Tim Spooner
Bio
Tim Spooner é um artista plástico e performer baseado em Londres, que trabalha sobre a convergência entre o mundo físico e o mundo das ideias. Apresenta regularmente o seu trabalho em galerias e teatros e geralmente apresenta os seus espetáculos ao lado de pinturas. A sua pesquisa combina um fascínio pela manipulação de objetos e marionetas, com as práticas do desenho, da escrita e da performance. Ao jogar com a escala e a perspetiva, os seus espetáculos revelam as propriedades particulares e por vezes idiossincráticas dos objetos com os quais está a lidar. Desde 2010, tem feito uma série de espetáculos metafísicos de marionetas, nos quais os objetos, meticulosamente manipulados, nos são apresentados a partir da sua vida interior, tendo como objetivo expandir a compreensão do mundo físico. Estes espetáculos são: The Grid of Life, The Magic Bird Garden Room, 24 Grotesque Manipulations e The Telescope.
Folha de Sala
THE ASSEMBLY OF ANIMALS: UMA ENTREVISTA COM TIM SPOONER
http://mayfestbristol.co.uk/blog-posts/assembly-animals-interview-tim-spooner/
Tim Spooner apresenta o seu novo espetáculo The Assembly of Animals para públicos de todas as idades, desde os mais novos aos adultos. A combinação de marionetas, magia e demonstrações científicas transforma-se numa espécie de escultura performativa. Em palco, visões misteriosas de objetos informes, líquidos luminescentes e cães magnéticos emergem da escuridão para, gradualmente, revelarem a sua mecânica. Conversei com Tim sobre como criar trabalhos para crianças, mistérios, e de como o mundo funciona.
Trabalhaste sempre para o público mais jovem?
Não especificamente, mas também nunca pensei que o meu trabalho fosse apenas para adultos. Em espetáculos anteriores, prestei atenção a elementos que pareciam cativar o interesse das crianças, porque as suas reações são muitas vezes menos filtradas do que as dos adultos.
Achas que vais continuar a trabalhar especificamente para crianças no futuro?
Nesta fase, não sei, mas espero que as coisas que aprendi ao fazer este projeto signifiquem que o meu trabalho futuro vai fazer sentido a um número maior de pessoas, incluindo mais crianças.
Sentes que podes lidar com os mesmos temas em projetos para o público infantil, como para o público adulto?
Espero que sim. As questões que me interessam mais são as fundamentais. O meu trabalho destina-se a pessoas que estão interessadas em como o mundo funciona e do que é feito, e a pessoas que querem olhar para as coisas misteriosas mais de perto, para descobrirem o que está a acontecer. Não acho que este tipo de curiosidade seja particularmente algo com que as pessoas crescem, é algo que muitas pessoas de diferentes idades podem partilhar.
The Assembly of Animals é descrito como uma escultura performativa, isto é típico do teu trabalho?
Todos os meus trabalhos começam com construir coisas – experimentar com materiais e objetos que encontro, juntá-los em novas formas, para que tenham uma nova lógica e vida própria. Acabam como performances, porque cada objeto tem sempre um movimento ou um processo que revela o seu carácter, e a forma mais simples para mim é apresentá-los ao público. Assim, a ênfase é sempre sobre os objetos, mais do que no intérprete, embora, na prática, a relação entre os dois se torne complicada.
Nesta peça revelas os teus segredos. Eras uma criança que precisava de saber como as coisas funcionavam?
Sim, estava interessado nas estruturas internas das coisas. Lembro-me de um determinado tipo de folha que tinha fibras no seu caule que se comportavam como tendões: quando as expunhas e puxavas, faziam com que folhas se enrolassem e desenrolassem. Lembro-me também de fazer algo parecido com as garras de caranguejos, fazia com que abrissem e fechassem, puxando as ligações esqueléticas do seu interior. Achava fascinante e aterrorizante a complexidade destes mecanismos minúsculos naturais.
Alguma vez desmontaste algo valioso, para ver o seu funcionamento interior (claramente projetado aqui e tentando justificar o tempo em que tirei o relógio ao meu pai)?
Sim, um misterioso relógio da Minnie Mouse, que dizia o tempo e tinha uma boca que mexia. Era impossível voltar novamente a montar porque o mecanismo era muito delicado. Mas o meu irmão mais velho era pior, o seu quarto era um cemitério de máquinas, o que ficou como um aviso para não pesquisar muito profundamente.
Originalmente eras um artista e criador. O que te levou para o palco?
Eu acho que na verdade acabei sempre a fazer o mesmo – construir coisas e, em seguida, atuar com elas.
FIMFA Lx16
Sinopse
Um espetáculo-instalação, The Assembly of Animals, combina marionetas, objetos e demonstrações científicas. No início, o palco está submerso em escuridão, mas à medida que os manipuladores vão abrindo uma série de cortinas vermelhas, os espectadores vão descobrindo um estranho laboratório, iluminado por cores néon, com tubos de ensaio, líquidos coloridos e animais mecânicos que ganham vida pela força de reações físicas e químicas misteriosas. Como se um maravilhoso mundo novo estivesse em criação. Tim Spooner apresenta criaturas que vêm de outro mundo, um bestiário que oscila entre a ficção científica, contos de fadas e o surrealismo. Um mundo cuidadosamente construído e delicado, que deixa crianças e adultos maravilhados.