Sinopse
A Touch comemora em 2012 a bonita soma de 30 anos de vida. Um longo caminho percorrido por uma editora que nunca quis ser maior que outras, mas que acabou sempre por ser uma das melhores de todas. Uma longa história de música, imagens e, sobretudo, ideias únicas. Muitas delas foram as mais belas que escutámos, vimos e sentimos. Foi na Touch que ouvimos o Egito de Soliman Gamil, o arrepio binário de Ryoji Ikeda, os voos rasantes de Rafael Toral, o ambientalismo onírico de Biosphere ou os sussurros da natureza pela mão de Chris Watson. Um mundo (o nosso) visto por quem o quis ouvir e partilhar de modo diferente. Sentimo-nos parte da família e por isso estamos aqui a celebrar esta data singular. Dedicamos a terceira edição do Fim de semana Especial à Touch, apresentado-vos quatro ideias que respiram o seu ar e recebem a sua energia, inaugurando com orgulho as diversas celebrações que irão acontecer um pouco por todo o mundo.
Sexta, 27 Janeiro, 22h
Jana Winderen
O estúdio de gravação de Jana Winderen tem o tamanho do mundo inteiro, abrigando a natureza na sua dimensão planetária. Os ecossistemas marinhos são os seus palcos, enquanto os seus intérpretes podem tanto ser uma criatura solista como um grupo de milhares de performers. No limite, pode ser apenas o vazio, uma falsa ausência de vida ou o fantasmagórico respirar de grandes massas oceânicas. Equipada com roupa bem quente e potentes microfones, Jana Winderen trouxe da Gronelândia, Noruega e Rússia um acervo reverberativo da milagrosa agitação sonora que ocupa as profundezas. Sons de crustáceos, cardumes em migração ou peixes em chamamento serão processados nesta noite numa banda sonora misteriosa e avassaladora, algures entre a angústia de Ben Frost e o peso da gravidade de Francisco López, que nos fará viajar pelas imagens que possuímos das profundezas submarinas do nosso planeta.
CM von Hausswolff
Carl Michael von Hausswolff é, não só, uma das figuras paternais da Touch, como uma das personalidades mais marcantes da atividade experimental europeia das últimas décadas e, sem dúvida, um dos mais representados artistas do seu país. Desde o final dos anos 70 até aos dias de hoje, o esteta sueco tem percorrido com suprema elegância e inventividade um vasto campo sonoro, feito de recolha de campo, impulsos primários elétricos e drones intensos, utilizando dispositivos nem sempre associados com a produção musical. A partir dos anos 90, aprofunda cada vez mais a sua produção com instalações e outras plataformas de exposição, ligando o som a penetrantes trabalhos de luz e imagem. Os seus concertos, onde osciladores e vários aparelhos de transmissão e comunicação são, normalmente, os instrumentos, provam que uma arquitetura minimal de ritmos e sons não nos impede de sentir o máximo dos resultados. Não vamos esperar menos que isso, nesta segunda visita ao Maria Matos, depois de o termos recebido como alto representante do reino Elgaland-Vargaland para a inauguração do seu consulado em Lisboa, em setembro de 2009.
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Sábado, 28 Janeiro, 22h
Leslie Winer
Nem tudo se encontra na Internet. Procurar Leslie Winer por lá pode ser uma tarefa complicada. Sobretudo para quem precisa de saber o que aconteceu antes e depois de 1993, quando Witch, o seu primeiro e único álbum, foi colocado nas lojas. Há ligações anteriores conhecidas à moda, uma amizade com WIlliam S. Burroughs e Basquiat, uma reclusão em França, e tudo o resto esvai-se numa pesquisa inglória pela História da Música. O que ficou desse momento em 1993 é ainda um portento: Witch é uma sincrética união de dub pop politizada pela spoken word com um uso perfeito da arte do sampling (da estruturação rítmica ao adorno estético), e tem hoje o mesmo sentido de futuro que há duas décadas atrás. E, surpreendentemente ( ou não), Leslie Winer reaparece dentro da família Touch com o mesmo fôlego na sua eclipsante voz, fazendo-nos crer que há novos tesouros para nos mostrar. Os mais importantes vão ser contados neste concerto, com a ajuda dos agentes em serviço da Ash International e da Tapeworm.
Bruce Gilbert & Mika Vainio
Um aniversário pede uma surpresa, e nesta noite em que se comemora tanta música que a Touch nos deu em trinta anos, teríamos de ter algo inesperado e valioso. Um duo raro, de dois músicos generosos, que dentro e fora dos projetos que lhes deram fama, acumulam obra de décadas, fazendo um currículo de crescente coragem pelo risco e pelo desconhecido. Se Bruce Gilbert exibe discografia impressionante desde os anos 70 com os Wire, Mika Vainio é peão fundamental para parte da eletrónica contemporânea. Não seria estranho cruzarem-se algures no tempo — no final dos anos 90 o duo Pan Sonic e Bruce Gilbert criaram a sigla IBM para editarem apenas um LP — e menos estranho juntarem-se agora para um duelo, justamente quando desenvolvem uma linguagem sonora tão próxima e visionária. Se não souberem o que esperar, somem as qualidades dos dois músicos — é essa adição aritmética que vos fará estremecer da cadeira.
18€ / Com desconto 9€