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Regresso ao Jardim Opostos Bem-Dispostos / Refresco Dançante Informações sobre o Evento
21 Set 2013
Datas e Horários
sábado ↣ 16h30
Preço
Entrada livre
Local
Jardim das Estacas
Crianças & Jovens · Famílias

Regresso ao Jardim
Opostos Bem-Dispostos / Refresco Dançante

Folha de Sala

Folha de Sala

Opostos Redispostos

 

O convite da Joana Providência para escrever um texto em torno dos contrastes deixou-me bem-disposto. Comecei pelo título. Intitular um texto que ainda não existe é como dar o nome a uma pessoa que ainda não nasceu. Será? Havia mais nomes, mas ficou este.

 

Espreitei nos livros e na realidade a vida dos casais, dos passos diários, dos sonhos adiados, dos desejos recalcados, dos planos realizados, das reações involuntárias, dos sucessos festejados, das preocupações inevitáveis, dos momentos especiais, das discussões ambientais, dos berros contidos, dos silêncios gritantes. Se parte de mim pensava na música, outra parte pensava na culinária, outra parte ainda, na astronomia. E nas ciências puras, aplicadas, humanas. E na natureza. E nas cidades. E na linguagem.

 

Na primeira versão as palavras viviam demasiadamente por si e para si mesmas. Reescrevi e depois de ter assistido a um ensaio, surgiu a versão final.

 

Escrever não é fazer tiro ao alvo, não é acertar num texto “que já está lá”. Escrever é feito de avanços e recuos, previsões e imprevistos, decisões e descobertas. Escrever, parar, ler, reler, pesquisar, reescrever, corrigir, adaptar, eliminar. Na escrita, facilidade rima com dificuldade.

 

Somos, ao mesmo tempo, privilegiados e condicionados pelo uso da linguagem. Entre o som e o sentido, ora somos prisioneiros, ora se nos soltam as asas. E como comunicar ultrapassa o uso da linguagem convencional, ainda maiores são as hipóteses de jogo. Escrevi mais do que o texto dito pelas personagens. Ramificações que traziam outros assuntos. Fiz o texto como um armazém ou uma despensa: Com mais provisões do que as necessárias ao tempo disponível para confecionar e dar a comer a refeição. Palavras como os nomes Dudu e Lili surgiram na boca dos atores. Foram ficando. Adotei-os.

 

Na minha cabeça. Se pensava “Ela tem de dizer isto”, também pensava “Ele pode dizer aquilo mas Ela também pode dizer assim e Ele também pode dizer assado”. Interessou-me muitas vezes mais a voz masculina ou feminina, por exemplo, do que a imagem social de homem ou mulher. O que não quer dizer que esta imagem não esteja lá. Pareceu importante perguntar: Porque há-de ser ele a comprar o jornal? Porque é que é deve ser ela a servir o pequeno-almoço?

Em vez de pendurar clichés, acariciar estereótipos ou arremessar arquétipos, interessa-me mais, agora como espetador, a ideia séria de brincar com a peça. Como brinquei com o texto. Uma peça de teatro é um brinquedo, um jogo complexo. Sem instruções de uso a não ser desligar os telemóveis à entrada, manter a atenção, etc. Sem prazo de validade, a não ser na agenda e na memória.

 

Quando era mais novo, ao sair do cinema, não gostava de falar do filme. O que dizia era sempre menos do que o que pensava e o que pensava era sempre menos do que o que sentia. Toda a gente sente com prazer a brisa do Outono. Mas muito pouca gente saberá explicar a brisa em termos científicos. Saber qualquer coisa inclui o que não se entende dela. Importa não dissimular o equívoco, o enigma, o paradoxo. Não explicar tudo, não facilitar em tudo. Cultivar a estranheza, o espanto, a curiosidade, a inquietação que motiva as perguntas. Perguntas que podem fazer a diferença se forem transformadas noutras e noutras, mantendo-nos ligados, a nós próprios e aos outros.

 

ER, Porto, Setembro de 2013

21 Set 2013
Datas e Horários
sábado ↣ 16h30
Preço
Entrada livre
Local
Jardim das Estacas

Sinopse

TEATRO
Joana Providência
Opostos bem-dispostos 

Duração 45 min

Joana Providência, que já conhece o jardim do nosso bairro, regressa a ele neste dia de fim de verão com uma casa sobre rodas que traz dentro histórias de opostos que se querem bem-dispostos.

“Ele diz coisas tão magras, tão magras, que ela quase morre de fome ao ouvi-lo. Ela espera herdar uma fortuna e pêras, ele encolhe os ombros e come maçãs. Ela arregala, volta e meia, os olhos, ele responde com os olhos em bico. Se ele é meio alegre em tempo de tristeza, ela chora de riso até mais. Ela encara sempre as coisas de frente, ele vê sempre as coisas pelo outro lado. Ele é assim e assado e ela não é nada disso. Enquanto ela anda facilmente de costas pela casa, ele mexe-se como se levasse a casa às costas. Enquanto ele procura não ser como ela, ela encontra forma de evitar ser como ele.”

Eugénio Roda in Contra Dizeres

 

DANÇA
Refresco dançante

Ainda mais bem-dispostos ficaremos de seguida, porque a festa continua pelo jardim fora com uma orquestra de sopros, um coro, bailarinos que nos convidam para um pé de dança e refrescos para todos.

Conteúdos Relacionados

Material Gráfico Cartaz Regresso ao Jardim 21 Set 2013

Ficha Artística

Opostos bem-dispostos 

texto
Eugénio Roda

encenação
Joana Providência

elenco
Anabela Sousa e Paulo Mota

cenografia, figurinos e adereços
Catarina Barros

desenho de luz
Cárin Geada

coprodução
ACE Teatro do Bolhão, Serviço Educativo da Casa da Música e Maria Matos Teatro Municipal

Refresco dançante

direção artística do Baile
Pietro Romani

bailarinos
Ângelo Neto, Francesca Bertozzi, Marcela Macini, Mickael Gaspar, Sara Chéu

músicos
Grupo de Choro Raspa de Tacho

coro
CoLeGaS

 

Programação Create to Connect com o apoio do programa Cultura da União Europeia

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