Saltar para o conteúdo principal Mapa do Website
  • Arquivo
  • Explorar
  • O Teatro
    • Missão e História
    • Redes de Programação
    • Coproduções
    • Teatro Verde
    • EGEAC
  • pt Idioma em Português
  • en Idioma em Inglês
Fennesz & Lillevan Mahler Remixed Informações sobre o Evento
17 Mai 2017
Datas e Horários
Quarta: 22h
Preço
7,5€ a 15€
Classificação
M/6
Local
Sala Principal
Música

Fennesz & Lillevan
Mahler Remixed

Folha de Sala

Folha de Sala

Lembram-se dos Maische? É bem provável que não. O nome apelidou um grupo austríaco que tentou agitar as águas do art rock vienense no final da década de 80 e o seu fim pode ter ajudado Christian Fennesz a dar o salto para a música eletrónica e produção a solo. Com o rock arrumado no armário, acabaria por ser ao computador que o músico começaria a sua nova aventura, tentando cortar deliberadamente com o passado. Contudo, pouco tempo depois, a guitarra elétrica já começaria a participar no mecanismo de composição, começando também a marcar a sua música como um carimbo indelével e altamente reconhecível. Hotel Paral.lel, o seu primeiro álbum, em 1997, parece esconder a guitarra e o que ouvimos não desvenda que o instrumento tenha participado tão ativamente na construção dos temas. Pelo contrário, Instrument e Plays, pequenas obras editadas antes e depois do álbum de estreia, respetivamente, exibem tanto a energia rock ― no caso do primeiro ―, como a arte de tocar uma guitarra ― no caso de Plays, no qual refaz brilhantemente dois clássicos: Paint It Black dos Rolling Stones e Don’t Talk (Put Your Head On My Shoulder) dos Beach Boys.
Fennesz sempre assumiu que a repetição é sua principal inimiga, e a sua carreira, em disco e ao vivo, tem procurado sempre evitá-la. “Plus forty seven degrees 56′ 37 Minus sixteen degrees 51′ 08“, disco de 1999 e também as coordenadas do jardim da sua casa de férias na Áustria, onde compôs na íntegra este álbum, é a primeira tentativa de desligar a guitarra, fazendo uma obra totalmente dentro do computador, olhando para o verde ao seu redor. Talvez tenha sido esse contacto com a natureza que o tenha influenciado para a sua grande obra, permanentemente referenciada, e certamente um dos mais importante discos de eletrónica dos últimos 20 anos: em 2001, Endless Summer fazia justiça ao seu título e dava-nos um tratado sonoro de cores quentes e lânguidas, entregando um romantismo a um género que parecia habitar um nicho musical encerrado na exploração das potencialidades do software informático. Caecilia ou o tema título reluzem pela sua complexidade mas também pelas potencialidades pop que dificilmente encontrávamos nos seus pares, com guitarra ou vibrafone soalheiros em diálogo com algumas das mais interessantes disfunções digitais desse tempo. Endless Summer é, ainda hoje, um disco absolutamente imprescindível, e quase vinte anos de vida só lhe têm ampliado a sua importância histórica.

É a partir deste momento, em que a sua guitarra tanto parece modular os momentos mais quentes da sua música, como os momentos em que somos derrubados pelo seu poder avassalador sónico, que fica imprimido o ADN de Fennesz. Aos poucos, vamos vendo-o ao vivo ― e já o recebemos duas vezes na nossa sala ― a erguer o seu muro sonoro com a sua guitarra, tornando tudo mais fascinante e, sobretudo, mais consequente. O computador portátil ao trazer um novo paradigma de performance ao vivo, mais estático e porventura menos interessante, criou também o terreno perfeito para que as apresentações de Fennesz acabassem por sobressair, criando uma ponte visível entre a atuação rock e a música de computador. Tem sido esse trabalho, diante dos nossos olhos, que tem ilustrado o processo de trabalho do austríaco: matéria-prima reconvertida e filtrada por mecanismos de eletrificação e centrifugação que nos devolvem belíssimas arquiteturas inesperadas, repletas de nódulos ruidosos mas também planos e geometrias exatas. Muitas vezes, o tal som “fennesz” é justamente a convivência desses dois opostos, que tanto nos inquietam pelo choque, como nos maravilham pela união.

Em 2011, Christoph Thun Hohenstein, da agência de promoção vienense Departure, encarregue das celebrações do centenário da morte de Gustav Mahler, entregou a Fennesz um pedido de remisturas para as sinfonias do compositor austríaco. De novo, a vontade de alterar a realidade através do fabuloso filtro “fennesziano”. Dividido em quatro partes, Mahler Remixed é um mar de hipóteses, com o legado sinfónico a ser alargado e contaminado por um ambientalismo épico onde ecoa e dançam uma miríade de sons, rasgos de luz, pedaços não identificáveis, ou fragmentos empoeirados vindos de mundo reconhecível e amado. Aos poucos, a citação desaparece e sobram apenas sombras que se vão agigantando na nova partitura, como se Fennesz estivesse a acordar algo há muito entorpecido. Com as imagens que são criadas por nós, juntam-se as imagens que são criadas por Lillevan. O instigador visual dos Rechenzentrum, projeto que viveu com algum impacto na cena eletrónica entre 1997 e 2008, e colaborador irregular de Fennesz, terá sido outra das escolhas felizes de “Mahler Remixed”: a sua estética, profundamente táctil e orgânica, elabora a componente visual perfeita para uma ideia de remistura, onde fragmentos são unidos com perícia e, ao mesmo tempo, com muito risco, em que costuras são orgulhosamente ostentadas e valorizadas, não como símbolo de imperfeição, mas como elementos de transparência e potencial criativos. Estudioso de teoria de cinema, Lillevan sabe impor a sua narrativa abstracionista ― muitas vezes expressionista ― num contexto musical digital, também ele feito de colagens, de edição e montagem sonora. Depois de ter tido um número reduzido de apresentações, Mahler Remixed reaparece para mostrar-nos um dos projetos mais sólidos e mais impactantes de Fennesz e Lillevan ― o que, face ao percurso absolutamente cósmico de ambos os artistas, é um feito que merece uma dose extra de aplausos.

17 Mai 2017
Datas e Horários
Quarta: 22h
Preço
7,5€ a 15€
Classificação
M/6
Local
Sala Principal

Sinopse

Mahler Remixed estreou-se em Viena, durante a celebração do centenário da morte do compositor austríaco. No meio de um sem-número de eventos, obviamente ligados à interpretação das suas obras, um acontecimento saltou da norma e é, também, por isso que agora chega até nós. Numa encomenda especial, Fennesz foi desafiado a reinterpretar o legado das canções sinfónicas de Gustav Mahler através da sua eletrónica. A escolha não podia ter sido mais feliz: além da evidente ligação vienense, poucos músicos contemporâneos poderiam entregar uma obra tão monumental, exultando uma espécie de segunda leitura do poder orquestral de Mahler sem ceder à citação ou medir paralelismos e distâncias ao original. Fennesz, guardião eficaz do seu próprio universo sonoro, consegue reinventar-se em cada obra sem nunca abdicar da sua forte impressão digital e Mahler Remixed tanto nos dá algo de novo, como nos relembra alguma da melhor música que já ouvimos do seu computador e guitarra. Do mesmo modo como o álbum Endless Summer também pode ser vivido como uma longa-metragem inconsciente do nosso amor pelo Verão, Mahler Remixed parece um relato de um sonho sobre a música de Mahler, inundado pelas ondas eletrificadas fenneszianas. E se não vemos ninguém tão apropriado para a música, quem melhor que Lillevan para nos desenhar e iluminar este épico sonho?

 

 

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Fennesz & Lillevan 17 Mai 2017

Ficha Artística

eletrónica, guitarra:
Fennesz

vídeo:
Lillevan

Ver Arquivo
  • Maria Matos
  • EGEAC

Morada e Contactos do Teatro

E-mail: geral@egeac.pt

  • Arquivo
  • Teatro Maria Matos
  • Explorar
  • Mapa do Website
  • Termos e Condições
  • Consulte a declaração de conformidade deste Site no Site da comAcesso, nova janela
© 2020 Maria Matos Teatro Municipal
Made by v-a