Victor Hugo Pontes
Folha de Sala
Vice-versa quer dizer: ao contrário. Por exemplo, é assim e também é ao contrário, ou é assim e vice- versa. Olha à tua volta e tenta descobrir que coisas ou ações são assim ou vice-versa. Já pensaste porque é que este espetáculo tem este nome?
O Victor Hugo Pontes explicou-nos o que pensou quando estava a fazer este espetáculo:
“Vice-Versa assenta na ideia de que, na infância, há um universo de fantasia em que todas as hipóteses são viáveis, em que é possível imaginar um mundo ao contrário e acreditar-se nele.
Vice-Versa é também um trabalho sobre a duplicação da realidade e a aquisição de consciência da individualidade. Todavia, estes são conceitos alheios à vida quotidiana de uma criança. Até este processo estar concluído, aquilo que importa é outra coisa: as crianças querem ter tempo para imaginar, para acreditar que é possível ter-se quatro pernas e correr muito mais depressa, que se pode ser gigante, ter quatro braços e vinte dedos, que do outro lado do espelho está outra pessoa igual a ela, que a imita, que as sombras são por vezes mais rápidas e por vezes mais lentas do que nós. Quem está por detrás da sombra? Onde se esconde a sombra? Acho que as crianças querem dormir e sonhar que os ursos de peluche andam sozinhos e as embalam durante a noite.
Do ponto de vista ficcional, o universo infantil tem personagens que se assemelham e temas recorrentes. Quando falamos do Tempo, lembramo-nos do coelho da Alice no País das Maravilhas. Quando falamos de espelhos, recordamos episódios de Alice do Outro Lado do Espelho. Os livros da Alice são apenas um exemplo – um exemplo que me interessa, devido à sua complexidade e resistência à descrição –, ainda que isto não signifique que Vice-Versa se baseie neles. Não adaptei nenhuma história, nem segui nenhuma narrativa. Vice-Versa pretende apenas fornecer estímulos para que as crianças possam criar a sua narrativa, no seu próprio mundo de incontáveis possibilidades.”
Coloca um espelho aqui.
Tenta desenhar a imagem que vês no espelho.
29 de abril Dia Mundial da Dança
Sinopse
Quanto tempo falta para ser grande? Se ficar com um dedo preso debaixo do pé durante cinco minutos isso é muito tempo? O que acontece se os ponteiros do relógio pararem? E se começarem a andar ao contrário? Uma história sem pés nem cabeça… Ou com dois braços, vários dedos, joelhos, pernas e um nariz…
Vice-versa parte da ideia que na infância se acredita em tudo, e o tempo existe de forma diferente: há um universo de fantasia em que todas as hipóteses são viáveis, em que é possível imaginar um mundo ao contrário e acreditar nele. Acredita-se então que é possível ter quatro pernas para correr muito depressa; que se pode ser gigante, ter quatro braços e vinte dedos; que do outro lado do espelho está outra pessoa igual a nós e que nos imita; que as nossas sombras são às vezes mais rápidas e às vezes mais lentas do que nós. Quem estará atrás da sombra? Onde se esconde? As crianças dormem e sonham que os ursos de peluche andam sozinhos e as embalam durante a noite.