos e colegas da Bedroom Community a desvendarem diante de nós, numa magnífica polifonia, partes de By the throat. Um ano depois, ainda em paixão com esta obra-prima, quisemos desafiá-lo a expor a reconstrução desse seu portento, com Shazad Ismaily e Borgar Magnason a enriquecerem e a ampliicarem ao limite a conhecida parede de som que Frost irá catapultar nesta escura e intensa noite polar de Dezembro. E o nosso encontro não poderia estar a acontecer em melhor altura, com o australiano a viver um autêntico annus mirabilis – para além de começar em breve um ano de acompanhamento e colaboração com Brian Eno, no âmbito de uma bolsa cultural da Rolex, Ben Frost juntará ao seu currículo várias novas obras: Solaris (peça inspirada pela obra homónima de Tarkovsky e escrita com Daniel Bjarnason), World of darkness (jogo para computador) e FAR (coreografia de Wayne McGregor).
computador, guitarra, piano Ben Frost
contrabaixo Borgar Magnason
AVISO: Devido às perturbações no espaço aéreo europeu, o concerto de Ben Frost foi cancelado. Pelo facto, a que somos totalmente alheios, pedimos as nossas desculpas.