Mergulho
Bios
FILHO DA MÃE
Rui Carvalho é oriundo dos subúrbios de Sintra, de Queluz. É formado em Arqueologia mas perde-se na e para a música, que começou cedo com a guitarra do Pai (membro efémero de Filarmónica Fraude). As primeiras incursões com mais visibilidade nos palcos são com os If Lucy Fell, banda de noise pós-hardcore com tendências para a matemática desajeitada. Mais tarde, põe em prática, relutantemente, a guitarra a solo com Filho da Mãe e dedica-se, num salto, a isso exclusivamente. Estreou-se com Palácio (Rastilho, 2012) e seguiu-se um EP de sete polegadas a meias com Linda Martini. Em 2013 sai o segundo disco, Cabeça pela Cultura Fnac e Lovers & Lollypops. Entretanto colaborou ao vivo com músicos de Linda Martini, PAUS, com Jibóia, Norberto Lobo, Tó Trips e mais recentemente, num disco saído pela Revolve, com Ricardo Martins na bateria. Mergulho é o terceiro álbum a solo, editado esta semana pela Cultura Fnac e Lovers & Lollypops.
CLÁUDIA GUERREIRO
Escultora e ilustradora dos velhos caminhos das Belas-Artes, perdeu-se nas guitarras do hardcore até ao baixo poderoso de Linda Martini. Entre cartazes, capas de discos, garrafas de azeite e coisas científicas que ninguém entende, também assobia como ninguém.
JOÃO NOGUEIRA
Guitarrista fundador de Riding Pânico também é o relutante e brilhante Cruzes Credo que de vez em quando aparece na internet. Gostava muito de não ser convidado assim tantas vezes para fazer coisas destas.
JOÃO BRANDÃO
Produtor musical e técnico de gravação natural do Porto. Membro fundador dos Estúdios Sá da Bandeira, trabalhou com diversos artistas portugueses e internacionais. Como baixista, foi membro de Killing Frost e Throes + The Shine, tendo também atuado em vários países com o grupo The Last Internationale (USA).
Folha de Sala
Um mergulho é a mesma coisa que atravessar uma porta ou tropeçar no caminho. Mas é engraçado isto de se fechar os olhos, de se esticar os braços com as mãos abertas à frente e inventar um destino, sentir a cara na terra como se tivesse sido esse o resultado que se pretendia e dizê-lo com um sorriso.
Desta vez fomos para um mosteiro em Amares, fazer um disco, fazer uma capa e fazer um documentário. Ninguém tinha nada planeado. Chegar, ver, sentir e fazer o que parecesse melhor, mas fazê-lo de peito cheio à medida que os trambolhões, os sinos, o padre, as baterias, os microfones e as unhas escolhiam o sentido. A ideia era submergir naquelas pedras, nas pessoas em volta e mais concretamente naquele espaço – Mosteiro de Rendufe – e deixar que tudo isso fizesse mexer os dedos.
A Lovers & Lollypops, a associação Encontrarte Amares e os Estúdios Sá da Bandeira enfiaram-se no meio da terra comigo sem saberem bem o que estavam a fazer e ainda bem.
O Filho da Mãe sobe então ao palco do Teatro Maria Matos entre luz e sombra com a Cláudia Guerreiro, João Nogueira e João Brandão.
Rui Carvalho
Menores 30 anos: 5€
Sinopse
Foi no Mosteiro de Rendufe, em Amares, Minho, que Filho da Mãe gravou o seu terceiro álbum, Mergulho, no final de 2015. É uma obra em sublime queda livre numa história e geografia muito particulares e especiais, absorvendo o local e as pessoas que o ajudaram a erguer o cenário perfeito para uma criação sem tempo. Nas suas palavras, a sua nova música tornou-se permeável à pedra, terra e gente que o abraçou durante os dias em que, com João Brandão como produtor, se desenhou esta aventura, há muito esperada, de Filho da Mãe. Com Cabeça, em 2013, esta reclusão em jeito de residência artística já tinha sido necessária – nessa altura entre o Gerês e Montemor-o-Novo – para que as ideias que circulam livremente no seu corpo ganhem a inspiração certa e formem uma obra íntegra. Agora, num cenário eclesiástico, Mergulho assume a inspiração solene para a converter numa celebração pagã feita de respeito cerimonioso. Mas há também momentos de saudável dúvida tormentosa, como janelas que se abrem com o vento no meio de uma tempestade e que nos apagam a luz intermitente das velas – e serão esses momentos que, ao contrário de Amares, trarão para o palco do Teatro Maria Matos outras luzes e iluminuras, transformando o concerto numa ocasião tão única quanto Mergulho o é para a música de Filho da Mãe.