Tónan Quito
Bios
Tónan Quito
Licenciado em Formação de atores/encenadores pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Começou o seu percurso como actor no “4o Período – O do Prazer”, dirigido por António Fonseca. Trabalhou com Luís Miguel Cintra, António Pires, Luís Assis, Joaquim Horta, Christine Laurent, Lúcia Sigalho, Paula Diogo, Nuno Cardoso, Carlos J. Pessoa, Nuno M Cardoso, António Catalano, João Mota, Tiago Rodrigues, Jorge Andrade, Patrícia Portela, Fernando Gomes, Pedro Gil, João Garcia Miguel, Marina Nabais, Giacomo Scalisi, Maria João Luís e Gonçalo Waddington. Participou ainda em diversas criações coletivas.
Foi cofundador da Truta onde dirigiu Ivanov de Anton Tchekov, Histórias do Bosque de Viena de Ödön von Horváth e Anatol de Arthur Schnitzler.
Cocriou com Tiago Rodrigues Entrelinhas, texto do mesmo, (também em versão francesa e onde foi nomeado melhor actor de 2013); e com Pedro Gil Fausta, de Patrícia Portela. Fundou a HomemBala em 2015 e dirigiu Um Inimigo do Povo de Henrik Ibsen e Ricardo III de William Shakespeare (ganhou o globo de ouro SIC/Caras de melhor espectáculo de teatro 2015).
No cinema teve pequenas participações em filmes de Miguel Angél Vivas, Inês Oliveira, Jorge Silva Melo, Simão Cayatte, Jacinto Lucas Pires e Manuel Mozos; assim como em televisão, destacando o trabalho com Filipe Melo, João Leitão e Tiago Guedes.
Tem dado várias formações de interpretação/criação em Portugal e na Noruega. Participou na edição de 2014 de Panos na Culturgest.
Ödön von Horváth
Nasceu a 9 dezembro de 1901 em Sušak, Rijeka, no Império Austro-Húngaro, atualmente Croácia. Dramaturgo e romancista. Frequentou a escola primária em Budapeste e o liceu em Bratislava e Viena. Começou a escrever, ainda estudante, em 1920. Desistiu da universidade antes de terminar o curso, em 1922, e mudou-se para Berlim. É aí que começa a escrever as suas «comédias populares». Recebeu o Prémio Kleist em 1931. Voltou a Viena em 1933. Em 1938 emigrou para Paris, onde viria a morrer a 1 de junho, atingido pelo ramo de uma árvore durante uma tempestade, nos Campos Elísios. Ironicamente, uns dias antes, teria dito a um amigo: “Não tenho tanto medo dos nazis… Existem coisas piores de que podemos ter medo, coisas de que temos medo sem sabermos bem porquê. Por exemplo, tenho medo de ruas. As ruas podem ser hostis para uma pessoa, podem-nos destruir. As ruas assustam-me.” A sua obra viria a ser redescoberta nos anos 1970.
Grupo de Interpretação Criativa
O GIC tem aulas semanais de teatro com Claudio Hochman desde 2014. Entre as suas apresentações públicas contam-se as peças Édipo de Sófocles e Cidade de Gonçalo M. Tavares, mostras informais sobre os temas Macanudo e Feios, Porcos e Maus e duas performances no âmbito da exposiçãoPássaro que Voa. O trabalho realizado em aula é diversificado e continuamente permeável às sugestões dos alunos tendo sempre como base o estímulo à criatividade dos atores, à construção individual de personagens e cenas, e ao recurso a formas experimentais de representação e encenação (inclusive no âmbito da dramaturgia clássica).
Personagens Grupo de Interpretação Criativa
Gesto – Grupo de Teatro
Este grupo, constituído por um conjunto de pessoas que amam a arte do palco, nasceu do desejo de lhe conferir o importante papel social que deve ter, enquanto modo de expressão e representação da própria Vida. O sentido do Gesto reside no Gosto, na Entrega, no Sonho, no Teatro, Oásis da fantasia. Iniciámos atividade com a peça Rambóia, texto e encenação de Paulo Barbosa, com estreia em janeiro de 2016 no Teatro Turim, em Lisboa. Em seguida, a convite do encenador Tiago Vieira, apresentámos a peça Everything is political com base em textos de Angélica Liddell. A mesma foi apresentada na sua estreia no festival de teatro de Arouca, e de seguida no Centro Hospital Psiquiátrico de Lisboa.
Atualmente o grupo encontra-se com diversas apresentações de um peça curta baseada em textos de Adília Lopes com encenação de Margarida Barata Centro LGBT da ILGA Portugal. A receção à peça foi tão positiva que já se encontra confirmada igualmente para o Intendente em Festa, realizado todos os anos em julho.
Personagens Gesto – Grupo de Teatro
Grupo de Teatro – Pano Cru
Foi criado em 2003, é um colectivo cuja missão primária passa pela exploração e produção conjuntas, criando a partir de autores clássicos e do grupo, Isilda Paulo.
Ao longo dos seus 14 anos de existência levou a cena peças como Cianeto e Organdi, a partir do textoArsénico e Rendas Velhas, de Joseph Kesselring; Amanhã é outro dia, a partir de O Dia Seguinte, de Luís Francisco Rebelo; O Enterro do Patrão, a partir de Dario Fo ou O Urso, de Anton Tchékhov.
Personagens Grupo de Teatro – Pano Cru
HomemBala
Associação cultural fundada por Patrícia Costa e Tónan Quito em 2015. Nesse mesmo ano apresentouUm Inimigo do Povo de Henrik Ibsen, estreado em junho no São Luiz Teatro Municipal / Teatro Viriato eRicardo III de William Shakespeare, estreado em outubro no Teatro Nacional D. Maria II / Centro Cultural Vila Flor.
Folha de Sala
Se traduzirmos à letra Glaube, Ilibe, Hoffnung o resultado é: fé, amor, esperança. Quando escreveu esta peça em 1932, no contexto de graves convulsões que dividiam a sociedade alemã (e que haveriam de conduzir ao regime nazi no ano seguinte), Ödön von Horváth citou explicitamente o 13º versículo da primeira Carta aos Coríntios, de São Paulo: Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face. Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior de todas é o amor.
O tema da peça, no entanto, não é bem o da fé, esperança e amor (ou “fé, esperança e caridade”, como mais comumente é usado na liturgia católica portuguesa). Horváth cita a primeira Carta aos Coríntios pela mesma razão que levou São Paulo a escrevê-la aos seus habitantes: as “divisões na comunidade”. Peço-vos – diz o Apóstolo do cristianismo – que estejais todos de acordo e que não haja divisões entre vós; permanecei unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento. Pois, meus irmãos, fui informado pelos da casa de Cloé, que há discórdias entre vós.
No contexto da peça de Horváth (que lhe deu o subtítulo uma dança de morte em 5 atos) essas discórdias resultam do gigantesco aparelho de Estado alemão, que divide a sociedade entre os funcionários que dele beneficiam e os outros que estão excluídos do sistema, e que vivem condenados a uma economia de subsistência na margem da lei.
Em cada um dos 5 atos que compõem a peça, Horváth expõe um problema às suas personagens, e o padrão é sempre o mesmo: os funcionários beneficiam do Estado que lhes dá um cargo e uma posição social, e perante qualquer dilema que os ponha em cheque, optam invariavelmente por se protegerem uns aos outros.
Para esta segunda encenação que faz de Horváth (a primeira foi Histórias do Bosque de Viena, pelo coletivo Truta), Tónan Quito trabalha com um quarteto de atores profissionais e convidou quatro grupos de teatro amador* para com eles contracenarem nas quatro salas em que o espetáculo é apresentado.
Ao invés de dramatizar o corte entre as personagens do sistema e aquelas que estão excluídas do sistema, Tónan Quito sublinha antes a “divisão” no elenco, entre os intérpretes profissionais (que dominam os códigos e as convenções de cena, e que estão familiarizados com uma linguagem teatral) e o fosso que os separa dos amadores (não apenas pela sua experiência e conhecimento, mas também pela carga de ensaios, que é obrigatoriamente menor, e feita em horário pós-laboral).
Esse fosso está necessariamente na cabeça dos atores (sejam eles profissionais ou amadores) e certamente não passará despercebido aos espectadores, mas aquilo que Tónan Quito propõe é assumir a “discórdia” a que São Paulo alude num confronto direto: eles estão misturados! Naquilo que diz respeito às divisões classistas, no interior do enredo de Horváth, os seus papéis confundem-se em cena.
A este respeito, vale a pena dar atenção ao trabalho de Miguel Loureiro (o Preparador; mais tarde Preparador-chefe) e Carla Galvão (ora no Papel da empresária Irene Prantl, ora no papel da Esposa do Juíz), não por se distinguirem, mas pelos recursos que põem em uso para ligarem as personagens, e na forma como vão marcando o tempo das cenas.
Há ainda uma segunda “discórdia” que Tónan Quito provoca em cena. O terceiro ato culmina com o segundo encontro entre Elisabeth e o Polícia Alfons Klostermeyer, onde se define a natureza da sua relação amorosa. Mas antes de acontecer o diálogo entre os protagonistas amorosos (interpretados pelos jovens atores Filipa Matta e Marco Mendonça), dá-se a “cena do inválido”. Um grupo de utentes reúne-se à entrada da Assistência Social: são tão ignorantes dos procedimentos das instituições criadas para seu benefício que, se a Assistência Social, o Centro de Emprego, a Caixa de Previdência, o Seguro de Invalidez e o Tribunal do Trabalho e a própria Polícia nem sequer existissem, não se sentiriam mais desprotegidos.
Tónan Quito optou por eliminar a “cena do inválido” do texto de Hórvath, e substituí-la por uma cena escrita a partir de testemunhos do elenco amador. Esta nova cena exibe menos os paralelismos entre a sociedade alemã do início dos anos 1930 e a portuguesa do séc. XXI do que o fosso que as separa. E esse fosso não resulta só de diferenças históricas, culturais e sociais.
Fé, caridade e esperança foi escrita por Horváth em colaboração com o Secretário de Justiça Lukas Kristl – que obviamente estava bem munido de um inventário de histórias rocambolescas sobre o funcionamento das instituições e o modo como os cidadãos mais humildes com elas se relacionavam.
Para esta encenação de 2017, em Lisboa e no Porto, a estratégia foi outra. O objetivo não foi o de coligir histórias representativas do funcionamento das nossas instituições, mas pôr os participantes em diálogo com os temas da peça, a partir da sua experiência pessoal. Usámos unicamente os testemunhos do elenco amador, e cada um dos quatro grupos* tem o seu próprio texto, criado a partir dos depoimentos feitos pelos seus intervenientes. Trata-se afinal de confrontar os intérpretes com o seu tempo e com o tempo das suas personagens.
Rui Catalão
Quinta a Sábado → 21h30 Domingo → 18h30
Sinopse
“…e agora começa tudo outra vez e ninguém se quer responsabilizar por ti e a tua vida não tem sentido nenhum.”
Nesta “comédia” de 1932, o dramaturgo austríaco Ödön von Horváth mostra-nos uma sociedade cínica, mesquinha e egoísta, sempre pronta a desumanizar-se, num período de crise económica e decadência espiritual e moral. Para o autor este poderia ser o título de todas as suas peças, “pois todas assentam num tempo em que acreditar, amar e ter esperança são uma utopia necessária”.
Nesta nova encenação, Tónan Quito convida três grupos de teatro amador para integrar o elenco da peça, dando corpo às muitas cenas em que o povo entre em palco como personagem central. Numa tentativa de fazer a ponte entre a crise dos anos 1930 e a crise atual, cada grupo irá reescrever algumas cenas, apropriando-se das situações da peça para falar sobre a nossa sociedade contemporânea.
A peça conta-nos a história de Elisabeth, que procura desesperadamente a sua sobrevivência e acaba vítima de uma sociedade, onde não é permitido que um indivíduo siga os seus sonhos. Elisabeth tenta vender o seu corpo ao Instituto de Medicina Legal, é acusada de fraude e acaba rodeada de pessoas abandonadas e mal tratadas, até encontrar por breves momentos o amor; mas cansada de ser “perseguida” acaba por se atirar ao rio apagando a única réstia de esperança.

