11+ anos
Aldara Bizarro
Bios
Folha de Sala
Aldara Bizarro respondeu-nos a algumas perguntas para sabermos mais sobre Linhas de Newton.
Há linhas finas, grossas, linhas de contorno, linhas imaginárias, linhas que definem uma estrutura e ainda há várias outras linhas… Quais são as linhas de Newton?
São as linhas do movimento. As linhas das forças e das massas.
Que linhas vais usar no teu espetáculo?
Uso as linhas da ação, as linhas do conhecimento e as linhas da imaginação. Uso também as linhas particulares da dança e as linhas paradoxais da vida.
Neste caso, vais fazer um desenho ou uma coreografia?
Vou fazer um desenho que é uma coreografia e uma coreografia que é um desenho.
Com que material?
O desenho é feito com giz. É um material orgânico que na sala de ensaios parece pedir para ser utilizado como extensão do corpo da Yola Pinto, a bailarina que dança e desenha em cena. É também um material transformável, que se multiplica quando se quebra, e as suas cores fazem contraste com o espaço negro que tenciono criar no teatro. Fica também muito bem com os outros elementos que procurei criar no espaço, como a luz de Cláudia Valente e o cenário do David Bernardino. Desta vez, quebrei a austeridade com que desenvolvo os meus projetos. Apeteceu-me criar para a sala do teatro, usando luz e recorrendo à teia. Senti também a necessidade de utilizar pequenos mecanismos que se movem. As forças, os vetores do movimento, das geometrias do corpo e do espaço.
Achas que dançar também pode ser desenhar ou escrever?
Dançar é escrever no espaço. Pode-se escrever um desenho claro com contornos definidos ou desenhos difusos, com contornos mutáveis. Eu navego permanentemente entre os dois.
E o que é que o corpo desenha?
O corpo pode desenhar o que se quiser. Nesta peça optei por desenhar pensamentos sobre esta escrita do corpo. Optei também por desenhar alguns estudos da Geometria e das pessoas que os pensaram. Gosto de criar para o público jovem, e gosto de lhes falar do conhecimento e também da realidade. Gosto de me exercitar na criação da poética da realidade para pessoas mais jovens mas sinto que os adultos não devem ficar de fora deste exercício. Eu procuro desenhar o intrincado que resulta do convívio da dança com o desenho, com os pensamentos, com a realidade, com o afeto, com a natureza…
Vê o que alguns autores já escreveram sobre a linha:
“Perante um obstáculo, a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva.”
Bertolt Brecht
“A linha é o percurso de um ponto cuja única dimensão é o comprimento.”
Leonardo da Vinci
“A linha é um ponto a dar um passeio.”
Paul Klee
Sinopse
Em Linhas de Newton, a dança explica-se através da geometria e da física. Transformando o palco num plano geométrico, uma bailarina inventa novas perspetivas do espaço com linhas, pontos e intersecções.“Quando eu era bailarina, nos ensaios, sentia-me literalmente a cortar o espaço com o corpo e com os braços, e o calor que o movimento fazia batia-me na cara. Associava o virtuosismo do movimento à forma. Para me orientar no espaço, dividia o palco em hemisférios. Uma “pernada” (na técnica de capoeira a que recorria para me manter fisicamente preparada) era metade de uma circunferência; várias “pernadas” deslocadas no espaço faziam montanhas. Se o meu corpo estivesse de certa forma inclinado, se o meu estado interpretativo estivesse afinado, em total sintonia com o meu desejo, a montanha era mais alta, e fazia uma curva que fazia música e que me dava um prazer enorme e uma sensação de poder.”

