Gonçalo Tocha
Folha de Sala
Olá!
Começa hoje uma nova temporada de programação que decorre até julho de 2015. Durante os próximos 11 meses, vamos apresentar vários espetáculos e atividades dedicados às crianças e aos jovens. O baile em que todos estamos a participar é a forma que encontrámos de iniciar este novo ciclo que, em duração, se assemelha muito ao ano letivo, mas que nada tem que ver com aulas e sim com teatro, dança, poesia, musica, ilustração, cenografia artes visuais, entre outros.
Convidámos o Gonçalo Tocha para pensar num baile onde todos pudessem dançar, aos pares ou separados, sejam adultos ou crianças, animais, árvores ou peluches… São todos bem-vindos: desde os que fazem saltos e piruetas àqueles que dançam apenas com a cabeça e ainda os que preferem cantar ou ficar só a assistir.
Este baile é um bom momento para reencontrarmos os nossos vizinhos e amigos, trocar novidades e bronzeados e comemorarmos o fim das férias.
Por isso só temos para vos dizer: bailem!
Micro dicionário de algumas das palavras que participam neste baile:
TECLADOS (eletrónicos e sintetizados)
Foram inventados no final dos anos 50 e abriram muitas possibilidades a explorar no mundo da música. Com a invenção dos teclados, começaram as primeiras bandas de baile em festas de rock ‘n’ roll nos anos 50/60, nos 80/90 e em qualquer bailarico latino.
Os pais podiam comprar aos filhos um instrumento que funcionava como uma orquestra inteira tocada apenas por uma pessoa, isto porque as teclas reproduziam os timbres habituais de órgão e podiam também simular o som de muitos outros instrumentos. Alguns destes teclados podiam ser comprados peça a peça como se fossem puzzles para depois serem montados em casa — havia quem lhes chamasse “teclados caseiros”, exatamente por isso.
CONCERTINA
É o nome do instrumento pelo qual é conhecido o acordeão diatónico, ou seja, que tem tons e semi tons. Trata-se de um instrumento com fole, semelhante ao acordeão, com dois teclados dispostos de maneira a que facilmente sejam tocados os acordes, nome dado ao som produzido por duas ou mais teclas ao mesmo tempo.
A concertina é um instrumento diatónico no qual, ao abrirmos o fole pressionando um botão, obtemos uma nota musical e, ao carregar no mesmo botão mas a fechar o fole, teremos outra nota.
DESGARRADAS
As desgarradas são cantigas populares em que os cantadores, as pessoas que cantam na desgarrada, vão improvisando rimas cantadas, preferencialmente de forma jocosa para provocar e responder a um outro cantador. São abordados com humor e ironia vários temas como amor e ódio, fé e caridade, amizade e inimizade. Ligadas a ocasiões festivas populares, as desgarradas podem ser escutadas em todo o país, embora a tradição seja maior no Minho, no Douro Litoral, Beira Alta e Açores.
Nas desgarradas, normalmente não se dança porque todos ficam muito atentos ao que se está a cantar e ao despique entre os dois cantores.
DISCOS DE VINIL
Antes de existirem os comuns CD que guardam música para podermos ouvir num leitor de CD, existiam os discos de vinil, exatamente porque eram feitos em vinil.
Este objeto rolante é a representação física do som: vemo-lo a mexer! Dá vontade de dançar, de rolar. O vinil não é antigo, é moderno: é grande, é tátil, será sempre atual, perdura e dura através dos séculos, porque já tem história.
Há musica que não está na Internet nem em CD e só existe dentro destes discos. Basta ir a qualquer feira ou mercado. Lá estão eles, estes discos, à nossa espera, para serem rodados.
DJ RUBI
Tudo começou no centro da Europa quando, em frente à sua casa, o atual DJ Rubi encontrou uma grande mala cheia de vinis perdidos. Abriu a tampa e ficou muito feliz. Tinha encontrado música que nunca tinha ouvido (nem visto, se pensarmos nas capas que eram mesmo lindas). A sua vida mudou.
DJ Rubi gosta de fazer viajar o seu público sem ser preciso sair da pista de dança: gosta do Havai, do Taiti e de tudo o que seja tropical. Gosta das orquestras atómicas de Edmundo Ros e Xavier Cugat carregadas de maracas e grito, dos vibrantes teclados e tem especial prazer em chocar as vedetas românticas com música etéreo-espacial. DJ Rubi gosta de rock ‘n’roll cósmico nas mãos do grande guitarrista Ricky King e também do disco samba tocado por holandeses com sotaque.
DJ Rubi gosta mesmo é de cocktails de músicas explosivas totalmente fora do mundo.
BAILE
A palavra baile deriva do verbo bailar, tem origem no latim (ballare) e significa dançar (saltare, tripudiare), ou seja, movimentar o corpo com saltos regulados e com arte.
Sugestão de passo de dança:
Experimenta! Com que parte do corpo mais gostas de dançar? Já experimentaste dançar só com os dedos das mãos? E dos pés? E ao mesmo tempo com os ombros? Experimenta agora dançar com os dedos com os ombros e com a barriga. Sugerimos-te que vás dançando devagar com cada parte do corpo até conseguires dançar com todo o corpo, sem parar!
Breve receita especial para fazer pipocas maravilhosas
2 colheres de sopa de manteiga
10 colheres da sopa de açúcar
1 chávena de chá cheia de milho para pipocas
canela a gosto
Coloca a manteiga e o açúcar numa panela grande e põe em lume brando mexendo sem parar até formar uma calda. Cuidado para não te queimares nem deixares queimar a calda. Junta o milho e continua a mexer. Quando as pipocas começarem a saltar, tapa a panela. Segura-a bem e agita-a para a calda se misturar. Quando os intervalos dos saltinhos das pipocas forem mais espaçados desliga o fogão. E pronto! É só deixar arrefecer um bocadinho e comer. Se gostares, podes polvilhar com um pouco de canela.
Sinopse
Um DJ e cantor, de grandes raridades em vinil, é o mestre de cerimónias deste baile que nos traz ainda ecos dos bailes populares portugueses de verão. No jardim do Bairro das Estacas, o DJ irá apresentar-nos um duo eletro, uma dupla de concertinas ao desafio e uma miniorquestra de teclado e bateria. Um baile circular de música “fora do mundo” com direito a frutas, flores, pipocas, sucessos exóticos e batidas populares.RubiTochaDJ e cantor
Recoletor incansável de discos antigos, perdidos e abandonados em feiras, lojas e casas de amigos, a sua missão é resgatar do esquecimento êxitos que nunca chegaram a sê-lo, redescobrir cantores mundiais de um só sucesso, e encontrar versões exóticas e inesperadas de clássicos intemporais. Do Havai às Caraíbas à Singapura, dos teclados Wersis e Dr. Böhm às guitarras cósmicas, da música romântica ao baile, os discos (e as capas dos discos) vão desfilando em ritmo de aventura.
Fausto Ferreira e Isaac Achega
Duo orquestra
Exclusivamente para este baile, desafiámos a junção de uma dupla de teclado Hammond e bateria, inspirada em algumas duplas deste género que faziam furor em festas de baile europeias nas décadas de 60 e 70. Neste nosso baile, o duo miniorquestra irá tocar ao vivo em sete ou oito momentos intercalados no tempo. Imaginem: o DJ escolhe um disco, lança uma canção, por exemplo o Happy Organ versão Cherry Wainer, colheita 74. Assim que o disco chega ao fim, num palco paralelo, o duo orquestra toca ao vivo esta mesma canção com outros arranjos. E assim sucessivamente. Dos discos para o palco, a música torna-se visível.
Cláudia Martins e Valter São Martinho – Minhotos Marotos
Concertinas à desgarrada
Diretamente da freguesia de Atães, Guimarães, Cláudia e Valter são dois jovens astros da concertina e das letras ao desafio, longa tradição popular, em muitas das festas portuguesas. A melodia é simples e hipnótica, as quadras cantadas são criadas à nossa frente. Neste baile de contrastes, a dupla de concertinas irá protagonizar o momento acústico da tarde, no meio do público a cantar e a tocar à desgarrada, tornando a tradição popular viva e atual.
TOCHAPESTANA
Duo eletro
Diretamente do cosmos musical, Tocha (voz e efeitos) e Pestana (teclado Casio e guitarra) são os dignos herdeiros do baile moderno português, versão século XXI. Conhecidos por animarem as melhores festas urbanas, os também chamados reis do tecno-beat e do turbo-rock nacional, vão fechar o nosso baile no jardim com chave de ouro, tocando alguns dos seus êxitos dançáveis como Baila Comigo e Lisboa.